O mercado de verão está a ser particularmente agitado para os lados de Alvalade, com a saída de várias peças-chave do plantel e, consequentemente, uma preocupação acrescida com o rendimento imediato dos reforços. Com as partidas de Geovany Quenda e Francisco Trincão, ficou clara a necessidade de contratar um extremo que, de preferência, estivesse confortável em ambos os flancos.
O escolhido para esse papel foi Jesse Derry, jovem com apenas 19 anos, que chega do Chelsea por empréstimo. Formado na outra margem do Tamisa, no Crystal Palace, Derry conta com 30 internacionalizações pelas camadas jovens inglesas e tem agora a sua primeira experiência num clube estrangeiro.
O potencial de Jesse Derry é reconhecido pela grande maioria dos olheiros e o Chelsea garantiu a renovação do seu contrato até 2032 antes da partida para Lisboa. Derry tinha-se estreado no plantel principal dos blues em fevereiro deste ano, na visita ao Hull City a contar para a Taça de Inglaterra.
Preparado para fornecer verticalidade aos leões, Derry exibe grande velocidade, quer com o esférico quer sem ele. O seu estilo de condução de bola faz lembrar Jack Grealish ou Eden Hazard: bola colada ao pé e acelerações explosivas que lhe permitem fugir aos adversários em espaços muito reduzidos.
Na definição dos lances, o novo extremo leonino aproxima-se mais do seu compatriota. Apesar de ter boa precisão nos cruzamentos, tem mais tendência para cortar para dentro e usar o remate, em que também demonstra qualidade. A sua forma de abrir espaço para rematar com o pé direito assemelha-se a um William Gomes invertido, com os defesas a lerem a jogada mas sem a conseguirem travar.
Como acontece com muitos jovens, os aspetos a melhorar centram-se mais na parte mental e tática que nos aspetos técnicos. A tomada de decisão e a consistência serão pontos chaves para a evolução de Derry, principalmente se começar a ser aposta no 11 inicial de Rui Borges. Nesse caso, os rasgos de génio deixarão de ser suficientes e a regularidade assumirá uma maior importância.
No ambiente de Primeira Liga, o embate com defesas mais experientes vai ser fulcral para apanhar a “manha” e adquirir inteligência emocional. No aspeto defensivo do seu jogo, Derry poderá aplicar a sua estatura (1,88m) para vencer duelos aéreos. O posicionamento e disciplina sem bola serão também pontos importantes, principalmente tendo em conta a possível parceria com Maxi Araújo, lateral de características muito ofensivas. Uma coordenação eficiente entre os dois elementos do flanco esquerdo evitará o aparecimento de espaços nas costas da defesa.
Em três jogos de preparação até agora, Derry foi sempre opção saída do banco, entrando por volta da hora de jogo. Apesar de ter jogado mais pelo lado esquerdo, o papel assemelha-se ao de Geovany Quenda, que muitas vezes entrava para causar desequilíbrios face a adversários já algo fatigados.
No jogo de apresentação, o britânico voltou a entrar aos 60 minutos e bastaram-lhe oito para causar impacto. Desta vez, nem foi a velocidade ou o um para um que fizeram a diferença, mas sim a colocação do remate. Este fez a bola beijar o poste mais afastado antes de entrar na baliza de Hradecky, que nem se lançou.
Derry afirmou não ter hesitado assim que teve conhecimento do interesse por parte do clube leonino. Tendo em conta o historial de jovens promessas lançadas pelo Sporting, Derry acredita que pode ser o próximo a figurar nessa lista e confessa estar ansioso por evoluir na capital portuguesa.
No final da época, o regresso a Londres é o destino mais provável para o jovem internacional inglês, que ambiciona ter mais oportunidades na Premier League, ao serviço de um dos seus maiores clubes.

