Ygor Nogueira, defesa central brasileiro de 24 anos, está a realizar a sua primeira temporada em Portugal, ao serviço do Gil Vicente FC. Natural do Rio de Janeiro, foi no Fluminense FC que começou o seu caminho no futebol profissional e foi ao Fluminense que esteve vinculado (embora com alguns empréstimos pelo meio) até esta temporada onde se transferiu para os Gilistas a título definitivo.

Quando muitos adeptos do Gil Vicente viram a exibição de estreia de Ygor Nogueira em pleno Estádio da Luz, auguraram o pior dos destinos para o defesa central ao serviço do clube barcelense. Para recordar, nesse jogo Nogueira cometeu uma grande penalidade (que na altura até foi falhada por Pizzi) e marcou um autogolo muito perto do intervalo, quando o jogo estava empatado e o Gil a dar uma ótima réplica aos campeões nacionais. Desde essa estreia desastrosa até aos dias de hoje, onde se assumiu como titular indiscutível ao lado do capitão Rúben Fernandes no centro da defesa, muita coisa mudou.

Nogueira representa o rigor da defesa Gilista
Fonte: Gil Vicente FC

Para começar, quero realçar a categoria e competência de Vítor Oliveira, que face a uma má exibição, não perdeu a confiança no jogador e continuou a lançá-lo ininterruptamente. E a verdade é que desde então assisti a uma das maiores metamorfoses do atual campeonato português. De um jogador que tremia como varas verdes e que não sabia o que fazer com a bola nos pés passou para um central calmo, confiante e que expressa cada vez melhor as suas maiores qualidades e disfarça também cada vez mais os seus cada vez menores defeitos.

Nogueira é um central à moda antiga. Reconhece as suas limitações, mas não faz delas limites. É um jogador forte no jogo aéreo e que melhorou imenso seu sentido posicional, cada vez mais identificado na forma de jogar imposta por Vítor Oliveira que, sabemos, é muito rigoroso com as suas equipas no que aos posicionamentos defensivos e ofensivos dizem respeito.

A forma como consegue coordenar com toda a linha defensiva Gilista e como está quase sempre no caminho da bola quando os avançados adversários tentam finalizar é demonstrador da sua leitura de jogo, mas o que mais me chama a atenção é a forma assertiva como executa todas as suas ações, fundamentalmente sem bola. Mais do que interpretar o momento de salto ou os timing de desarme, Nogueira sabe fazê-lo de forma autoritária, o que transmite desde logo muita confiança a toda a equipa, porque sente que tem ali um porto seguro. De facto, Nogueira e Rúben Fernandes constituem neste momento uma das melhores e mais eficientes duplas de centrais da Primeira Liga.

Vitor Oliveira soube potenciar uma característica desde cedo percetível em Nogueira: o passe em profundidade. Com Nogueira e Rúben Fernandes, o Gil Vicente ganha variedade na saída de bola. Nogueira estica quase sempre na frente entre o central e lateral esquerdo adversário onde aparece constantemente o avançado Sandro Lima em movimentos de diagonal e principalmente do médio ofensivo Kraev nas costas dos defesas (Kraev é, na minha ótica, um dos melhores jogadores do campeonato a efetuar o movimento de ataque à profundidade).

Já Rúben Fernandes oferece uma saída mais curta, beneficiando da descida de Soares ou Claude para pegar no jogo e a partir daí construir o jogo ofensivo da equipa. Assim, podemos ver que o Gil soube aproveitar aquilo que à primeira vista parecia uma deficiência no jogo de Nogueira e transformá-la numa característica forte da equipa que é o ataque à profundidade e a verticalização do seu jogo.

Se Nogueira continuar a jogar e continuar a saber ouvir e aprender, tem tudo para não ficar pelo Gil Vicente. Com um treinador que o saiba entender e que saiba colocar as suas características em função da equipa, tem tudo para ser um central apetecível a clubes com objetivos e orçamentos diferentes do Gil Vicente.

Foto de Capa: Gil Vicente FC

Revisto por: Jorge Neves

 

Comentários