Regresso a Casa: Será este um FC Famalicão para ficar?

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O Regresso a Casa é uma rubrica na qual os antigos redatores voltam a um lugar que bem conhecem e recordam os seus tempos remotos, escrevendo sobre assuntos atuais. Hoje falaremos sobre o FC Famalicão. 

O ano 2020 tem sido atípico em vários aspectos e o desporto não escapa. Mas esquecendo o período que vivemos e analisando o nosso futebol há um clube que despertou muita curiosidade no inicio desta temporada e que tem correspondido à expectativa causada pelos seus adeptos e adeptos do futebol em geral. E esse clube é mesmo o Famalicão.

Em pleno Minho, região que já tanto deu ao futebol, o Fama regressou esta temporada à Primeira Liga e tem sido a sensação deste campeonato. Este regresso despertou a curiosidade dos seus adeptos e não só, pela maneira como o clube se apresentou na Primeira Liga e pelo projecto ambicioso que tinha.

A vinda de jogadores como Nehuén Pérez, Gustavo Assunção, Guga Rodrigues, Rúben Lameiras, Fábio Martins entre outros, criou água na boca dos adeptos e a grande questão era até onde podia ir o Famalicão. Ou estes jogadores não iam conseguir conviver e ou então teríamos aqui um caso sério. 26 jogos depois a resposta está dada. O Famalicão ocupa a  quinta posição, andou sempre nos lugares cimeiros, chegou a ocupar a liderança e a ser a única equipa invicta, é o terceiro melhor ataque, tem vitórias sobre FC Porto e Sporting CP  e os elogios são unânimes por parte de quem vê a equipa jogar, no que toca ao seu futebol de qualidade.

Não haja dúvida que na cabeça dos adeptos o desejo principal desta temporada é a qualificação europeia. Apesar de nenhum elemento do clube assumir, também acredito que internamente esse é um objectivo a alcançar, apesar de não haver essa obrigação que Sporting ou SC Braga têm.

A grande questão é saber como serão as próximas temporadas em Famalicão? Conseguirá o clube estabilizar e ser presença assídua na luta por um lugar europeu, ou quem sabe para algo mais?

Para fazer este exercício de futurologia é necessário primeiro perceber como é constituído o clube a nível directivo. O FC Famalicão é constituído por uma SAD, onde 85% pertence ao Quantum Pacific Group, que tem como principal acionista o milionário israelita Idan Ofer (detém 32% do capital do Club Atlético Madrid). Além disso, são conhecidas as ligações ao empresário Jorge Mendes, bastando olhar para alguns jogadores do plantel para perceber isso.

Muito se tem falado das SADs e dos problemas que trazem ao futebol português e de como as ligações ao Jorge Mendes são, para alguns, suspeitas. Muitos apontam o facto de que quando a SAD perder o interesse no clube vende a sua parte e o investimento acabará por se perder ou acontecer ainda algo mais extremo como o que aconteceu com o CF “Os Belenenses”.

É um cenário possível mas pouco provável porque, na minha opinião, há muitos pontos de interesse para o grupo maioritário da SAD e Jorge Mendes quererem apostar no Famalicão.

O FC Famalicão é um clube conhecido pela sua massa adepta. O clube tem sido noticia não só pelo que tem feito dentro do relvado mas também pela grande falange de apoio. Logo um clube cuja cidade vive futebol é sempre um ponto a ter em consideração.

O Famalicão também tem jogadores vindos de clubes espanhóis com o cunho de Jorge Mendes, com Centelles e Néhuén Lopez à cabeça. Uma ligação a um clube português pode ser vista como boa no crescimento destes jogadores. A cultura é parecida, o jogador estará perto da “casa-mãe” e o período de adaptação será mais fácil. Além disso, mesmo com o nosso futebol a perder competitividade, se o Famalicão continuar como candidato aos lugares europeus, ocupará uma parte da tabela sempre muito competitiva com Sporting, Braga, Vitória SC, Rio Ave FC entre outros. Será sempre uma boa maneira de convencer jogadores promissores a assinar pelo clube.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

O nosso campeonato também é uma porta de entrada para Europa e cada vez mais clubes vendem para fora. Tapsoba e Trincão são os mais recentes exemplos de boas vendas por parte de clubes portugueses. Ao apostar no Famalicão, aposta-se também num mercado já conhecido no mundo do futebol e onde vários clubes gostam de comprar.

A questão que se pode colocar é o facto, já referido, dos jogadores emprestados. Desportivamente o clube ganha imenso, basta ver o papel de jogadores como Nehuén e Centelles ou Diogo Gonçalves, figuras importantes no campeonato realizado pelo Famalicão.

Ainda assim, financeiramente o clube nada ganha com estes jogadores. Será importante ao Famalicão encontrar um equilíbrio entre emprestados e jogadores seus de modo a que financeiramente seja viável e vá crescendo. Acredito que essa estratégia está a ser implementada, basta ver alguns dos destaque desta temporada são do clube, como Fábio Martins, Lameiras, Gustavo Assunção ou Toni Martinez. Além disso a média jovem de idades mostra que o clube está decidido em apostar em jovens jogadores de qualidade.

Até onde pode ir o Famalicão? Ninguém saberá se pode ser um Boavista FC ou Leicester City FC português. O principal desafio será, nas próximas temporadas, estabilizar o clube no campeonato e na parte superior da tabela, mesmo vendendo alguns dos seus activos, isso será crucial para continuar o crescimento. Mas como vimos aqui, existem motivos para acreditar que este é um projecto viável e que o Famalicão poderá ser um caso interessante no futebol português. 

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