Nestes tempos de quarentena, e com o futebol português em stand-by, resta-nos recordar os melhores momentos que já passamos, provocados pelo desporto rei. O jogo que vos vou relembrar é um daqueles que bate com força no coração, tal é a nostalgia que este representa. As duas equipas entram no relvado, no dia 31 de maio de 2015. Sporting Clube de Portugal e Sporting Clube de Braga estão frente a frente na disputa da “prova rainha”.

É um domingo solarengo. Uma tarde perfeita para a festa da Taça de Portugal. Quando falamos nesta ocasião, todos os adeptos do futebol português sabem que o termo não é só utilizado para o jogo dentro das quatro linhas. Antes de estes saberem como é que vai ser decidido o vencedor do encontro, já os fanáticos das duas equipas praticam os conhecidos “penaltis” nas roulottes. Já eu, em casa, sento-me na sala com o meu pai, naquela que seria uma tarde para recordar para sempre.

O jogo começa, digamos, da pior forma possível para a formação de Alvalade. A equipa do Braga, que desde cedo assumiu as transições rápidas como a principal arma para o jogo, apanha o Sporting CP desprevenido. Djavan passa por Paulo Oliveira e acaba derrubado por Cédric na grande área. O lateral direito leonino é expulso ao minuto 14 e Éder concretiza o primeiro golo da partida. Numa tentativa de reagir ao golo e à inferioridade numérica da sua equipa, Marco Silva tira João Mário do miolo do meio campo e lança Miguel Lopes para manter a linha de quatro jogadores na defesa.

O Sporting mostra-se mais perigoso. Porém, utilizando mais uma vez a estratégia definida por Sérgio Conceição, os bracarenses aproveitam as transições de forma letal. Após um erro infantil do recém-entrado Miguel Lopes, Rafa concretiza a segunda oportunidade de golo, após um contra-ataque velocíssimo. 25 minutos da primeira parte e o Sporting via as suas aspirações a caírem. Apesar de ainda haver muito jogo pela frente, recuperar uma desvantagem de dois golos, com menos um jogador do que o adversário, não é tarefa fácil.

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Tanto eu como o meu pai encontramo-nos sentados no sofá, em silêncio, à espera que algo mude, dali para a frente. A angústia e desilusão pairam nos nossos rostos. Porém, o verde simboliza a esperança, e ambos já sabemos que ser do Sporting CP nunca foi fácil.

A segunda parte inicia-se ainda com o mesmo resultado. Desta vez, o SC Braga é protagonista das oportunidades mais perigosas. Marco Silva tira Carrillo, que não conseguiu desequilibrar como era costume e Miguel Lopes (sim, o jogo dele foi tão mau que entrou e saiu) para a entrada de Carlos Mané e de Fredy Montero. O Sporting não conseguia ser tão perigoso como no primeiro tempo, e o treinador fez o chamado all-in.

Foi então que, após Slimani e Nani terem ameaçado a baliza de Kritsyuk, os leões reduzem no marcador. O relógio aponta para o minuto 84. O argelino aproveita uma má saída do guardião bracarense, e, através de um pontapé colocadíssimo de fora da área, faz o tão esperado golo leonino. Dou um pulo de alegria. Já o meu pai não tem qualquer tipo de reação, tal era o seu estado.

Quando já passa do tempo regulamentar, e em Braga já se diz “a taça é mesmo nossa”, Fredy Montero põe um travão na confiança excessiva daqueles que assistem ao jogo no norte do país, e empata a partida. Após uma investida longa de Paulo Oliveira, o avançado colombiano proporciona-nos uma receção com toda a classe, e um golo… Caricato (com alguma sorte à mistura). Como de costume, e levados pela emoção de um golo do Sporting, eu e o meu pai abraçámo-nos, eufóricos como sempre.

Montero empata a partida e leva o jogo para prolongamento
Fonte: FPF

Naquele que foi um prolongamento sem muita história, o vencedor da Taça de Portugal viria mesmo a ser decidido nas grandes penalidades. Do lado do SC Braga, Alan é o único a concretizar. Adrien, Nani e Slimani fazem “três em três”.

Salvador Agra aproxima-se para cobrar o penalti. Eu, de joelhos no chão da sala, nem queria ver o desfecho do lance. Agra aproxima-se da marca dos 11 metros, pontapeia a bola e… Acerta em cheio no poste. Quando olho para a televisão e vejo Rui Patrício, coxo, e a correr em direção dos colegas de equipa, finalmente senti aquilo que não havia vivenciado durante mais de 120 minutos: alívio.

O Sporting CP conquistou, desta forma, a 16ª Taça de Portugal da sua história. Eu e o meu pai, tal como milhares de sportinguistas radiantes com esta conquista, deslocámo-nos a Alvalade, naquele que foi um dos dias mais memoráveis que um verdadeiro leão pode ter.

XI Sporting CP: Rui Patrício; Cédric (expulso, 14’), Paulo Oliveira, Ewerton, Jefferson; William Carvalho, Adrien, João Mário (Miguel Lopes, 21’) (Montero, 74’); Carrillo (Carlos Mané, 54’), Nani e Slimani.

XI SC Braga: Kritsyuk, Baiano, Aderllan Santos, André Pinto, Djavan (Sasso 82’); Mauro, Ruben Micael (Alan, 61’), Luiz Carlos; Pardo (Salvador Agra, 75’), Rafa e Éder.

Foto de Capa: FPF

Artigo revisto por Joana Mendes