A dupla Ríos-Barreiro, o mau momento de Pavlidis e a ‘estreia’ de Gonçalo Moreira | Benfica 2-0 Nacional da Madeira

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O Benfica obteve uma das vitórias mais tranquilas do ano, depois de bater o Nacional da Madeira por 2-0, com um Estádio da Luz com poucas esperanças em algo mais do que o terceiro lugar a assistir de uma forma tímida. Os encarnados foram superiores ao longo da maioria do encontro, conseguindo retirar mais ilações positivas da primeira parte, do que da segunda.

José Mourinho não deu margem, colocou Leandro Barreiro e Amar Dedic diretamente nos onzes iniciais. Já Fredrik Aursnes começou no banco, já que o escandinavo ainda não está a 100%. Se o bósnio fez uma partida q.b., o luxemburguês conseguiu ser um dos destaques. Ao lado de Richard Ríos, formaram um duplo pivot seguro na primeira parte, que venceu uma série de duelos e realizaram desarmes importantes. Numa fase em que o Nacional da Madeira somente conseguia sair em contra-ataque, os dois jogadores não deram espaço a que isto acontecesse, impedindo que os insulares conseguissem passar da linha do meio campo. Esta dupla de médios traz segurança às águias. Pecam na construção, não são exímios no passe, mas noutros capítulos são dos melhores do nosso campeonato.

Richard Ríos no Benfica Nacional
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Leandro Barreiro e Richard Ríos permitiram a que os elementos da frente estivessem mais livres, menos preocupados em recuar e criando uma pressão imediata nos centrais, aquando do momento sem bola. Gianluca Prestianni e Andreas Schjelderup estiveram à vontade para realizar movimentos para o interior, deixando as alas para os laterais, enquanto que Rafa Silva fez uma das melhores exibições desde o seu regresso, conseguindo combinações com os seus colegas, muitas vezes ao primeiro toque. As águias apresentaram-se em alta rotação na primeira parte, o que levou os adeptos a irem para o intervalo tranquilos, pensando que a vitória estava garantida.

Contudo, o segundo tempo foi muito mais equilibrado. Pese que a primeira grande oportunidade foi para Andreas Schjelderup, o Nacional da Madeira passou a ter mais tempo a bola, conseguindo avançar no terreno, construindo em certas ocasiões com algum à vontade do meio campo adversário. A energia de Leandro Barreiro e Richard Ríos já não era a mesma e isso fez-se notar. O grande problema da turma da Choupana foi a falta dos três elementos que atuam atrás de Jesús Ramírez para criar mais perigo. Paulinho Bóia, Miguel Baeza e Gabriel Veron estiveram indisponíveis e os insulares perderam capacidade de fazer mossa. A linha de ¾ apresentada não conseguiu criar ocasiões da mesma forma e o Benfica conseguiu controlar bem a marcação individual. Claro que existiram alguns sustos, como uma oportunidade de José Gomes, lateral esquerdo que pode aparecer no ataque com relativa facilidade, e o golo anulado.

Leandro Barreiro Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Os últimos 10 minutos, com as alterações promovidas por José Mourinho, o Benfica voltou a controlar o jogo e não aumentou a vantagem por causa de Kaíque. Quem saiu nessas mexidas, aos 77’, foi Vangelis Pavlidis, que desperdiçou uma grande penalidade, aos 56’’, que podia ter acabado com o jogo. O grego está uma autêntica sombra do que foi no começo da época e a forma como bateu o penálti espelha o seu momento de forma. Falta-lhe confiança e isso é fundamental num finalizador. Na conferência pós-jogo, José Mourinho referiu que Vangelis Pavlidis é um avançado que vai mais além do golo, que contribui em outras etapas. O setubalense tem razão, mas o atleta não consegue nem ser diferenciador, nem ser um bom coadjuvante.

Vangelis Pavlidis precisa quiçá de uns jogos no banco de suplentes para voltar a concentrar-se, dando a oportunidade a outro colega de equipa. Com Franjo Ivanovic na frente, o Benfica teria que jogador obrigatoriamente de uma maneira diferente. O croata não é um homem de área, é alguém que se movimenta, que cria espaços, que vai à linha, tem um perfil muito mais associativo que o seu colega de posição, que está mais à vontade dentro da grande área. Poderia ter beneficiado de um maior tempo de jogo, numa partida que esteve controlada em grande parte do tempo.

Vangelis Pavlidis e Léo Santos
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Quem também entrou dentro de campo foi Gonçalo Moreira, a nova coqueluche das águias. O jovem esteve apenas dois minutos em campo e não teve tempo para mostrar qualquer pormenor. Fica aqui a dúvida: José Mourinho, com um 2-0, não poderia ter lançado mais tempo? Apostar na formação não é lançar jovens promessas para o relvado, isso é ‘enganar as estatísticas’. Quando se lança um jogador tem que se dar margem para ele errar dentro de campo, para se adaptar à equipa, para conseguir entrosar-se com os colegas, entendendo o que se passa dentro do terreno de jogo. O técnico admitiu que até ao final da época gostaria de dar mais oportunidades a Gonçalo Moreira, dando-lhe verdadeiro tempo de jogo. Isto foi apenas uma estreia, sentir o ambiente, ouvir os aplausos, pouco mais.

Nestes últimos jogos, José Mourinho e a sua equipa técnica têm uma oportunidade de ouro para colocarem Daniel Banjaqui, José Neto e Gonçalo Moreira em campo (Anísio Cabral pode ter menos espaço), inclusivamente como titulares. Os adeptos, sejam do Benfica, Sporting ou FC Porto, adoram isso. São três peças que encaixam no sistema tático a 100% e que poderão dar alegrias a um Estádio da Luz, que na última noite, apesar ‘hola mexicana’, apresentou amorfo, provavelmente já a pensar na próxima época.

Já o Nacional da Madeira pode dar mais, se estiver a 100%. Tiago Margarido sabe que esta batalha não é a sua, mas procurou que a equipa mantivesse o estilo, com a equipa a apresentar bons pormenores, quando tinha espaço. Kaíque sai da Luz com dois golos sofridos, mas com uma bela imagem. Zé Vítor tampouco pecou. Fica na imaginação o que os insulares poderiam ter feito com a sua linha ofensiva a 100%.

Gonçalo Moreira e Ricardo Rocha
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Bola na Rede na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Colocou hoje em campo um meio campo com Leandro Barreiro e Richard Ríos, que se mostrou forte ao nível e duelos e desarmes, dando igualmente mais liberdade aos homens da frente. Pergunto-lhe se gostou da prestação dos atletas e se é uma dupla a repetir nos próximos jogos.

José Mourinho: Vamos ver o crescimento do Aursnes, mas não há como negar que o Benfica com o Aursnes é melhor. Estou contente por este equilíbrio entre o Barreiro e o Ríos, com esta combinação de qualidades, dão-nos a possibilidade de saltar e pressionar alto, com os dois homens mais ofensivos em cima dos centrais adversários, que foi o que tentámos fazer durante praticamente todo o jogo. Com bola houve critério, nenhum deles é o Zidane. Aqui e acolá há um passe falhado, uma receção mal feita. Mas gostei da combinação. Mas não há como esconder que se o Aursnes estiver bem vai jogar.

Bola na Rede: O Nacional esteve melhor na segunda parte, já que não sofreu nenhum golo e ainda teve algumas oportunidades para marcar. O que é que pediu quando falou com os jogadores ao intervalo?

Tiago Margarido: Fundamentalmente, tivemos de mudar a nossa abordagem para sermos mais pressionantes. Desmontámos a nossa estrutura — passámos a defender em 4-4-2 — de forma a limitar mais alto a primeira fase de construção do Benfica. Também pedimos um pouco mais de agressividade dos jogadores. Na primeira parte, estávamos muito permeáveis nos duelos, nas situações de disputa, pouco agressivos. Penso que também melhorámos isso na segunda parte. Isso depois traduziu-se num melhor rendimento. A verdade é que, apesar disso tudo, o Benfica foi melhor e a vitória é justa.

Ricardo João Lopes
Ricardo João Lopeshttp://www.bolanarede.pt
O Ricardo João Lopes realizou a sua formação na área da História, mas é um apaixonado pelo desporto (especialmente pelo futebol) desde criança, procurando estar sempre a par da atualidade.

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