Este é o dia em que o peso da história se vira contra os crónicos favoritos. Diz-se que no futebol é 11 contra 11, e no fim ganha a Alemanha. Ou os alemães. Neste caso, no fim ganharam os ingleses, e logo nas grandes penalidades, onde estes cronicamente fraquejam e os alemães, por oposição, cronicamente se superam. A isto tudo, junta-se o facto de o Bayern jogar a final no seu próprio estádio. É um Maracanazo versão bávara.

Com arbitragem de Pedro Proença, é o Bayern que entra ao ataque nesta final da Liga dos Campeões da época 2011/12. Conhecendo bem os cantos à casa, a equipa de Jupp Heynckes cedo cria perigo. Mario Gómez dá o primeiro alerta num golpe de cabeça e depois é Robben, após grande jogada individual, a ver o seu remate embater no poste após um ligeiro desvio de Petr Cech.

O primeiro remate dos londrinos surge já depois da meia hora de jogo, dos pés de Kalou. Estão desnorteados os comandados de Roberto Di Matteo e a avalanche de futebol ofensivo do Bayern continua, com Gómez novamente e depois Muller a estarem perto de marcar ainda antes do intervalo. O Chelsea ressente-se das ausências de John Terry, Ivanović, Ramires e Raul Meireles, não conseguindo contrariar o que parece ser um alinhamento dos astros a favor do Bayern.

Na segunda parte, mantém-se a toada dos primeiros 45 minutos. O Bayern continua a dominar o jogo e ameaça por várias vezes a baliza à guarda de Cech, que vai conseguindo manter as suas redes invioláveis. Mas, aos 83 minutos, tudo muda. Kroos liga o GPS e faz um passe teleguiado para a área, onde Muller surge nas costas da defesa dos Blues a cabecear como mandam as regras, de cima para baixo. Cech ainda toca na bola, mas nada pode fazer para evitar a explosão de alegria na Allianz Arena.

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Tudo se parece encaminhar para o Bayern operar um autêntico conto de fadas, ao vencer a Liga dos Campeões no seu próprio estádio. Mas Didier Drogba, quem mais?, tem ato de vilania aos 88’, e torna-se ele próprio um herói, ao responder de cabeça a um canto de Mata, empatando o jogo. Exibição monstruosa do costa-marfinense coroada com um golo, ele que aparece em todo o lado do ataque do Chelsea a dar profundidade e linhas de passe, ganha duelos aéreos até mais não e cria oportunidades de perigo por si próprio, pois joga muito desapoiado esta noite.

Com o resultado em 1-1 no final dos 90 minutos, há lugar a prolongamento. A ansiedade cresce na Allianz Arena. O Bayern faz contas ao desperdício e percebe que criou ocasiões mais do que suficientes para vencer o jogo no tempo regulamentar, ao passo que o Chelsea ganha um novo acreditar com o golo tardio de Drogba. O jogo perde qualidade e num lance capital aos 95’, Robben permite a defesa a Cech na cobrança de uma grande penalidade. É o prelúdio da queda.

O resultado mantém-se quando Pedro Proença apita para o final dos 120 minutos e a decisão segue para a lotaria das grandes penalidades. Num cenário em que os alemães têm nervos de aço e raramente baqueiam, e em que os ingleses normalmente são mais frágeis, os papéis invertem-se.

Da marca dos 11 metros, Olić e Schweinsteiger falham para o Bayern e Mata para o Chelsea. A decisão final recai então sobre Drogba. O avançado dos Blues parte para a bola, não treme e remata certeiro, fazendo eclodir a Allianz Arena. Noite memorável para o Chelsea, que conquista assim a primeira Liga dos Campeões da sua história.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

FC Bayern Munique: Manuel Neuer, Philipp Lahm, Boateng, Contento, Tymoshchuk, Schweinsteiger, Muller (Van Buyten, 86’), Robben, Toni Kroos, Ribéry (Olic, 96’) e Mario Gómez.

Chelsea FC: Petr Cech, Bosingwa, David Luiz, Gary Cahill, Ashley Cole, Bertrand (Malouda, 74’), Obi Mikel, Lampard, Juan Mata, Kalou (Torres, 84’) e Didier Drogba.