Foi em cima de uma vespa que o Sporting anunciou o mais recente reforço, o médio italiano Issa Doumbia, vindo de Veneza, onde foi peça fundamental na subida à Serie A.
Na época passada, somou 38 jogos com 10 golos e cinco assistências, números de louvar para a posição que ocupa e que merecem destaque.


Nascido na Lombardia, Doumbia começou a carreira no AlbinoLeffe na Serie C, onde ficou por três épocas. Seguiu-se o Veneza, na época 2024/2025 na Serie A, onde o jogador não foi propriamente feliz.
O Veneza encontrou dificuldades no principal escalão italiano e acabou despromovido. Foi só na época seguinte que Doumbia deu o salto qualitativo, o que lhe valeu a atenção de vários clubes europeus. O Sporting acabou por vencer a corrida e contratou o médio, que vem com rótulo de diamante em bruto, com algumas comparações a Paul Pogba.
É um jogador com características valiosas para a equipa de Rui Borges, como um médio de perfil diferente do atual meio-campo dos leões. O Sporting entrou no mercado com um objetivo claro: virar a página, munindo Rui Borges de jogadores que encaixam na visão do treinador. Saem Morita e, ao que tudo indica, Hjulmand. Entram Doumbia, Silas Andersen e especula-se por Palhinha.


Um meio-campo cerebral e refinado, que sabia pautar o jogo, dá lugar a um mais físico e de recuperação, com Doumbia a ocupar a posição de “oito”.
O italiano faz-se valer do seu físico como uma das principais armas. O médio é um portento físico, com 1.87, o que lhe confere uma presença imponente no meio-campo dos leões. Como tal, é forte nos duelos e na recuperação de bolas, sem se desviar de um bom embate.
É um jogador agressivo no momento defensivo, mas não se apoia unicamente no físico no momento defensivo. Junta à qualidade de desarme, a antecipação e a leitura de jogo, útil no momento de recuperação e na transição ofensiva.
Tocando no aspecto ofensivo, apesar da sua estatura física, Doumbia não é um jogador trapalhão, tendo qualidade no momento com bola. É um box-to-box. Tem facilidade em transitar entre as duas áreas e é uma ameaça na chegada à área. Os 10 golos na Serie B comprovam isso mesmo, o italiano chega para ser importante no ataque do Sporting.
Doumbia não vive só dos momentos de chegada à área. É forte na condução, com critério no momento de libertar a bola, apesar de ainda existirem arestas para limar. Tem um perfil que se distingue dentro do plantel do Sporting, que não possuía nenhum jogador com estas características, sejam físicas, sejam de ligação entre o setor defensivo e ofensivo.
Por vezes, consegue ser ligeiramente anárquico no momento de progredir com bola, o que pode explicar a contratação de Silas Andersen, com um perfil mais discreto e de contenção, para fazer dupla com o médio italiano. Na liga portuguesa, contra adversários em bloco baixo, terá menos espaço em comparação com a Serie B, onde costumava fazer arrancadas com muita liberdade.
O Sporting ataca a época com uma ideia clara, sem repetir a fórmula de outros anos e com uma sucessão clara a jogadores estabelecidos no clube. O treinador é o mesmo, as ideias logo veremos. A verdade é que os leões procuraram renovar o meio-campo, para muito possivelmente explorar novas opções táticas, com maior fisicalidade e presença, algo que faltava. Resta esperar para ver a utilização de Doumbia, como será o seu papel no plantel do Sporting e se será capaz de replicar o sucesso da época anterior.

