Olhar tático ao Braga x FC Porto: as diferenças na primeira fase de pressão e a importância das diagonais e exploração de espaços

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O FC Porto passou num dos testes mais difíceis da Primeira Liga e, talvez, no mais exigente a nível teórico desta fase final da temporada no panorama nacional. A equipa de Francesco Farioli derrotou o Braga por 2-1, no encontro relativo à 27.ª jornada da competição, e consolidou a liderança da tabela classificativa, com mais sete pontos do que Sporting (menos um jogo) e Benfica, que ocupam o segundo e terceiro lugar.

Perante duas equipas muito semelhantes no que toca à pressão homem a homem e à forma como condicionam a primeira fase de construção adversária com vários jogadores, esperava-se um jogo particularmente parecido ao da primeira volta, no Estádio do Dragão. Ainda assim, a grande diferença entre ambas está na forma como encaram a posse de bola: o FC Porto apresenta-se como uma equipa mais camaleónica, capaz de se ajustar às diferentes fases do jogo, enquanto o Braga privilegia a posse, sendo através dela que se sente mais confortável.

No plano tático, Carlos Vicens ajustou a equipa na primeira fase de pressão. O Braga é uma equipa que procura pressionar alto desde o início da construção adversária, mas, perante o FC Porto, adaptou-se, posicionando Pau Víctor e Rodrigo Zalazar na primeira linha. Conhecendo a qualidade de Diogo Costa com os pés e a sua importância na construção – muitas vezes criando um losango para garantir superioridade e linhas de passe -, o treinador espanhol optou por direcionar a pressão aos centrais. Quando a bola chegava ao guarda-redes português, este raramente era pressionado de forma agressiva, surgindo apenas uma pressão de fora para dentro, com o objetivo de o forçar ao jogo direto e impedir a ligação com o central do lado contrário ou com Alan Varela, que foi sendo vigiado por Ricardo Horta.

Diogo Costa x Braga
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Por sua vez, o FC Porto também alterou a sua forma de pressionar a primeira fase de construção. Em vez da habitual primeira linha com dois jogadores (ponta de lança e extremo) para orientar a pressão para um dos lados, apresentou uma abordagem mais agressiva ao portador. Sabendo da qualidade técnica do Braga e da sua capacidade de manter a posse, Francesco Farioli optou por uma primeira linha de quatro jogadores a pressionar alto, com os extremos e Gabri Veiga a juntarem-se a Deniz Gul.

Perante este cenário, Florian Grillitsch (um dos melhores elementos do Braga no encontro) desceu várias vezes entre os centrais para iniciar a construção. Ainda assim, perante a marcação individual e a pressão homem a homem do FC Porto – que também incluía o guarda-redes Lukas Hornicek, pressionado por Oskar Pietuszewski de fora para dentro -, o Braga optou frequentemente pelo jogo direto, mas de forma trabalhada, procurando explorar o espaço nas costas da linha defensiva portista. Com Pau Víctor a baixar muitas vezes até ao meio-campo bracarense e Jakub Kiwior a acompanhar essa referência, Rodrigo Zalazar assumiu-se como o jogador mais adiantado, com a missão de esticar a equipa e atrair Jan Bednarek, criando maior distância entre setores e promovendo situações de 1×1, potenciadas também pela sua capacidade física.

Para além das diagonais de Rodrigo Zalazar, o Braga procurou explorar, através do jogo direto, o espaço nas costas do corredor esquerdo do FC Porto. Víctor Gómez e, por vezes, o próprio Pau Víctor tentaram tirar partido do posicionamento mais adiantado de Zaidu, que estava envolvido na pressão à construção bracarense.

Rodrigo Zalazar x FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Apesar destas nuances, foi o FC Porto a entrar mais forte no encontro, conseguindo várias vezes aproximar-se da baliza de Lukas Hornicek, ainda que sem grande eficácia na finalização. A partir dos 15 minutos, o Braga conseguiu equilibrar a partida, muito por ação de um Rodrigo Zalazar mais interventivo, a conduzir bola até zonas mais adiantadas e foi tendo também as suas chegadas à área azul e branca.

Outra nuance evidente foi a menor mobilidade de Diego Rodrigues, em comparação com o jogo frente ao Sporting. Nesse encontro, partindo da ala esquerda, procurava frequentemente zonas interiores e até o corredor contrário para gerar superioridades. Frente ao FC Porto, apesar de também aparecer em zonas interiores (com Rodrigo Zalazar na largura), teve menos envolvido no processo ofensivo da equipa. Essa menor dinâmica acabou por retirar alguma imprevisibilidade ao jogo ofensivo do Braga na primeira parte.

Ainda assim, a equipa minhota entrou mais forte na segunda parte e chegou à vantagem aos 54 minutos, por Rodrigo Zalazar, na conversão de uma grande penalidade assinalada por falta de Gabri Veiga sobre Niakaté. Perante a adversidade, o FC Porto respondeu como uma equipa candidata ao título. Na sequência de um passe longo de Jakub Kiwior, Oskar Pietuszewski ganhou as costas de Gabriel Moscardo e assistiu William Gomes para o empate ao minuto 69′.

Braga x FC Porto jogadores
Fonte: FC Porto

Destaque para o posicionamento de Terem Moffi, que baixou no momento do passe de Bednarek, arrastando consigo o central do Braga. Esse movimento abriu espaço para a progressão de Pietuszewski em direção à área. Uma das grandes diferenças do FC Porto nesta fase da temporada, face a momentos anteriores, tem sido a maior participação dos extremos em diagonais e ruturas, ao invés de uma dependência dos médios interiores, algo que já cheguei a mencionar num dos textos anteriores sobre a importância dos extremos terem o papel mais ativo nesse sentido para maior variabilidade.

Os dragões concretizaram a reviravolta no marcador ao minuto 80′, com Seko Fofana a aproveitar uma segunda bola para colocar a equipa em vantagem pela primeira vez no encontro. Apesar das tentativas de ambas as equipas, o marcador manteve-se até ao final, garantindo ao FC Porto mais três pontos importantes na luta pelo título de campeão nacional.

No final do encontro, tive a oportunidade de colocar uma questão a Carlos Vicens, onde abordei a intenção do jogo direto. O técnico destacou a forte capacidade do FC Porto na pressão individual e a importância de ter jogadores na segunda linha a explorar a profundidade através de movimentos diagonais.

Infelizmente, não foi possível questionar Francesco Farioli, mas a intenção passaria por perceber o objetivo das alterações na primeira fase de pressão, com uma linha composta por mais jogadores, e também o papel de Diogo Costa na construção, tendo em conta a menor agressividade na pressão sobre o guarda-redes dos azuis e brancos.

Rodrigo Lima

Francesco Farioli FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: O FC Porto pressionou a primeira fase de construção do Braga com uma linha de quatro e vimos várias vezes a equipa a tentar explorar o espaço nas costas. Eu gostaria de lhe perguntar o porquê da preferência pelo jogo direto nessa primeira fase e o objetivo das diagonais do Víctor Gómez e do Rodrigo Zalazar e do Pau Victor nesse sentido?

Carlos Vicens: A pressão do FC Porto é homem a homem e, quando isso acontece, é importante tentar explorar o 11×10 que se cria, aproveitando o Lukas Hornicek como jogador extra. O que procurámos dar à equipa foi, numa primeira fase, opções de passe que permitissem explorar o jogo entre linhas e, depois, em determinados momentos, que um jogador da segunda linha atacasse a profundidade. Outra solução passou por utilizar o Rodrigo Zalazar, que hoje foi o jogador mais adiantado, tirando partido da sua capacidade física para nos fixarmos no meio-campo adversário. Foi uma abordagem diferente daquela que preparámos frente ao Ferencvaros, onde utilizámos mais o Gabri Martínez nesse tipo de diagonais. Desta vez, optámos por guardar essa solução para o decorrer do jogo, procurando tê-lo mais fresco numa fase mais adiantada. Ainda assim, conseguimos criar algumas situações de potencial perigo e estar mais tempo no meio-campo adversário. No entanto, na primeira parte não conseguimos encontrar o Diego Rodrigues com regularidade. Tivemos de esperar pelo intervalo para ajustar e tentar potenciar melhor o seu contributo nos primeiros minutos da segunda parte. Mais tarde, lançámos o Gabri para acrescentar uma opção na profundidade, no 1×1 e na presença em zonas de finalização. Apesar disso, acabámos por conseguir explorar menos vezes essas situações do que gostaríamos. Ainda assim, é por aí que faço a análise às questões que me colocaste.

Infelizmente, não nos foi concedida a oportunidade de fazer uma questão a Francesco Farioli, treinador do FC Porto.

Rodrigo Lima
Rodrigo Limahttp://www.bolanarede.pt
Rodrigo é licenciado em Ciências da Comunicação e está a frequentar o mestrado em Gestão do Desporto. Trabalha na área do jornalismo desportivo, com particular interesse pela análise de futebol.

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