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Embalado pela transferência de Maurício para a Lazio e pela contratação de um defesa-central ainda preso por arames (Ewerton), o jovem Tobias Figueiredo tem sabido conquistar um lugar de relevo no eixo defensivo do Sporting, sendo que a sua última grande exibição, diante do Benfica, acabou por ser a confirmação de que estamos realmente na presença de um futebolista capaz de obter um lugar de grande relevo no espectro futebolístico português.

Com 21 anos acabados de fazer, e num Sporting ainda em construção e com algumas “dores de crescimento”, está a ser claramente um baptismo de fogo para Tobias Figueiredo. No entanto, este está a saber enfrentar os obstáculos com competência, contribuindo sobremaneira para que a equipa leonina tenha reduzido de forma crucial a tremideira na zona central da defesa e apresente agora uma qualidade muito mais homogénea entre sectores.

Criado em Alcochete

Tobias Pereira Figueiredo nasceu a 2 de Fevereiro de 1994 em Sátão e começou a sua carreira futebolística nas camadas jovens do Penava do Castelo, ainda que cedo tenha se transferido para o Sporting, nomeadamente em 2006/07, isto para jogar na equipa de infantis dos verde-e-brancos.

No Sporting, haveria, então, de percorrer todos os restantes escalões de formação, tendo chegado ao futebol sénior em 2012/13, temporada em que, ainda com idade de júnior, somou 18 jogos na Segunda Liga com a camisola da equipa B verde-e-branca.

O central teve um baptismo de fogo Foto: Facebook de Tobias Figueiredo
O central teve um baptismo de fogo
Foto: Facebook de Tobias Figueiredo

Passagem importante pela Catalunha

O interessante impacto que teve na equipa B do Sporting em 2012/13 acabou por não ter o devido seguimento na campanha seguinte, tendo o internacional sub-21 português passado um pouco ao lado das escolhas de Abel Ferreira na primeira metade de 2013/14. Nesse seguimento, o Sporting emprestou-o ao Réus, concluindo então Tobias Figueiredo essa época no clube catalão, somando 17 jogos e um golo na Segunda Divisão B espanhola.

Depois desse “exílio” na Catalunha, Tobias Figueiredo voltou esta temporada à equipa B do Sporting, pensando-se que esta seria uma temporada de maturação para o jovem defesa-central, numa espécie de antecâmara para uma aposta mais efectiva em 2015/16. Contudo, o seu excelente desempenho na equipa secundária leonina (17 jogos, um golo), aliado à instabilidade que foi existindo no eixo central da equipa principal, valeu-lhe uma ascensão meteórica para o onze, onde soube pegar de estaca e com direito a muitos elogios.

Qualidades inatas e uma enorme margem de progressão

Tobias Figueiredo é um defesa-central que apresenta uma fantástica compleição física para a posição, uma vez que os seus 1,88 metros e 82 quilos fazem do internacional sub-21 português um jogador muito forte no ar (tanto ao nível defensivo como ofensivo), assim como é igualmente muito forte nos duelos individuais, onde raramente permite grandes veleidades aos adversários.

Tacticamente inteligente, o que também lhe permite disfarçar alguma falta de velocidade de ponta, Tobias Figueiredo encaixa muito bem no eixo ao lado de um jogador com as características de Paulo Oliveira, ou seja, com maior mobilidade, ficando ele como o elemento mais posicional da dupla de centrais.

Obviamente que existem aspectos em que o jovem leão deve evoluir, desde a necessidade de refrear alguma impetuosidade/agressividade em alguns lances (ainda que já se veja uma clara evolução neste aspecto em relação a tempos recentes), ao aprimoramento da sua capacidade técnica, essencialmente ao nível do passe, onde por vezes comete alguns erros graves. Aliás, limadas essas nuances, estamos perante um jogador que tem tudo para se assumir como um dos grandes defesas-centrais do futebol europeu.

Foto de capa: Facebook de Tobias Figueiredo

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Sportinguista sofredor desde que se conhece, a verdade é que isso nunca garantiu grande facciosismo, sendo que não tem qualquer problema em criticar o seu clube quando é caso disso, às vezes até com maior afinco do que com os rivais. A principal paixão, aliás, sempre foi o futebol no seu contexto mais generalizado, acabando por ser sintomático que tenha começado a ler jornais desportivos logo que aprendeu a ler. Quanto ao ídolo de infância, esse será e corre o risco o de ser sempre o Krassimir Balakov, internacional búlgaro que lhe ofereceu a alcunha de “Bala” até hoje. Ricardo admite que ser jornalista desportivo foi um sonho de miúdo que conseguiu concretizar e o que mais o estimula na área passa pela análise de jogos e jogadores, nomeadamente os que ainda estão no futebol de formação ou naqueles campeonatos menos mediáticos e que pensa sempre que ninguém vê como o japonês, sul-coreano ou israelita..                                                                                                                                                 O Ricardo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.