Todd Cantwell é o nome do jogador mais virtuoso do Norwich City e um dos que promete fazer correr muita tinta no próximo mercado de verão. Mais que um médio ofensivo, vejo nele, o protótipo do futebolista moderno. O atacante híbrido, entenda-se, polivalente, e de vários recursos técnicos, táticos e físicos.

Cantwell pode jogar em qualquer posição do meio campo ofensivo, ainda que seja mais habitual vê-lo a partir do corredor esquerdo. O atleta de 22 anos tem sido um dos destaques do último classificado da Premier League. Apesar do bom futebol apresentado pelo conjunto de Daniel Farke, o Norwich tem já há longos meses, o caminho da descida traçado.

Formado nos Canaries, o jovem inglês está a cumprir a segunda época na equipa principal. Rápido na execução e no pensamento, caracteriza-se também por “não virar a cara à luta”, apesar de fisicamente, ser algo franzino. Físico esse que o prejudica em algumas situações, porém, beneficia noutras. Neste parâmetro, o destaque vai para a velocidade.

A nível técnico, faz o que quer com a bola nos pés. Passe curto, passe longo, finta, último passe, ou até remate de meia distância. Comparação desmedida ou não, em termos de estilo de jogo, faz lembrar João Félix, mas ao estilo inglês e a ter que lidar com adversidades maiores que ele todas as semanas. O “menino bonito” do lanterna vermelha é mais médio do que propriamente avançado, ao contrário do internacional português.

Cantwell é o segundo melhor marcador da equipa, apenas atrás de Teemu Pukki
Fonte: Norwich City FC

Taticamente, demonstra já toda a sua inteligência, sendo para mim um bom jogador de equipa, pela forma como se comporta dentro das quatro linhas. A atacar, dêem-lhe liberdade, sobretudo nas entrelinhas do último terço; a defender, cumpre na ajuda ao lateral esquerdo, Jamal Lewis – mais um produto da formação do Norwich, a ter em conta nos próximos tempos.

Serei o único a admirar este talento em afirmação? A meu ver, seria quase um crime, se Cantwell regressasse ao Championship. Um regredir na carreira. Com um valor de mercado fixado em 22 milhões de euros, segundo o site Transfermarkt, é certamente peça apetecível para os grandes do futebol britânico.

Imagino-o a integrar o plantel de clubes como Chelsea, Tottenham, Arsenal, ou até mesmo Manchester United ou Leicester. Este último, se quisesse subir degrau a degrau, tendo em conta o nível de exigência dos referidos anteriormente. Que bem que encaixava na renovação e na proposta de jogo de Frank Lampard…

Por esta descrição, parece um jogador feito. Porém, ainda não o é. Talvez lhe falte isso para os “grandes” lhe darem o devido valor. A capacidade de manter o mesmo nível exibicional, bem como a capacidade física para aguentar os 90 minutos, podem ser a chave para a confirmação deste que é um jogador para o futuro próximo da seleção dos Três Leões.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

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