5 de fevereiro de 2011. O dia em que a Liga Inglesa viu acontecer – na minha opinião – uma das melhores e mais emocionantes partidas da competição no século XXI.

Nem todos os jogos são capazes de ser arrebatadores e, por vezes, não valem sequer o tempo gasto ou o dinheiro do bilhete. Não foi o caso. Golos, golos e mais golos, muita tensão e drama ao cair do pano.

Contextualizando. O Arsenal FC, comandado pelo mítico treinador francês Arsène Wenger, visitava o Saint James Park, reduto do Newcastle United FC, na jornada 26 da temporada 2010/2011. Num terreno historicamente complicado, os gunners perseguiam o Manchester United FC de Alex Fergunson na corrida pelo título, estando a dois pontos dos red devils, significando que uma vitória neste encontro era crucial.

A entrada do Arsenal na partida não podia ter sido melhor. Theo Walcott colocou os londrinos em vantagem com apenas 44 segundos de jogo no relógio, Johan Djourou ampliou a vantagem pouco depois e Robin van Persie fez o terceiro, tudo no espaço de dez minutos. O avançado holandês iria voltar a marcar à passagem da meia hora e o Arsenal ia para os balneários com o jogo na mão, com a perspetiva de poder gerir os segundos 45 minutos do encontro a seu bel-prazer. Não foi o que aconteceu.

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No recomeço da partida, o Arsenal voltou a entrar forte, até que Abou Diaby sofreu uma entrada dura por parte do sempre provocador Joey Barton, à qual reagiu mal e empurrou agressivamente o jogador dos magpies, tendo consequentemente recebido ordem de expulsão.

Reduzidos a dez unidades, a formação do norte de Londres tinha uma vantagem de quatro tentos e nada temiam, mas o Newcastle foi crescendo no jogo e encostou os visitantes às cordas. Ao minuto 69, Koscielny cometeu penálti sobre o avançado Leon Best e coube a Barton converter a falta em golo. A equipa orientada por Alan Pardew começava a acreditar. Cinco minutos depois, Best cabeceou para o fundo da baliza defendida por Szczesny, após cruzamento de José Enrique e, aos 82’, o árbitro Philip Dowd voltou a apontar para a marca de grande penalidade por suposta falta sobre Williamson. Joey Barton voltou a marcar e reduziu a vantagem para apenas um golo.

O Arsenal tentava defender a baliza a sete chaves, de maneira a levar a vitória para casa quando, aos 88 minutos, o impensável aconteceu mesmo. Cheick Tioté – falecido em 2017 após colapsar num treino ao serviço do Beijing Enterprises – fez um golaço, aproveitando um alívio de Clichy para colocar a bola no fundo das redes do Arsenal e consumar assim a maior recuperação na história da Liga Inglesa.

Como se costuma dizer, até ao lavar dos cestos é vindima, e foi isso mesmo que o Newcastle United provou naquela partida, com uma demonstração de força e perseverança. Apesar do empate, o Arsenal conseguiu aproximar-se do líder Manchester United, reduzindo a distância para apenas um ponto, pois os red devils sofreram a sua segunda derrota no campeonato frente ao Wolverhampton Wanderers FC, por 2-1.

Ainda assim, no final daquela temporada, o título de campeão inglês acabou mesmo por seguir viagem até Old Trafford e os gunners terminaram o campeonato na quarta posição.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES: 

 Newcastle United FC: Harper, Coloccini, José Enrique, Williamson, Simpson, Nolan, Barton, Gutiérrez, Tioté, Løvenkrands (Ranger, 73’), Best (Guthrie, 90’).

Arsenal FC: Szczesny, Sagna, Koscielny, Djourou (Squillaci, 48’), Clichy, Diaby, Fàbregas, Wilshere, van Persie, Walcott (Eboué, 79’), Arshavin (Rosicky, 70’).

 

Artigo revisto por Joana Mendes