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Olheiro BnR: Deni Avdija, a esperança israelita

Clara Maria Oliveira · 4 min

Olheiro BnR: Deni Avdija, a esperança israelita
Foto de capa: Washington Wizards

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DE ISRAEL A WASHINGTON: O TAMANHO DO SONHO

O sonho americano começou há menos de um mês para Deni Avdija. O servio-israelita foi escolhido pelos Washington Wizards com a nona escolha do Draft de 2020. Quando muitos achavam que podia estar no Top 5 e consolidar-se como o melhor “estrangeiro” da noite, acabou por cair algumas posições. Na capital dos Estados Unidos, vai tentar provar que as equipas que não acreditaram no seu talento estavam erradas.

Natural de Beit Zera, a norte de Israel, Deni começou por jogar futebol. Não satisfeito com o desporto mais popular do país, apaixonou-se pelo basquetebol pouco depois. E foi com a borracha laranja e preta entre as mãos que começou a espalhar magia pelos pavilhões. O o talento não passou despercebido ao maior clube do Médio Oriente, o Maccabi Tel Aviv, que o recrutou para as suas fileiras.

O percurso foi tudo menos natural na formação. Aos 16 anos e 320 dias, estreou-se na equipa principal do Maccabi, tornando-se o jogador mais novo de sempre a atuar pelo clube. Paulatinamente, os minutos foram aumentando e a confiança trouxe outros atributos ao jovem. Com isso, a fama escapou das fronteiras israelitas e depressa se tornou uma esperança do basquetebol mundial.

O radar nunca mais se desligou. Os anos foram passando e a idade para entrar no Draft (19 anos) tinha chegado. Com o sonho de jogar na NBA, Deni não deixou as raízes sem  marcar o  basquetebol israelita. Além de ter vencido dois campeonatos da europa na categoria de sub-20 com o seu país, também venceu a nível interno. Este ano, apesar da Covid-19, o Maccabi foi campeão e Avdija foi considerado o MVP.

De Israel a Washington são muitos quilómetros de distância. Estes, foram encurtados quando Adam Silver chamou o nome de Deni Avdija. A partir desse momento, o israelita tornou-se um jogador da melhor liga de basquetebol do mundo. As cores dos Wizards no chapéu oficializaram a mudança, que promete encantar os americanos.

Apesar de ser comparado a Luka Doncic pela história, desenganem-se. Existem alguns pontos de contacto e parecenças entre o esloveno e o israelita, mas os dois estão em patamares muito distintos. Muitas vezes as expectativas criadas mudam, pela negativa, a carreira de um jovem jogador como Deni.

Foto de capa: Washington Wizards

COMO JOGA DENI AVDIJA?

Com 2,06 metros, Deni Avdija assume-se como uma das maiores armas ofensivas da classe que entra este ano na NBA. O small forward é um verdadeiro “faz tudo”, pontua, cria muitas jogadas e também tem potencial para se tornar um bom defesa. Os Wizards são uma equipa em reconstrução, mas espera-se que, ao lado de Rui Hachimura, formem uma dupla no frontcourt que promete dar que falar.

Além dos jogadores mais novos, a equipa de Washington promete dar a Avdija alguns bons exemplos veteranos. Russell Westbrook chegou recentemente à capital, mas foi Bradley Beal o “apanhado” a dar conselhos ao jovem israelita. Todos estes pequenos momentos podem dar outro alento para garantir que a mudança de realidade não é um passo gigante.

Voltanto aos atributos basquetebolíticos, Deni apresenta muitas jogadas de ataque ao cesto. Em Israel, era recorrente o uso do jogo de pés para fazer frente a defesas mais baixos e, no final, terminava com um afundanço ou layup. A superioridade e a explosão tornaram-se mais evidentes ao longo do tempo.

Apesar disso, a constituição física ainda deixa a desejar. Com apenas 19 anos, é normal o jogador chegar com menos envergadura, como foi o caso de Giannis Antetokounmpo. Para fazer frente aos defesas da NBA, é preciso trabalhar nesse aspecto, porque já na Liga Israelita demonstrava dificuldades em alguns duelos 1×1.

A lançar menos de 35% de três pontos, essa é uma das grandes lacunas de Deni. Caso consiga ser mais consistente no lançamento exterior, pode se tornar um caso sério. A dificuldade de converter triplos e a falta de um pack mais alargado de dribles são problemas que podem ser resolvidos com mais treino e experiência.

Os primeiros encontros de pré-época deixaram água na boca, mas não se pode exigir tudo a Deni, pelo menos para já. A mudança de realidade e de cultura podem perturbar no início do sonho, mas acredito que, em breve, vai ser um dos maiores talentos não-americanos (ou até no geral) da NBA. O tempo, neste caso, é mesmo ouro.

Clara Maria Oliveira

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