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Chegou tarde. Até aos 26 anos, teve de ir espreitando oportunidades para se puder afirmar. Foi ganhando bagagem e finalmente encontrou um lugar. Em Arouca, cumpriu, finalmente, mais de 30 jogos numa época. Seguiu-se um regressou a casa (Oliveirense) bem conseguido, que lhe valeu um ingresso para a Roménia, onde atuou durante duas temporadas, mas onde nunca conseguiu ser verdadeiramente feliz.

Voltou a Portugal. Famalicão, na época passada, acolheu-o. Fez 40 jogos, e pegou de estaca, funcionando como um dos garantes da ambição famalicense, que esteve perto do sonho subida (acabou no 6º lugar, a apenas 2 pontos da subida).

Esta época,  está a assumir importância semelhante no Santa Clara. Já leva 34 jogos ao serviço dos açorianos e está a conseguir, aos 32 anos, estabilizar o nível competitivo. E que nível!

A careca reluzente, que marca o topo de um poço de força com 1,90 metros de profunidade, faz com que se distinga dos outros penteados. Uma imagem que reflete o que se passa no relvado, porque Diogo Santos não inventa, e joga simples.

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Ou melhor, faz parecer simples o que é, de facto, complicado, sobretudo na posição (médio defensivo) e contexto competitivo (na 2ª Liga, o centro do terreno está sobrepovoado em 90% dos encontros) em que se encontra – sair a jogar com qualidade.

 

 Fonte: CD Santa Clara
Diogo Santos impõe-se nas alturas
Fonte: CD Santa Clara

Diogo Santos não se esgota, portanto, no “6” destrutivo que corta linhas de passe e evita que o jogo circule no primeiro terço. Para além de fazer isso, com autoridade, o vila-franquense encontra linhas de passe, tanto pelo chão como pelo ar (exímio no jogo aéreo), e permite que se dê azo à criação.

Foi ele, aliás, um dos principais alicerces do início de temporada fantástico do Santa Clara, marcado por seis vitórias (uma delas em Coimbra, diante da Académica, onde Diogo Santos foi o homem do jogo) e um empate em sete jogos, nos quais apenas sofreu 3 golos.

O sentido posicional, a forma como iniciava o processo de construção e a capacidade física foram cruciais para este registo fantástico. Daniel Ramos (fortíssimo a trabalhar os “6”) conseguiu mesmo tirar o melhor dele, tanto no Fama como no Santa Clara e ele tem tido inteligência suficiente para, mesmo sem o agora treinador do Marítimo, continuar a exibir o seu verdadeiro futebol.

Diogo Santos pode muito bem ocupar o miolo do terreno de uma equipa de Primeira Liga. Daniel Ramos não descurará continuar a trabalhar com ele…

Foto de capa: dfacores.com