O Passado Também Chuta: Quando o futebol italiano dominava o mundo (Parte II)

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Depois de relembradas algumas das equipas míticas do futebol italiano nos seus anos dourados, é tempo de olhar para aquilo que ficou ainda por dizer.

Em 1997, o Inter de Milão investiu forte no mercado e montou uma equipa preparada para o sucesso. Ronaldo Nazário de Lima foi à data o jogador mais caro da história do futebol, depois do presidente do Barcelona ter revelado que o “Fenómeno” ia ficar no clube a carreira toda, após ter marcado 47 golos na sua primeira época nos “blaugrana”. Os nerazzurri desembolsaram 22 milhões de euros para garantir o passe do aclamado melhor avançado do mundo do momento.

No jogo de estreia do brasileiro foi outro reforço que brilhou. O Inter perdia 1-0 com o Brescia e o defesa Álvaro Recoba marcou dois golaços fora de área, que deram a vitória à equipa na primeira partida da temporada. Houve também outro jogador que se destacou nesse encontro, embora do lado dos visitantes, de seu nome Andrea Pirlo, que se mostrou ao mundo pela primeira vez. O resto não é preciso dizer…

A equipa de Milão procurava repetir as duas conquistas da Taça UEFA no início da década de 90, com o trio de alemães Matthaus, Klinsmann e Brehme. Além disso, queriam também vingar a derrota do ano anterior frente ao Schalke 04. Ronaldo foi crucial nessa conquista e carregou a equipa até à final. Nesse jogo, o adversário era a Lazio e o resultado final foi 3-0. Ronaldo, Zanetti e Zamorano foram os marcadores dos golos da partida.

A equipa contava ainda com mais figuras míticas como Diego Simeone, Djorkaeff, Zé Elias, Luigi Sartor, entre outros.

Fonte: Internazionale Milano

O “Fenómeno” marcou 34 vezes nessa primeira temporada, mas devido a problemas nos joelhos, fez apenas 25 tentos nas quatro épocas seguintes. Baggio também tinha vários problemas de lesões, o que o obrigou a sair do AC Milan e a relançar a carreira no Bologna, onde marcou 23 golos em 33 jogos. No ano seguinte, assinou pelo Inter de Milão, que se assumia como um dos grandes europeus.

Em 1999, o Internazionale voltou a quebrar o recorde da transferência mais cara, comprando Christian Vieri por cerca de 35 milhões de euros, avançado italiano que em nove épocas tinha atuado por nove clubes diferentes. O Inter de Milão acabou a década sem vencer nenhum “scudetto”, embora tenham sido anos repletos de títulos, à exceção do Calcio.

O Parma escreveu uma das histórias mais bonitas da história do futebol italiano. O clube de uma pequena cidade do norte de Itália permaneceu nos seis primeiros lugares do campeonato durante nove anos seguidos na década de 90 e tudo isto se sucedeu pouco tempo depois da subida à primeira divisão.

O guarda-redes brasileiro, Claudio Taffarel, foi a primeira estrela a chegar ao clube nesse momento e ficou pasmado por apenas um jogador ter alinhado na Serie A. Além disso, não existia centro de treinos e a equipa treinava num parque público. Apesar disso, sentia-se ali uma química especial entre os jogadores, os adeptos e a cidade, e as transferências foram ajudando para construir uma equipa vencedora.

Na segunda época nesta liga, a equipa conquistou a Coppa Italia. Em 1993 e 1995, o Parma arrecadou duas prestigiadas Taças UEFA, tendo em conta que na primeira jogaram sem a estrela do plantel, o colombiano Tino Asprilla, que falhou a final após lesão resultada num confronto com um condutor de um autocarro. Na segunda, o clube levou a melhor sobre a Juventus com um golo de Dino Baggio.

Fonte: UEFA Europe League

A vitória mais emblemática da “ducali” foi em 1998, com a conquista da terceira Taça UEFA da década e com uma equipa espantosa, devido à quantidade de craques concentrados num clube modesto, embora com muita história. Esse plantel, que venceu por 3-0 o Marselha na histórica final, tinha jogadores como Gianluigi Buffon, Fabio Cannavaro, Lilian Thuram, Dino Baggio, Diego Fuser, Juan Sebastián Verón, Hernán Crespo, Enrico Chiesa, Luigi Sartor e Tino Asprilla.

Fonte: SS Lazio

A Lazio é também um grande histórico do futebol italiano e parece estar a querer voltar ao topo atualmente. O campeonato de momento encontra-se parado, contudo, a Lazio prometia uma luta até ao fim para quebrar a hegemonia da Juventus. Se ainda houver jogos para disputar, a Lazio é séria candidata a vencer o “scudetto”.

Desde 1997 até 2001, o clube coletou sete títulos e ficou marcado por um esquema de jogo muito bem desenhado pelo técnico sueco, Sven-Goran Eriksson. O plantel era composto por alguns jogadores familiares e outros protagonistas de transferências milionárias nos anos seguintes. A equipa venceu a liga italiana em 1999/2000, a Recopa Europeia em 1998/1999, a Supertaça Europeia em 1999, a Taça de Itália em 1997/1998 e em 1999/2000, assim como duas Supertaças italianas, em 1998 e em 2000.

O objetivo da direção era conseguir um título reconhecido em 2000, por ser o ano do centenário do clube. A Lazio tinha dinheiro para investir e o Eriksson preparou estas épocas vencedoras a apostar bem no mercado. Contratou Roberto Mancini à Sampdoria, Almeyda, Pancaro e Boksic, juntando uma base já consolidada por Nesta, Negro e Favalli na defesa e por Pavel Nedved no meio-campo. De destacar que em 97/98 a equipa chegou à final da Taça UEFA e perdeu com o Inter de Milão.

Outros reforços chegaram, como Sinisa Mihajlovic, Dejan Stankovic, Fernando Couto, Marcelo Salas e Christian Vieri. O campeonato esteve perto em 1998/1999, mas a equipa perdeu a vantagem nos últimos jogos, ficando apenas a um ponto de vencer a tão ambicionada liga.

O objetivo deu-se por sucedido no ano seguinte, em 1999/2000, quando no centenário o clube não só venceu o campeonato, como a Taça de Itália e marcou uma era inesquecível dos Gli Azzurri.

A equipa contava ainda com Sérgio Conceição, que chegou a marcar um golo que garantiu a Supertaça de Itália em 1998, com Simone Inzaghi, o atual treinador da equipa, e com Hernán Crespo, além dos já referidos.

A Roma marcou aqueles que foram os últimos anos de domínio italiano no futebol europeu, quando venceu o título nacional em 2000/2001, 18 anos depois da última conquista. Os Giallorossi estavam a perder todo o prestígio para os eternos rivais da Lazio que estavam em grande plano e este título serviu para dar moral à equipa.

Fonte: AS Roma

Fabio Capello orientou a AS Roma ao triunfo do “scudetto” de forma incontestável e com um futebol bastante eficiente, comandados pelo patrão e eterno capitão, Francesco Totti. O plantel era memorável, com míticos jogadores como Walter Samuel, Cafú, Tomassi, Cristiano Zanetti, Marcos Assunção, Emerson, Totti, Batistuta e Montella.

Com o virar do século, a hegemonia italiana entrou em decadência, com exceção da vitória da Liga dos Campeões do AC Milan em 2002/2003 e, mais tarde, em 2006/2007. A única equipa italiana capaz de ganhar um troféu europeu foi o Inter de Milão de José Mourinho em 2009/2010.

As equipas espanholas passaram a ocupar o lugar dominante no que toca a futebol internacional e neste milénio venceram 17 troféus europeus contra apenas três dos italianos. As previsões apontam para a passagem do testemunho para o futebol inglês, depois das finais europeias da época passada terem sido entre quatro equipas inglesas (Liverpool-Tottenham e Chelsea-Arsenal).

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

João Pedro Rocha
João Pedro Rochahttp://www.bolanarede.pt
João é de Espinho, no norte de Portugal, é licenciado em Ciências da Comunicação e tem o objetivo de singrar no jornalismo desportivo. É um apaixonado pelo futebol e acompanha o desporto desde tenra idade, principalmente o campeonato português, as top 5 ligas e as competições europeias. Tem o tiki-taka de Pep Guardiola como referência futebolística.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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