Numa fase em que temos de zelar pela nossa segurança e a de todos os que nos rodeiam, é-nos sugerido que tenhamos o mínimo de interação social possível. Como tal, temos de encontrar formas de passar o tempo, à espera de que ultrapassemos esta fase complicada.

Com a ausência de competições desportivas, podemos aproveitar este tempo para ler, ver séries, documentários ou filmes, mas sem perder a essência do desporto. Sugiro a leitura do livro “O futebol com que sonhei” de Luís Freitas Lobo. Esta obra centra-se num belo tema: “futebol em estado puro”, como o autor gosta de afirmar. Esta leitura é “só para quem ama verdadeiramente o futebol”, como é explicitado na contracapa do livro.

Luís Freitas Lobo na apresentação do seu livro, acompanhado por Deco e Vítor Oliveira
Fonte:Luís Freitas Lobo/ Planeta do Futebol

Luís Freitas Lobo vê o futebol como poucos, e observa-o de uma forma detalhada, retirando apenas o que há de bom neste desporto: a beleza do jogo dentro das quatro linhas. O seu conhecimento histórico e tático do “desporto rei” está exposto nesta obra de uma forma pormenorizada, fazendo-nos “mergulhar” nas suas memórias através da sua escrita entusiástica.

Esta obra lançada em 2019 é constituída por 15 capítulos, e são sensivelmente 300 páginas de cultura futebolística. Apesar do uso de vocabulário algo “erudito” e de várias expressões técnicas, para os amantes de futebol é um verdadeiro deleite.

Luís Freitas Lobo realiza uma análise detalhada da sua experiência de futebol enquanto espectador e admirador do “desporto rei”. Por exemplo, no capítulo intitulado “Touro ou Toureiro?”, o autor debruça-se sobre o Atlético de Madrid de Diego Simeone e a sua tática “aparentemente” defensiva, que os “transformou” numa das melhores equipas dos últimos anos na Europa.  Os “colchoneros” têm a versatilidade de ser “o animal dominado”, sempre demonstrando a sua força física e espírito lutador, ou quem domina o adversário e o obriga a adaptar-se ao seu estilo de jogo.

O autor também aborda temas como a “Estética”, referindo-se ao desempenho tático, e “A consciência tática”, introduzindo este capítulo como uma bela foto de Xavi e Iniesta com as camisolas trocadas. Também compara a imagem pública dos jogadores ao estilo  de vida de estrelas do mundo da música, fazendo um paralelismo entre a imagem social de um futebolista no passado (Rock-Star) e na atualidade (Pop-Star) no capítulo “A última Rock-Star”, entre muitos outros temas.

O adiamento do Campeonato de Europa de futebol para 2021 significa que ainda seremos, pelo menos mais um ano, os campeões em título. Para reavivar a memória do épico golo marcado por Éder, deixo uma citação presente no livro que nos permite reviver e sonhar: “Precisamos sempre de um novo Éder que nos alimente o sonho. Alguém que seja igual a nós!”.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

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