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A temporada de 2015/2016 do campeonato espanhol tinha, à partida, muitos jovens com potencial para acompanhar, mesmo nas equipas com menos ambições. Nos clubes que subiram, por exemplo, estão nomes como Dani Ceballos (Betis) ou Alen Halilovic (Sporting Gijón), cujo talento não passa despercebido, e convém não esquecer revelações como Adalberto Peñaranda (Granada) ou Mikel Oyarzabal, que tem sentado Bruma na Real Sociedad. A meio da época, chegou mais um jogador com margem de progressão suficiente para se tornar num craque de nível mundial. Charly Musonda, extremo belga que fez parte da super equipa do Chelsea que venceu a UEFA Youth League, está no Betis por empréstimo dos londrinos e promete ser uma das figuras da segunda volta.

A qualidade de Musonda valeu-lhe desde logo a titularidade na equipa sevilhana, que durante a primeira metade da temporada sentiu a falta de um jogador com a capacidade de desequilíbrio que o belga pode oferecer. Nos primeiros encontros que efectuou com a camisola verdiblanca, o jovem de 19 anos foi sempre um dos melhores em campo e está a ter um impacto imediato no conjunto orientado por Juan Merino. O belga foi uma das apostas para tentar escapar à despromoção, bem como Leandro Damião, e para já vai correspondendo às expectativas.

Charly Musonda já treina pelo Bétis Fonte: Real Bétis
Charly Musonda já treina pelo Bétis
Fonte: Real Bétis

A actuar sobre o lado direito, embora possa ocupar qualquer posição no apoio ao ponta-de-lança, Musonda acrescenta muita velocidade e imprevisibilidade ao futebol ofensivo do Betis, que tem estado dependente de Rúben Castro. O habilidoso belga tem uma capacidade de desequilíbrio impressionante e é fortíssimo em acções de condução no último terço. Ágil e muito dotado tecnicamente, consegue evitar o choque (algo que procura invariavelmente, tendo em conta a sua fragilidade física), serpenteando entre adversários, e define com qualidade. Apesar de ser um jogador com um estilo de jogo irreverente, o que o faz correr riscos no 1×1, demonstra uma maturidade assinalável no capítulo da decisão, sendo de destacar a inteligência na procura do espaço central sempre que possível. Se evoluir de forma natural – e a passagem para o futebol sénior oferece-lhe novos desafios -, podemos estar perante uma das referências do futebol mundial nos próximos anos.

Nos últimos anos, o Chelsea investiu muito no recrutamento de jogadores para as camadas jovens, colocando-se como um dos clubes mais fortes ao nível da formação. Charly Musonda, de origens zambianas mas internacional sub-21 pela Bélgica, foi contratado ao Anderlecht em 2012, juntamente com os irmãos Tika e Lamisha, tendo rapidamente justificado a aposta dos londrinos. O protagonismo que ganhou fez crescer as esperanças dos blues, mas ainda não teve oportunidades na equipa principal e este empréstimo será decisivo para as conseguir na próxima temporada. No entanto, se olharmos ao passado recente, percebemos que não têm sido muitos os jovens da formação que ganham o seu espaço – Kenedy e Loftus-Cheek são dos poucos que vão contrariando essa tendência. As probabilidades de Musonda regressar a Stamford Bridge não são assim tão elevadas, analisando realisticamente. Cabe ao próximo treinador do Chelsea não desperdiçar o diamante que terá em mãos.

Foto de capa: Real Bétis

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