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Se tiver de apostar nos pontas-de-lança pelos quais passará o futuro da Selecção A Portuguesa, certamente que colocaria as minhas fichas em dois atacantes do FC Porto, mais concretamente em André Silva (19 anos) – que tem tudo para ser uma das principais figuras da Selecção Nacional de sub-20 no próximo Campeonato do Mundo da categoria – e Gonçalo Paciência (20 anos), internacional sub-21 português, que já começa a dar os primeiros passos na equipa comandada por Julen Lopetegui.

Filho de um dos mais emblemáticos pontas-de-lança da história azul-e-branca, Domingos Paciência, o jovem atacante já teve de superar algumas lesões complicadas e, inclusive, suspeitas de um problema no coração que se temeram que o fizessem retirar precocemente dos relvados. Ainda assim, Gonçalo Paciência sobreviveu a todas as adversidades e continua a sua ascensão no seio do FC Porto e nas selecções jovens Portuguesas, tendo todas as condições para provar que, por terras lusas, também se fabricam “noves” de muita qualidade.

Um verdadeiro filho do dragão

Gonçalo Mendes Paciência nasceu a 1 de Agosto de 1994, em Matosinhos, e apenas conheceu um clube em toda a sua carreira: o FC Porto. Isto, obviamente, se excluirmos a temporada que disputou, em 2009/10, pelo satélite azul-e-branco Padroense.

Quanto à sua estreia nos seniores do FC Porto, essa deu-se em 2013/14, temporada em que o ponta-de-lança foi utilizado em 19 partidas da Segunda Liga, marcando cinco golos pela equipa comandada por Luís Castro e José Guilherme.

Entre a equipa B e A

Depois dessa temporada de introdução no futebol sénior, a actual está a servir para a transição de Gonçalo Paciência de promessa para uma certeza azul-e-branca, sendo que o jovem, além de somar 15 jogos (14 como titular) e nove golos pela equipa B, também já começa a ser chamado por Julen Lopetegui para vários desafios da equipa principal.

Afinal, são já quatro os jogos em que o internacional sub-21 Português foi utilizado pelo técnico Basco, sendo que Gonçalo Paciência foi mesmo titular na partida diante do Sp. Braga (1-1), para a Taça da Liga, e marcou mesmo um golo à Académica (4-1), em duelo a contar para a mesma competição.

Gonçalo Paciência é um dos valores de futuro do FC Porto Fonte: Facebook de Gonçalo Paciência
Gonçalo Paciência é um dos valores de futuro do FC Porto
Fonte: Facebook de Gonçalo Paciência

Diferente de Domingos

Há quem diga que Gonçalo Paciência será ainda melhor do que Domingos Paciência e se é verdade que ainda é cedo para esse tipo de vaticínio, é igualmente inegável que o jovem ponta-de-lança reúne, de facto, qualidades e características que o seu pai não apresentava.

Antes de mais, com 1,84 metros e 80 quilos, Gonçalo Paciência é muito mais forte fisicamente do que era Domingos Paciência, características que lhe permitem ser mais efectivo no choque contra as defesas contrárias e no desgaste das mesmas. Atributos que o deixam muito mais à vontade como “nove” puro do que sucedia com o seu pai, que preferia a escapar a esses confrontos, usando a sua mobilidade e capacidade de jogar na linha do fora-de-jogo.

Tecnicamente evoluído e bom finalizador

Ainda assim, e porque a genética deixa sempre rasto, é inquestionável que Gonçalo Paciência também herdou inúmeras qualidades que o pai apresentava, nomeadamente a evoluída técnica e criatividade com a bola nos pés, assim como a inteligência posicional e a qualidade de passe.

Relativamente veloz, Gonçalo Paciência revela ainda uma boa capacidade finalizadora, ainda que, naturalmente, exista ainda grande margem para melhorar o seu nível de killer instinct, algo que a, suceder, poderá ser fulcral para o concretizar o vaticínio de que pode, de facto, vir a superar a qualidade do seu pai.

Foto de Capa: FC Porto

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Sportinguista sofredor desde que se conhece, a verdade é que isso nunca garantiu grande facciosismo, sendo que não tem qualquer problema em criticar o seu clube quando é caso disso, às vezes até com maior afinco do que com os rivais. A principal paixão, aliás, sempre foi o futebol no seu contexto mais generalizado, acabando por ser sintomático que tenha começado a ler jornais desportivos logo que aprendeu a ler. Quanto ao ídolo de infância, esse será e corre o risco o de ser sempre o Krassimir Balakov, internacional búlgaro que lhe ofereceu a alcunha de “Bala” até hoje. Ricardo admite que ser jornalista desportivo foi um sonho de miúdo que conseguiu concretizar e o que mais o estimula na área passa pela análise de jogos e jogadores, nomeadamente os que ainda estão no futebol de formação ou naqueles campeonatos menos mediáticos e que pensa sempre que ninguém vê como o japonês, sul-coreano ou israelita..                                                                                                                                                 O Ricardo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.