Rodrigo Mora ficou fora da lista final de Roberto Martinez para o Mundial de 2026. No entanto, o apelido Mora vai (quase garantidamente) marcar presença na competição, graças a outra jovem promessa do futebol mundial, de seu nome Gilberto Mora.
Gilberto Rafael Mora Zambrano nasceu em Tuxtla Gutiérrez, México, a 14 de outubro de 2008, menos de dois meses antes de Cristiano Ronaldo receber a sua primeira bola de ouro. Em 2026, Mora será um dos “diamantes” a pisar os relvados norte-americanos, entrando na competição já como detentor de um recorde sonante: o jogador mais jovem de sempre a conquistar um troféu internacional pelo seu país (Gold Cup 2025).
Formado no Club Tijuana, a quase 4000 km da sua terra natal, Gilberto Mora estreou-se na Liga Mexicana com apenas 15 anos e tornou-se o mais jovem marcador de sempre apenas duas semanas depois da estreia.
Já depois de arrecadar a Gold Cup ao serviço da seleção principal, Gilberto Mora foi uma das principais estrelas do Mundial de sub-20 de 2025, no Chile, onde o México chegou aos quartos de final. O centrocampista do Club Tijuana registou três golos e duas assistências, mas acima de tudo chamou à atenção pelos seus dotes técnicos.
Mora tem apenas 1.68m e aproveita o seu baixo centro de gravidade para trocar as voltas aos defesas adversários. O seu excelente domínio de bola e a capacidade de mudar de direção muito rapidamente permitem-lhe manter a bola na sua posse por mais tempo do que seria razoável para a maioria dos jogadores.
O seu pé preferencial é o direito, mas não se faz rogado se lhe derem oportunidade para rematar com o esquerdo. Esta ameaça impede que os defesas lhe concedam espaço e faz com que defendam com mais proximidade, acabando por dar vantagem a Mora no um para um.
As semelhanças com o seu “primo português” Rodrigo não se esgotam no apelido. Gilberto Mora joga predominantemente descaído para a esquerda, com o seu talento a evidenciar-se quando tem também liberdade para pisar zonas mais interiores do terreno, aproveitando os espaços que vão surgindo.
A sua inteligência posicional e timing de aceleração permitem-lhe criar o “caos controlado” que gera oportunidades nítidas de golo para a sua equipa. Tem tendência para receber a bola e mudar rapidamente de direção, criando assim desequilíbrios na defesa contrária, que podem depois ser aproveitados através de combinações curtas com os seus colegas.
Tendo em conta a sua clara aptidão para a receção orientada, bem como a capacidade de atrair a pressão e soltar no timing certo, Mora faz lembrar um Bernardo Silva dos tempos do AS Mónaco ou, se quisermos ser mais ousados, um Pedri com maior verticalidade.
Há naturalmente aspetos a melhorar por parte do jovem prodígio mexicano. Apesar de já ter uma maturidade considerável para a sua idade, a tomada de decisão pode ainda ser aprimorada. O aspeto físico terá também de ser desenvolvido, de forma a conseguir disputar os duelos de forma mais consistente.
Os próprios responsáveis do Club Tijuana consideram inevitável uma eventual saída de Mora para um clube europeu. O Mundial deste verão poderá ser a “montra final” para o jovem médio, que é uma das principais esperanças dos adeptos mexicanos para levar a “tricolor” longe na competição.
Espera-se, acima de tudo, que Gilberto não se junte à lista de grandes talentos mexicanos que não atingiram o nível que o seu potencial prometia, onde constam casos como Carlos Vela, Giovani dos Santos ou mesmo, mais recentemente, Diego Lainez.

