Da Colômbia chega-nos mais uma promessa do ciclismo. Miguel Angel Lopez, ou como é apelidado pelos fãs, Superman Lopez.

A história do jovem colombiano começa quando em 2014 vence o Tour de l´Avenir, prova que serve de montra para os ciclistas sub-23, e que mostra ao mundo os novos craques. Por norma os colombianos dão se bem nesta prova já que anteriormente por aqui venceram Egan Bernal, Esteban Chavez, e o mais conhecido de todos, Nairo Quintana, Lopez é o próximo a seguir os caminhos trilhados pelos seus conterrâneos que actualmente são dos  principais corredores das suas equipas.

O estilo de corrida de Lopez encanta sobretudo pela sua explosividade, é um ciclista que não se cinge só a ficar na roda dos adversários, ele ataca quando menos se espera, e é essa sua maneira de encarar a corrida e que agrada aos adeptos fartos talvez dos super comboios da Sky e da forma como a equipa britânica controla as corridas na alta montanha tornando-as monótonas.

Um puro trepador que encara as subidas como uma criança quando é colocada num parque infantil e entra num sobe e desce do escorrega, ou num baloiço, ambos sabem que é aquilo que os diverte, é aquilo que gostam de fazer, estão no seu habitat.

Foram essas as características que levaram a equipa da Astana avançar para o ciclista colombiano em 2015. Uma semente que a equipa cazaque plantava no seu pomar de ciclistas e que iria mais à frente começar a colher os seus frutos. 

2015 marca o início da sua carreira e nessa época o destaque vai para a sua participação na Volta a Burgos, onde vence a classificação da juventude e consegue um quarto lugar na geral.

Entrávamos na sua segunda época e o fruto (Miguel Angel Lopez) ainda estava verde mas já se via nele qualidades que justificavam a aposta da Astana, aliado a boas prestações também os resultados foram aparecendo e alguns de forma surpreendente. Fora da europa no começo da época obteve resultados interessantes no Tour de San Luis, e na Malásia no Tour de Langkawi mas onde o colombiano brilhou foi mesmo na Europa ao conseguir vencer o Tour de Suisse, prova que serve de preparação para o Tour de França, e perante uma concorrência bem mais capaz e experiente à partida. O que surpreendeu foi não só à sua capacidade em montanha mas principalmente a sua prestação no contra-relógio, uma vertente onde os colombianos mostram algumas lacunas, lacunas que não se evidenciaram nesta prova suiça.

Lopez acabaria ainda nessa época com uma vitória na clássica Milano-Turim mostrando vocação também para as clássicas de um dia.

A época passada Superman Lopez apontou o seu foco para a Vuelta à Espanha, não tendo conquistado nenhuma prova até lá o colombiano terá de certo conquistado muitos adeptos com as suas vitórias em etapas na Volta à Áustria, Volta à Burgos e sobretudo na Vuelta.

A Vuelta de 2017 ficou marcada pela despedida de Alberto Contador, ciclista que deixou um marco importante no ciclismo, com feitos difíceis de igualar.

Conquista da sua primeira vitória numa grande volta, “a mais importante de minha carreira”
Fonte: La Vuelta

Mas esta Vuelta mostrou também que Angel Lopez pode ser um digno sucessor de El Pistolero.Numa das etapas dessa Vuelta Contador foi literalmente deixado para trás pelo colombiano que acabaria por chegar isolado na chegada a Sierra Nevada vencendo essa etapa. Antes dessa vitória Lopez tinha ganho a 11.ª etapa entre Lorca e o observatório astronómico de Calar Alto atacando no último quilómetro deixando para trás Froome e Nibali conquistando aquela que seria, segundo ele, a sua maior vitória na carreira até ao momento.

O oitavo lugar na geral foi uma boa amostra na sua segunda participação na Vuelta dando mais uma vez indícios de ser um jovem de qualidade.

Esta época Lopez inscreveu o Giro de Itália no seu calendário e a preparação para a prova transalpina tem sido feita de forma regular.

Com dois top-3 nas duas primeiras provas disputadas, Tour de Oman segundo lugar, onde venceu a etapa raínha, e Abu Dhabi Tour terceiro lugar,resultados interessantes no seu terreno favorito, a alta montanha. 

Depois de um Tirreno-Adriático discreto onde obteve um 16º lugar, voltou a mostrar grande forma no Tour of the Alps, uma das provas que serve de preparação para o Giro, conquistando uma etapa, na chegada ao Alpe di Pampeago, num sprint a quatro e acabando a prova no 3º lugar da geral.

Com o Giro de Itália a chegar, e sendo a estreia do colombiano nesta grande volta, a expectativa é que talvez termine um top-10 e conquiste alguma etapa.

Ainda é cedo para o vermos a vencer uma grande volta, e espantaria que o fizesse neste Giro mas uma coisa é certo, na alta montanha vamos vê-lo subir com os melhores e quiçá obter uma ou outra vitória.

Se mantiver um crescimento progressivo e sustentado por vitórias, de certeza que o veremos a disputar grandes voltas como a Vuelta, Giro e quem sabe o Tour de France. Se for o caso e pelo seu estilo peculiar, Superman Lopez será um digno substituto de El Pistolero e a Colômbia terá mais uma estrela no circuito World Tour.

Foto de Capa: Astana Pro Team

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