Recordar é Viver | Mundial 94 – Estados Unidos da América

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Os anos 90 foram período de estabelecimento do soccer nos Estados Unidos da América. Em 1988, a organização do maior evento do futebol mundial foi atribuída aos EUA, país que na altura não tinha uma liga profissional e não participava num Campeonato do Mundo desde 1950. As muitas dúvidas em torno desta decisão acabaram por ser dissipadas, com o Mundial de 1994 a ser ao dia de hoje o recordista em média de espetadores por jogo (68,991), muito graças aos imigrantes e à comunidade hispânica.

Passados 32 anos, a maior competição desportiva do mundo está de volta à América do Norte. Quando faltam menos de dois meses para o apito inicial do Mundial de 2026, recordamos a edição de 1994, aproveitando para estabelecer alguns paralelismos entre as duas.

Estádio Rose Bowl na final do Mundial do 1994
Fonte: FIFA

Com 24 equipas participantes (pela última vez), o Mundial de 1994 viu muitas seleções fortes ficarem de fora. França e Inglaterra foram provavelmente os nomes mais sonantes que falharam a qualificação. Portugal falhava também a presença na fase final pela segunda vez consecutiva.

Na fase de grupos, destacou-se a eliminação prematura da Colômbia, apontada como grande favorita a passar no grupo A após uma qualificação sem derrotas e uma vitória contundente frente à Argentina, por 0-5 em Buenos Aires. Numa época bastante conturbada no país cafetero, na altura mais conhecido por outras mercadorias além do café, fica a história chocante do assassinato do defesa Andrés Escobar, cujo autogolo frente aos EUA ditou a eliminação da sua nação.

No grupo D, uma Bulgária que nunca tinha conseguido uma vitória nas cinco participações anteriores em mundiais começou precisamente com uma derrota frente à Nigéria. Seguiram-se, no entanto, duas vitórias frente a Argentina e Grécia, que lançariam o país balcânico para uma campanha histórica.

De fora da fase a eliminar ficava também, mas por motivos extradesportivos, o astro argentino Diego Armando Maradona. Um teste de doping após o encontro com a Nigéria ditou o fim da carreira internacional do pibe de oro, que já não participou na derrota contra a Bulgária, último encontro da fase de grupos.

Depois do título em 1986 e da final perdida em 1990, a Argentina viu a sua estadia nos EUA terminada logo nos oitavos de final, ao ser derrotada pela melhor seleção romena da história, liderada por Gheorghe Hagi.

A nação anfitriã deparou-se nos oitavos com o superfavorito Brasil, perdendo a partida por 1-0 apesar de jogar toda a segunda parte em superioridade numérica após expulsão de Leonardo, que desferiu uma cotovelada em Tab Ramos (jogador do Bétis). Era o fim do “sonho americano” e o lançamento dos canarinhos para o tetra.

Nos quartos de final, viria a cair a campeã em título Alemanha frente à surpreendente Bulgária, que já tinha sido responsável pela ausência da França na fase final. Liderados por Hristo Stoichkov (melhor marcador do torneio), e com a contribuição do sportinguista Krasimir Balakov e do portista Emil Kostadinov, os Búlgaros registaram a sua melhor prestação de sempre num Mundial, com um honroso quarto lugar.

Também nos quartos, e num dos encontros mais emocionantes e bem disputados do torneio, o escrete bateu a laranja mecânica por 3-2, com Romário e Bebeto em grande destaque. Depois de eliminar a Suécia nas meias com alguma dificuldade, o adversário do Brasil na final seria a Itália, seleção rival que detinha também três copas no seu palmarés.

Numa final extremamente equilibrada e com poucas oportunidades, prevaleceu o nulo e Roberto Baggio, o melhor jogador do seu país que tinha praticamente carregado a squadra azurra até à final, viu um falhanço decisivo nos penáltis marcar a sua carreira. Num Brasil pré “joga bonito” em que o talento individual ainda não abundava como em 2002, a maturidade competitiva e o fenómeno Romário falaram alto e arrecadaram o quarto troféu.

O futebol evoluiu muito nos últimos 32 anos. No verão que se avizinha, a América do Norte vai ser palco de um jogo muito diferente, com um ritmo mais elevado, maior dinamismo tático e menos fisicalidade (muito devido à presença do VAR). A globalização do desporto rei vai também fazer com que haja jogadores de enorme qualidade em todos os planteis, e uma parte significativa dos convocados a jogar em equipas e ligas de topo mundial.

Nenhum dos nove estádios da edição de 1994 vai receber jogos em 2026, apesar de cinco deles ainda estarem de pé e em utilização. O Gillete Stadium em Foxborough e o MetLife Stadium em East Rutherford são exemplos de estádios construídos na mesma zona, após demolição dos antigos recintos.

Em 1994, três seleções fizeram a sua estreia em mundiais (Grécia, Nigéria e Arábia Saudita), com a primeira participação da Rússia após a dissolução da União Soviética. Este ano, temos como estreantes as seleções de Curaçao, Cabo Verde, Jordânia e Usbequistão, bem como os regressos de RD Congo e Iraque após mais de 50 anos de ausência.

A principal diferença entre estes dois torneios é, no entanto, o público-alvo. Com uma organização cada vez mais focada no lucro e nas transmissões televisivas, são os verdadeiros adeptos do desporto rei que estão a ficar de fora. Mesmo nos EUA, em que o futebol está longe de ser a modalidade mais popular, é evidente o desagrado com os preços dos bilhetes, viagens e alojamentos para este Mundial.

Para quem vai ver através de um ecrã, as expetativas continuam elevadas. Se é verdade que a fase de grupos vai ter as seleções favoritas mais dispersas, também é verdade que mais jogos podem resultar em mais surpresas, intensificando a magia do futebol a eliminar. O que se quer é que o maior Mundial de sempre seja também, pelo menos, um dos melhores de sempre.

João Pedro Santos
João Pedro Santos
Licenciado e mestre em Biotecnologia pela Universidade de Aveiro, é atualmente estudante do Programa Doutoral em Engenharia Química e Biológica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Tendo a música e o desporto como grandes interesses, dedicou-se recentemente à escrita de artigos de opinião para o projeto Bola na Rede.

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