Olheiro BnR | Jakub Kaminski

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O Benfica fechou a contratação de Jakub Kaminski num negócio que vai rondar os 20 milhões de euros, resgatando-o à exigência da Bundesliga. Aos 24 anos, o internacional polaco aterra na Luz num momento crucial de maturidade, depois de uma época de 45 jogos, nove golos e três assistências ao serviço do Colónia. Esta não é uma contratação para vender camisolas ou encher os ecrãs com fintas virais no TikTok.

Trata-se de uma jogada de mercado com a assinatura bem visível de Marco Silva, que conseguiu antecipar-se a clubes como o Leipzig e o Brighton, autênticos especialistas no scouting europeu. O técnico sabe exatamente o que pediu: um jogador de alta rotação, com um histórico de lesões incrivelmente limpo, capaz de injetar no plantel o ritmo competitivo e a agressividade vertical que muitas vezes escasseou.

Jakub Kaminski Benfica
Fonte: Benfica

Para percebermos o impacto que Kaminski pode ter no xadrez do Benfica, é imperativo desmistificar logo o seu perfil. Ele não é um extremo desequilibrador no sentido clássico da palavra. Está a anos-luz do recorte técnico de um Schjelderup ou da capacidade de drible curto de um Prestianni. O polaco é, na sua essência, um autêntico operário do relvado e um facilitador tático. Faz lembrar, em muitos aspetos de atitude e compromisso, a passagem de Kerem Akturkoglu pelo clube, mas com uma dinâmica associativa superior.

Não vai fintar três adversários, mas é um mestre no “toca e foge”, jogando de forma simples a um ou dois toques. A sua grande virtude é a inteligência sem bola, sabe exatamente que espaços ocupar para arrastar marcações, funcionando como um isco tático que abre autênticas autoestradas para os colegas mais criativos aparecerem em zonas de finalização.

Esta apetência para o jogo associativo abre perspetivas táticas muito interessantes para Marco Silva. Apesar de chegar com o rótulo de extremo-esquerdo, as características físicas e de condução do jogador fazem dele um candidato formidável para atuar como um “nove e meio”, solto no corredor central nas costas do avançado.

Vangelis Pavlidis é exímio a jogar de costas para a baliza, servindo de pivô para as tabelas frontais, o que casa na perfeição com o instinto do polaco para atacar a profundidade e invadir a área. Seja a partir da ala ou jogando por dentro, Kaminski é aquele trator incansável que nunca desiste de uma jogada, forçando o erro dos defesas através de uma insistência física que esgota qualquer adversário.

Contudo, o sucesso deste investimento vai esbarrar de frente com duas realidades muito duras que exigem uma rápida adaptação. A primeira é o choque contextual: na Alemanha, Kaminski beneficiava de um jogo partido, com transições constantes e muito espaço para acelerar. Em Portugal, tirando os jogos contra os rivais diretos, vai deparar-se com autênticos autocarros e blocos defensivos estacionados à entrada da área. A falta de espaço aberto vai testar os seus limites técnicos.

A segunda realidade é o momento da definição. O polaco precisa urgentemente de refinar o seu último toque e a tomada de decisão no último terço. Atualmente, o seu remate é muitas vezes precipitado, disparando de forma quase cega na esperança de acertar no poste mais distante. É um diamante em bruto no plano físico, mas que precisa de ser limado taticamente nos treinos para ganhar a frieza dos verdadeiros matadores.

No fim de contas, olhar para a etiqueta de 20 milhões de euros e exigir que Kaminski seja o craque que vai resolver todas as partidas sozinho com lances de génio é uma abordagem completamente errada. O polaco chega para ser uma ferramenta de várias funções nas mãos do treinador, assumindo-se como um titular estratégico para determinados contextos ou um elemento de rotação de luxo que mantém a intensidade da equipa.

Pode não ser o jogador que vai encher os olhos aos adeptos mais românticos, mas tem o perfil exato do motor silencioso e fiável que sustenta o equilíbrio das equipas que querem dominar e voltar a ser campeãs nacionais.

Duarte Rêgo
Duarte Rêgohttp://www.bolanarede.pt
O Duarte é licenciado em Som e Imagem e está a terminar o mestrado em Ciências da Comunicação - Media e Jornalismo. Adora fotografia desportiva e escrever notícias.

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