Um dos jogos mais memoráveis e, com certeza, um dos jogos para rever. Frente a frente, duas equipas já haviam conquistado a tão desejada “Orelhuda” – os italianos por seis vezes e os ingleses quatro – e queriam voltar a sentir o gosto de um triunfo europeu.

Após percursos bastante exigentes na caminhada até à final, AC Milan e Liverpool FC enfrentavam-se no Atatürk Olympic Stadium, situado em Istambul (o mesmo palco onde irá decorrer a final deste ano) para uma partida que poucos estariam perto de imaginar que a história deste embate seria de contornos épicos.

A final começou de feição para os “Rossoneri”: logo ao minuto um, o experiente lateral esquerdo e capitão de equipa, Paolo Maldini, foi até à área contrária desviar um livre de Andrea Pirlo com um belo remate à meia-volta, batendo um desamparado Jerzy Dudek para o 0-1. Ora, se o AC Milan já era tido como o principal favorito antes do início do encontro, essa condição ficava ainda mais reforçada com o golo madrugador.

A primeira parte ia decorrendo e o Liverpool não estava a conseguir recompor-se do “balde de água fria”, logo a abrir perante um Milan confortável a controlar o ritmo de jogo, graças à enorme qualidade dos elementos do seu campo composto pelo quarteto Pirlo, Gattuso, Seedorf e Kaká, que semeava o perigo na defensiva inglesa. Um exemplo disso foi o grandioso passe de Kaká que permitiu um rapidíssimo contra-ataque e terminaria com Hernán Crespo a finalizar com um toque em habilidade para o 0-3 ao intervalo e fazendo assim o seu bis, visto que tinha marcado primeiro aos 39’.

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Os adeptos ingleses estavam atordoados com este duro golpe, mas queriam passar uma mensagem de esperança para os seus guerreiros e decidiram, então, entoar de forma sentida a famosa canção “You’ll Never Walk Alone”, o que acabou por dar maior motivação aos comandados de Rafael Benítez. Como é uma das tarefas de um capitão de equipa, Gerrard assumiu a responsabilidade e deu início a uma recuperação daquelas que só se vêm nos filmes e livros: o número oito dos “Reds” respondeu com cabeceamento exímio ao cruzamento de John Arne Riise aos 54’ e reduziu a diferença no marcador.

Gerrard deu mote para a excelente recuperação inglesa
Fonte: Liverpool FC

Dois minutos depois, foi a vez de Smicer reduzir ainda mais a desvantagem com um potente remate fora de área, onde fica a sensação de que Dida é mal batido. Xabi Alonso foi o homem que colocou tudo na “estaca zero”, após uma grande penalidade em que o guardião brasileiro ainda defende o primeiro remate, mas a perseverança do médio espanhol prevaleceu e o 3-3 estava consumado. O que o AC Milan tinha construído em 45 minutos de excelência, era destruído em pouco menos de seis minutos por um Liverpool de espírito combativo e persistente.

A reação dos milaneses surgiu por Shevchenko que quase repôs a vantagem, valendo Djimi Traoré com um corte importante sobre a linha de golo a impedir o 3-4. Antes do prolongamento, Kaká falhou uma clamorosa oportunidade em excelente posição para terminar com o jogo na sequência de um canto. Seriam mesmo necessários mais 30 minutos para decidir o vencedor da edição de 2004/2005 da Liga dos Campeões.

Já com o português Rui Costa dentro de campo, o único lance de verdadeiro destaque ocorreu no segundo tempo do prolongamento, em que a dupla tentativa de Shevchenko foi, notavelmente, parada por Dudek, mantendo assim o empate a três bolas e o jogo ia ser mesmo decidido nas grandes penalidades.

Se a partida até tinha começado bem para o conjunto de Carlo Ancelotti, já a lotaria dos penaltis não teve o mesmo início, uma vez que Serginho atirou bem por cima da baliza na primeira grande penalidade. Ao imitar o truque das “pernas trémulas” de Bruce Grobelaar na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1984, Dudek acabaria por ser o grande herói ao defender as tentativas de Pirlo e Shevchenko, pondo assim fim a um jejum de 21 anos do Liverpool sem se consagrar como a “melhor equipa da Europa” neste que é sem dúvida um dos jogos para rever nestes dias.

Um verdadeiro milagre foi o que se assistiu numa das finais mais marcantes da prova europeia de clubes mais importante, e que comprova que o Futebol é mesmo um desporto imprevisível. Nesta época em que convém que fiquemos o máximo de tempo em casa, aqui tens uma sugestão de um dos jogos para rever.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Liverpool FC: Jerzy Dudek (GR), Steve Finnan (Dietmar Hamann, 46’), Jamkie Carragher, John Arne Riise, Djimi Traoré, Sami Hyypiä, Xabi Alonso, Luís García, Steven Gerrard, Harry Kewell (Vladimir Smicer, 23’) e Milan Baros (Djibril Cissé, 85’)

AC Milan: Dida, Cafu, Alessandro Nesta, Jaap Stam, Paolo Maldini, Gennaro Gattuso (Rui Costa, 112’), Andrea Pirlo, Kaká, Clarence Seedorf (Serginho, 86’), Andriy Shevchenko e Hernán Crespo (Jon Dahl Tomasson, 85’)

 

  Artigo revisto por Joana Mendes