A 28 de Abril de 2010, depois de um ano a “olear a máquina”, José Mourinho levava o seu FC Internazionale Milano à meia-final da Liga dos Campeões 2009/2010, contra o todo poderoso FC Barcelona de Pep Guardiola.

Depois de uma primeira mão em casa, onde vencera por 3-1, o Inter, que na sua caminhada até este jogo eliminara o CSKA e o Chelsea nas fases do mata-mata e tinha sido segundo num grupo com este mesmo Barcelona, com o Rubin Kazan e o Dínamo de Kiev, apresentava-se em Camp Nou (onde perdera por 2-0, em novembro) com toda a ilusão e força da experiência de alguns jogadores que viam nesta a derradeira oportunidade para conquistar a Orelhuda. E foi o que aconteceu…

Com uma verdadeira aula tática defensiva de José Mourinho, este fez nesta partida um dos melhores jogos (se não o melhor) da sua carreira – apesar da derrota por um a zero -, mas que lhe permitiu chegar à final desta edição da Liga dos Campeões, que posteriormente venceria. Mas vamos ao jogo.

O Internazionale apresentou-se logo de início com um 11 de tração atrás, jogando Chivu no lugar do habitual titular, Pandev, enquanto que a equipa Catalã fez exatamente o contrário, tentando desde cedo o assalto à baliza defendida por Júlio César. Prova disto é que no final da primeira parte o Inter de Milão acabou com zero(!) remates à baliza, cenário que não mudou até ao final do jogo, enquanto que o Barcelona, apesar da grande superioridade em termos de posse de bola e consequente iniciativa de jogo, não conseguiu materializar essa posse em oportunidades de golo, tendo, inclusive, feito apenas quatro remates à baliza adversária, durante o jogo todo, o que é manifestamente pouco para uma das melhores equipas do Mundo, que jogava em casa e precisava de marcar para sonhar com o apuramento.

Voltando à partida, ao minuto 28 ocorreu um lance fulcral na partida. Thiago Motta, pressionado por Busquets, ao tentar ganhar espaço, mandou a mão para trás, atingindo o jogador do Barcelona no pescoço, que logo caiu no chão. Falta e cartão vermelho para Thiago Motta, deixando o clube italiano com menos um jogador com mais de uma hora por jogar, em pleno Camp Nou. O Barcelona, galvanizado por esta expulsão, tentou tudo por tudo para virar a eliminatória…

Mas não conseguiu. O resto do jogo é fácil de explicar. Posse de bola para o Barcelona, muita dela inconsequente, e uma autêntica aula defensiva do Inter de Mourinho, que inclusive acabou o jogo com Eto’o a defesa-esquerdo numa linha de seis e com a equipa toda compacta atrás da linha da bola.

Ainda houve tempo para o Barcelona marcar um tento de honra, por Piqué, aos 84’, que com grande classe tirou Júlio César do caminho e colocou a bola no fundo das redes do guardião brasileiro. A partir daí, e até ao fim, o Barcelona fez um assalto final à baliza do clube italiano, mas inconsequente, terminando assim o jogo, com 1-0 para o Barcelona (apesar de um susto para o Inter de Milão com um golo anulado a Bojan Krkic, por mão de Touré, que tinha feito a assistência), insuficiente para virar a eliminatória.

O que se viu a seguir foi Mourinho a ser Mourinho, com um dedo levantado e a correr desenfreado pelo Camp Nou, festejando a dura batalha que tinha ganho (e aproveitando para provocar os adeptos/jogadores rivais), que culminou com a conquista do mais desejado troféu de clubes, com uma vitória, por 2-0, frente ao Bayern de Munique, umas semanas depois.

 

DECLARAÇÕES NO FINAL DO JOGO

Pep Guardiola: “A desilusão é enorme. As meias-finais são decididas nos mais pequenos detalhes e, se no ano passado, as coisas correram bem, este ano correram mal. Demos o nosso melhor, mas, infelizmente, não vamos a Madrid [local da Final desse ano]. Temos de dar os parabéns ao Inter por chegar lá. É verdade que somos o Barca, mas quando nove jogadores defendem dentro da área adversária não é fácil. Às vezes, atacar parece muito mais difícil do que defender. Nós atacámos, eles defenderam bem e não vamos procurar desculpas. Cada jogador, cada treinador e cada equipa jogam como querem e não me cabe a mim fazer julgamentos de valor.”

José Mourinho: “Tenho uma equipa de heróis. Os jogadores deixaram o sangue no relvado esta noite. Quero dar os parabéns a todos: aos que jogaram e aos que não jogaram, aos adeptos que estiveram aqui connosco e aos que viram o jogo de casa. Não é complicado imaginar o quão difícil é atingir este ponto. Eliminar o Barcelona com 11 jogadores já é difícil e quando se consegue isso com dez é histórico. O Júlio César foi fantástico e, com ele, até parecia que tínhamos 11 atletas em campo. Esta é a melhor derrota da minha vida e só é pena não ter podido jogar. Claro que seria horrível dentro do campo, mas deixaria lá o meu sangue como fizeram os meus jogadores. Já ganhei a UEFA Champions League, mas esta noite foi ainda melhor porque o apuramento esteve em dúvida até ao último minuto.”

 

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

FC Barcelona: Victor Valdés; Dani Alves, Gerard Piqué, Gabriel Milito (Maxwell, 45’), Seydou Keita; Sergio Busquets (Jeffrén Suárez, 63’), Yaya Touré, Xavi; Lionel Messi, Pedro, Zlatan Ibrahimovic (Bojan Krkic, 63’)

FC Internazionale Milano: Júlio César; Javier Zanetti, Maicon, Lúcio, Wálter Samuel, Chivu; Thiago Motta, Cambiasso, Sneijder (Muntari, 67’); Eto’o (McDonald Mariga, 85’), Diego Milito (Iván Córdoba, 81’)

 

RESUMO DO JOGO

Foto de capa: UEFA

Artigo revisto por Diogo Teixeira

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