Há avançados que vivem apenas do golo. Outros vivem do momento. Terem Moffi parece viver um pouco dos dois, e também das circunstâncias. A sua chegada ao FC Porto não é apenas a de mais um ponta de lança para o plantel, é a de um jogador que tenta reencontrar confiança, ritmo e, sobretudo, a melhor versão de si próprio depois de um período duro dentro e fora de campo. Entre a força física, a explosão e a capacidade de jogar para a equipa, Moffi apresenta-se como uma solução que pode não prometer números astronómicos, mas que oferece algo muitas vezes subvalorizado: presença, trabalho e utilidade real para o modelo coletivo.
Aos 26 anos, internacional pela Nigéria e com um valor de mercado a rondar os dez milhões de euros, Moffi é um ponta de lança de origem, podendo também como extremo direito. O seu percurso por Kortrijk, Lorient e Nice moldou um avançado fisicamente poderoso, explosivo e habituado a contextos competitivos exigentes. A sua melhor época a nível individual surgiu em 2020/21, com 15 golos e duas assistências em 34 jogos, demonstrando capacidade para ser uma referência ofensiva consistente quando enquadrado num modelo que valorize transições e profundidade.


No plano técnico, Moffi destaca-se pelo jogo de costas para a baliza, sendo capaz de receber sob pressão, proteger a bola e esperar pela aproximação dos colegas para ligar o jogo. Esta característica encaixa no perfil de ponta de lança que Francesco Farioli aprecia: um avançado fisicamente forte, associativo e útil na construção ofensiva, não apenas na finalização. O nigeriano gosta de servir os colegas, demonstra boa capacidade para combinar em apoios frontais e revela inteligência nos movimentos de rotura, atacando bem a profundidade quando a equipa ganha metros no terreno.
Fisicamente, é um avançado explosivo, rápido em condução e perigoso em transições, conseguindo transportar a bola com qualidade quando encontra espaço. O seu pé preferencial é o esquerdo, com o qual consegue finalizar de forma potente e até improvisar em situações acrobáticas dentro da área, mostrando recursos técnicos para resolver lances aparentemente improváveis. Ainda assim, necessita de melhorar o jogo aéreo, onde, apesar da estrutura física, nem sempre se impõe com a regularidade exigida ao mais alto nível.
Depois de uma fase muito positiva no Lorient e de uma boa época global em 2023/24 no Nice, a carreira de Moffi entrou numa fase descendente. Uma lesão grave afastou-o da competição durante quase um ano, quebrando o ritmo competitivo. A saída de Farioli do comando técnico do Nice e um episódio negativo com adeptos do clube francês agravaram o contexto emocional do jogador, contribuindo para um rendimento mais baixo e para uma quebra de confiança visível no seu jogo. Esta situação ajuda a explicar o momento pessoal menos favorável que atravessa atualmente.
No FC Porto, o contexto competitivo abre-lhe uma janela de oportunidade clara. Com a lesão grave de Samu Aghehowa e a ausência de Luuk de Jong, Moffi surge, juntamente com Deniz Gül, como uma das poucas soluções disponíveis para a posição de ponta de lança. A estreia frente ao Nacional foi o primeiro passo num processo de adaptação que exigirá tempo, sobretudo tendo em conta o longo período de inatividade competitiva.
Importa sublinhar que Moffi não é um avançado com veia goleadora astronómica, dificilmente será um jogador de 30 golos por época. No entanto, dentro dos parâmetros do modelo de Farioli, pode ser extremamente útil: fixa centrais, cria linhas de passe, oferece presença física na área e permite que a equipa respire ofensivamente quando joga mais direto. Em comparação com Samu, revela maior conhecimento do jogo e melhor capacidade de associação, embora não tenha o mesmo potencial de explosão a longo prazo.
Os contornos do negócio acabam por fazer sentido para o clube e para o momento em que se encontra o plantel do FC Porto. É uma aposta com risco relativamente baixo: se Moffi conseguir reencontrar o nível que já mostrou em França, o clube ganha um avançado útil e com margem para valorizar, se isso não acontecer, não fica preso a um investimento pesado nem a uma decisão irreversível. No fundo, é uma solução pensada mais com a cabeça do que com a emoção, responde a uma necessidade imediata, dá profundidade ao plantel numa fase delicada e deixa em aberto a possibilidade de, com confiança e ritmo competitivo, o jogador voltar a mostrar aquilo que já deixou ver noutros momentos da carreira.
Terem Moffi atravessa um momento pessoal delicado, mas o reencontro com Farioli e o contexto atual do FC Porto podem funcionar como o estímulo necessário para voltar a mostrar o avançado dominante que já foi. Se recuperar ritmo competitivo e melhorar o jogo aéreo, tem todas as condições para dar o “clic” e tornar-se uma peça relevante na dinâmica ofensiva portista.

