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O Passado Também Chuta: Manuel Fernandes

José Luís Montero · 2 min

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Escrevo esta crónica num dia muito especial. São as dezassete horas do dia 23 de junho de 2018. O Sporting Clube de Portugal decide o seu presente futuro depois de viver uma temporada que envergonha a próprios e a estranhos. Não sei o que acontecerá dentro de poucas horas e muito menos no amanhã, mas o Sporting merece hoje e a esta hora a minha homenagem. Tinha um nome do futebol internacional meio encaminhado para escrever. Fechei o texto.

Penetrei na internet para me inspirar nalguém que tivesse feito História pela sua qualidade e também pela sua entrega ao clube que neste momento chora. Procurei grandes jogadores do Sporting Clube de Portugal. Apareceram muitos; saltaram nomes que iam desde o imortal Azevedo até ao Rui Patrício. Mas, apareceu um nome que não me fez pensar. Este! Disse para mim e sem acordar quem dormia a sesta. Chama-se: Manuel Fernandes.

Manuel Fernandes nos dias que correm está na minha retina não pelos golos que marcou ao serviço do clube das suas simpatias; mas porque, a última vez que o vi num programa de televisão, chegou ao ponto do pranto que engasga palavras e evidencia a torrente de sentimentos que brotam convulsivamente. Manuel Fernandes veio dos lados da Moita e progrediu no Barreiro como tantos outros craques que deliciaram os adeptos do futebol.

Manuel Fernandes chegou ao Sporting como substituto de Yazalde
Fonte: Wiki Sporting

Tocou-lhe entrar em Alvalade depois do Yazalde ter passado e deixado um rastro de magia realizadora. Tremenda tarefa. Substituir um jogador de craveira internacional não está ao alcance de muitos e muito menos se se é, praticamente, prata da casa. Os saudosistas e os incrédulos pararam a pensar. No entanto, Manuel Fernandes começou a deambular no campo. Começou a finalizar. Começou a avançar com a bola nos pés e a passar defesas desconcertados.

Manuel Fernandes marcava; e foi um goleador que venceu os incrédulos. Possuía o dom da colocação na área; no espaço certo onde chegaria a bola. Desarmava as defesas pela colocação; pela técnica e pelo golpe certeiro. Nascera um titular indiscutível e um eterno do Sporting Clube de Portugal.

A sua história é uma de vontade e sonho. Nascido numa família sportinguista, a sua mãe visionara bem cedo que um dia jogaria no Sporting. Começou a dar pontapés no Sarilhense. Mas, um clássico olheiro que percorria os pelados da região quando o viu, convidou-o para tentar a sorte na velha CUF. Depois de um ano a calejar nas reservas, deu o salto para a equipa principal. Passou quatro anos a crescer e a afirmar-se na CUF. Começaram-lhe a chover os convites dos grandes clubes portugueses. O FC Porto, o Belenenses e o Sporting escreveram-lhe cartas de amor. Mas, o seu destino estava marcado pelo caminho do coração. Sorriu e correu para Alvalade.

Jogou doze anos no Sporting. É um dos seus melhores goleadores de todos os tempos. Unicamente o violino Peyroteo tem maior global. Foi capitão e campeão com a sua camisola e continua a desviver-se pelo seu clube como responsável dos olheiros do Sporting Clube de Portugal. É reconhecido pelo universo sportinguista como um dos seus grandes mitos. Foi um jogador que fez saltar de alegria o velho Estádio de Alvalade e merece ser reconhecido.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo Revisto por: Beatriz Silva

José Luís Montero

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Ricardo João Lopes · 6 min de leitura
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