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Nesta metade de 2014/15, e perante o enorme impacto inicial de jovens promessas como Anderson Talisca (Benfica) ou Bernard (Vitória de Guimarães), alguns futebolistas muito promissores têm efectuado um percurso com um reconhecimento surpreendentemente inferior ao desejável, sendo um dos exemplos o jovem médio-ofensivo Diego Lopes, do Rio Ave.

Trata-se de um futebolista apenas nascido a 3 de Maio de 1994, em São Paulo, Brasil, mas já com um longo percurso futebolístico por terras lusas, uma vez que chegou às camadas jovens do Benfica logo em 2008/09, para representar os iniciados.

Nos encarnados, aliás, o jovem canarinho haveria de terminar o seu percurso no futebol juvenil, destacando-se sempre como um médio-ofensivo/atacante com muita qualidade técnica e sentido de baliza, ainda que, na transição para sénior, em 2012/13, tenha acabado por ser emprestado ao Rio Ave.

A crescer nos Arcos

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Aliás, é precisamente no emblema vila-condense que Diego Lopes actua até hoje, sendo que o Rio Ave, no início da temporada passada, assegurou-o mesmo em definitivo, sinal da clara aposta que faz num jovem brasileiro cuja evolução nos Arcos tem sido evidente.

Afinal, se Diego Lopes se ficou pelos 26 jogos (mas apenas 12 como titular, em 2012/13), a verdade é que o médio-ofensivo tornou-se um elemento muito mais imprescindível para o Rio Ave a partir da temporada transacta, tendo somado 38 jogos (32 como titular) em 2013/14, e já somando 30 jogos (20 como titular) em 2014/15.

Perante essa aposta mais constante, é natural que Diego Lopes esteja a evoluir em alguns aspectos, nomeadamente ao nível da finalização, sendo sintomático que o brasileiro apenas tenha feito um golo no combinado das temporadas 2012/13 e 2013/14, enquanto em metade da actual já leva oito.

“Dez” ou extremo-esquerdo criativo e com sentido de baliza

Analisando mais detalhadamente as características futebolísticas de Diego Lopes, penso que é legítimo admitirmos que estamos perante um jogador naturalmente talhado para a posição “dez”, isto em virtude da sua evoluidíssima visão de jogo, excelente qualidade técnica e eficaz chegada à grande área contrária, como é facilmente compreensível pelo número de golos que já leva pelos vila-condenses.

Perante a sua mobilidade e inteligência táctica, também não são raras as vezes que o jovem de 20 anos é colocado no lado esquerdo do ataque do Rio Ave, local onde naturalmente não funciona tanto como um extremo puro, de linha, mas procura muitas vezes as diagonais para o centro, onde a sua capacidade desequilibradora é venenosa e faz mossa nas defesas contrárias.

Essa mesma inteligência táctica, que naturalmente tem tudo para ser aprimorada com o passar dos anos, aliada à generosidade que o brasileiro apresenta para o processo defensivo, permite-lhe ainda ser utilizado em última instância como “box-to-box” ou interior-esquerdo, ainda que não me pareça adequado colocar Diego Lopes numa posição que o afasta das zonas de definição, local onde mostra o melhor que tem para oferecer.

Foto de capa: Página de Facebook do Rio Ave FC

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Sportinguista sofredor desde que se conhece, a verdade é que isso nunca garantiu grande facciosismo, sendo que não tem qualquer problema em criticar o seu clube quando é caso disso, às vezes até com maior afinco do que com os rivais. A principal paixão, aliás, sempre foi o futebol no seu contexto mais generalizado, acabando por ser sintomático que tenha começado a ler jornais desportivos logo que aprendeu a ler. Quanto ao ídolo de infância, esse será e corre o risco o de ser sempre o Krassimir Balakov, internacional búlgaro que lhe ofereceu a alcunha de “Bala” até hoje. Ricardo admite que ser jornalista desportivo foi um sonho de miúdo que conseguiu concretizar e o que mais o estimula na área passa pela análise de jogos e jogadores, nomeadamente os que ainda estão no futebol de formação ou naqueles campeonatos menos mediáticos e que pensa sempre que ninguém vê como o japonês, sul-coreano ou israelita..                                                                                                                                                 O Ricardo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.