Não é todos os dias que escrevo um artigo acerca de um jogador com tantas qualidades e com um nome tão complicado, a ponto de não fazer ideia como pronunciá-lo. Felizmente, já não tenho estas dificuldades para descrever o seu futebol: falo de Oleg Reabciuk, o lateral-esquerdo do FC Paços de Ferreira, jogador que considero dos mais promissores da Primeira Liga.

Não há muitos jogadores moldavos no nosso campeonato. A Moldávia, sendo um país distante diferente, podia constituir um entrave à adaptação de qualquer jogador ao nosso futebol. No entanto, Oleg vive em Portugal desde os quatro anos, já tendo passado por vários clubes, desde NS Rio Maior, Sporting CP, CF “Os Belenenses”, FC Porto, onde se formou jogador, e agora FC Paços de Ferreira.

A primeira vez que vi Oleg em acção foi num jogo amigável da pré-época 2018/2019, em que o Porto defrontava o Portimonense SC no Algarve. Ao intervalo, o Porto já perdia por 2-0 e eu pensava com os meus botões que os nortenhos precisavam de um valente abanão; essa sacudidela veio sob a forma de um jovem da equipa B dos dragões que entrou aos 63’ para mostrar o seu valor: esse jogador era Oleg.

Mostrou nessa meia-hora que teve para jogar, as qualidades que lhe reconheço ainda hoje: um pulmão gigante, excelentes incursões ofensivas, bom sentido posicional, uma técnica acima da média e acima de tudo, muita raça. Fartava-se de correr e esse esforço valeu um golo ao FC Porto aos 83’, com assistência do moldavo. Talvez a única coisa a apontar ao jovem lateral fosse alguma precipitação própria da estreia pela equipa principal.

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No final desse jogo, pensei bem que Sérgio Conceição lhe viria a dar uma oportunidade na equipa A, mas, passado um ano de amadurecimento na equipa B, rumou ao FC Paços de Ferreira onde milita agora, sendo uma das boas surpresas dos castores.

O jovem defesa do clube da capital do móvel já leva 17 jogos na Liga, mais três na Taça de Portugal e dois na Taça da Liga; tem sido um dos pilares da defesa do clube; a sua resistência, velocidade e técnica diferenciam-no dos restantes jogadores. A sua evolução tem sido notória, sendo agora um defesa menos ansioso e cada vez mais confiante, sempre com a concentração que se lhe é exigida. Será um dos melhores jogadores do plantel do FC Paços de Ferreira que, certamente, não se arrependerá de dar uma oportunidade ao jovem Oleg.

Muita tinta tem corrido acerca da renovação ou não de Alex Telles, o dono da lateral-esquerda dos dragões. Um jogador cheio de raça, com técnica, muito ofensivo e esforçado. Onde é que eu já ouvi isto? A iminente saída de Alex Telles fará os responsáveis portistas perceberem que cometeram um erro gigante ao deixar sair prata da casa. Um erro do tamanho da Torre dos Clérigos, diria eu.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão