A época em questão é das mais memoráveis para os adeptos e sócios do SL Benfica. Foi e é um dos mais fantásticos exemplos de como é correto fazer a analogia entre uma época desportiva e uma maratona e veio colocar na moda a expressão “Não é como começa, é como acaba”. E a verdade é que começou de forma desastrosa para os encarnados, mas acabou em glória, com uma das duas melhores prestações europeias da passada década (queda nos “quartos” do Hotel Munique) e com o tricampeonato que escapava desde a época 76/77.

5 de Março de 2016. Esta foi uma das datas mais importantes da história desportiva da Segunda Circular. Depois das derrotas pela margem mínima na Supertaça e na Taça de Portugal frente ao Sporting CP e da pesada derrota por 3-0 na Luz no Dérbi Eterno da primeira volta, disputava-se em Alvalade um “jogo do título” como há poucos, a contar para a 25.ª jornada (a jornada pela qual está suspensa a Liga 2019/2020).

Os leões lideravam com um ponto de vantagem, mas vinham de um nulo em Guimarães. Ainda assim, somavam apenas uma derrota nas 24 anteriores jornadas (na Madeira, frente ao União local). Por seu turno, as águias já haviam por quatro ocasiões conhecido o amargo sabor da derrota. A confiança leonina era grande, apesar de alguns empates comprometedores. No entanto, a crença benfiquista era ainda maior. E a sorte encarnada, essa então foi maior que o Burj Khalifa.

A vitória, bem sabemos, caiu para o lado vermelho e branco da Segunda Circular, mas a exibição verde e branca foi uma barbaridade. Todavia, o futebol vive de eficácia e quem marca mais é sempre um justo – ainda que nem sempre ajustado – vencedor. A verdade é que na temporada 15/16, pese embora as dificuldades apresentadas, não faltava no plantel encarnado gente de eficácia: Jonas, Mitroglou e Jiménez eram os avançados, mas havia ainda Gaitán, Pizzi e Gonçalo Guedes.

Jonas foi o melhor marcador da Liga, mas foi de Mitroglou o golo mais importante da época
Fonte: SL Benfica
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Para a decisiva batalha de Alvalade, Rui Vitória apontou à baliza de Patrício as lanças Jonas e Kostas Mitroglou. E foi esta última a que feriu o leão. Aos 20 minutos, o avançado grego fez o único golo do encontro. Até final, as águias seguraram a vantagem com muito suor e dedicação e com muita, mas mesmo muita, sorte. Aqui entra o segundo momento revelador da importância de 20 minutos para o SL Benfica nesta partida.

Anos antes, as águias de Jesus haviam perdido o título na casa do outro grande rival, o FC Porto. Nesse infame clássico disputado no Estádio do Dragão a 11 de maio de 2013, Kelvin “roubou” o campeonato ao SL Benfica com um golo aos 92 minutos. Na partida em Alvalade, Bryan Ruíz esteve perto de fazer o mesmo… 20 minutos mais cedo. Aos 72′, o costa-riquenho fez o mais difícil e atirou por cima da baliza de Ederson a meros centímetros da linha de golo.

Dessa vez não aconteceu. Dessa vez foi diferente. O SL Benfica venceu a Batalha de Alvalade de forma épica e venceu a guerra, sagrando-se tricampeão nove jornadas mais tarde. O jogo jogado não merece ser revisto por um(a) benfiquista, mas por tudo o resto, este dérbi TEM que ser revisto por qualquer apaixonado(a) do futebol. Porque naquele 5 de março, foram tantos os fantasmas do passado que confluíram em Alvalade que houve um qualquer fenómeno paranormal que se deu e que deu… em tricampeão.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

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