5 Benfica x FC Porto decisivos na segunda volta

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O futebol português tem jogos especiais e um dos quais é o grande clássico entre Benfica e FC Porto. Um duelo com um histórico riquíssimo e com grandes figuras a envergar os “mantos sagrados” das almas da águia e do dragão. Este domingo a tradição continua, aliada a outra tradição: ser um clássico que será decisivo nas contas finais do título.

No global de encontros entre encarnados e azuis a contar para a Liga Portuguesa, disputaram-se 91 clássicos em casa lisboeta, com vantagem clara para os caseiros. Nos 91 jogos entre Benfica e FC Porto disputados entre 1934/35 e 2024/25, as águias venceram 45, 27 terminaram em empate e 19 sorriram aos dragões. Nos golos, o volume tem a mesma escala. As equipas encarnadas fizeram 174 golos nos 91 jogos com os dragões na capital, já os visitantes colocaram por 92 vezes a bola no fundo das redes benfiquistas. Embora a vantagem do Benfica na sua casa frente ao FC Porto fosse indiscutível, com a passagem do tempo e nomeadamente a viragem do século, a tendência foi-se alterando.

Desde a fundação do novo Estádio da Luz em 2003, jogaram-se na Catedral 22 clássicos entre águias e dragões a contar para a Liga Portuguesa, com números nada animadores para os da casa. Em 22 encontros, o Benfica apenas venceu por seis ocasiões, registaram-se sete empates e o FC Porto venceu as restantes nove partidas. No campo dos golos, o registo é mais equilibrado. Dos 45 golos nos referidos 22 clássicos, o FC Porto tem apenas mais um golo marcado (23) que o Benfica (22). Dos 22 clássicos entre águias e dragões disputados no novo Estádio da Luz, metade foram jogados na segunda volta e em tal cenário, o domínio azul e branco aumenta. Nos onze duelos da segunda volta, o FC Porto venceu por seis vezes, contra apenas uma do Benfica e os restantes quatro terminaram com divisão de pontos.

Nos últimos 22 anos, Benfica e FC Porto protagonizaram grandes espetáculos a públicos apaixonados e muito observadores no Estádio da Luz e por todo o país a partir dos média. Existiram clássicos com todo o tipo de desfecho, tanto em resultado dos noventa minutos, como em relação ao desfecho da Liga. Sendo difícil a seleção dos melhores ou mais intensos, aqui ficam cinco lembranças de clássicos entre águias e dragões que se revelaram decisivos no desfecho de alguns dos campeonatos dos últimos 22 anos.

5.

Benfica 1-1 FC Porto – 2006/07 – Num dos campeonatos mais disputados das últimas décadas, o clássico entre águias e dragões teve lugar à 23.ª jornada. O FC Porto orientado por Jesualdo Ferreira chegava à Luz em primeiro lugar com um ponto de vantagem. A equipa do “professor” tinha sido demolidora na primeira volta (13 vitórias em 15 jogos e líder com sete e oito pontos de vantagem de Sporting e Benfica respetivamente), no entanto a segunda volta começa com alguns percalços. Os azuis e brancos perdem em Leiria (0-1) e em casa com o Estrela da Amadora (0-1) e os rivais aproximam-se. Uma semana antes da viagem a Lisboa, os portistas perdem com o Sporting de Paulo Bento no Dragão (0-1) e permitem a aproximação do Benfica. Tais circunstâncias, levam o FC Porto muito pressionado para o duelo da Luz e uma derrota resulta na perda da liderança.

Já o Benfica encontrava-se num período mais positivo. Após uma primeira volta sofrida (terceiro lugar com três derrotas e dois empates em 15 jogos), os comandados de Fernando Santos chegam ao clássico com uma sequência de cinco vitórias e desde que tinham perdido pela última vez (Braga por 1-3 em novembro de 2006), tinham um registo de onze vitórias em 13 jogos. Um registo que permitiu aproveitar as perdas de pontos do Sporting e relegá-los para terceiro lugar, tal como aproveitar as três derrotas na segunda volta do FC Porto para ficar a apenas um ponto dos líderes. Quem ganhasse o jogo ficava isolado no topo da tabela e um empate mantinha tudo em aberto e podia trazer de volta o Sporting à corrida (após a vitória no Dragão, os leões entravam na melhor fase da sua época). Num campeonato que estava a ser disputado ao ponto e ao pormenor, este podia ser o jogo de muitas decisões.

Pelos encarnados entraram em campo: Quim, Nélson, Anderson, David Luiz, Léo, Petit, Katsouranis, Simão Sabrosa (C), Karagounis, Miccoli e Nuno Gomes.

De dragão ao peito jogaram a titular: Helton, Bosingwa, Pepe, Bruno Alves, Fucile, Paulo Assunção, Lucho González (C), Raúl Meireles, Jorginho, Quaresma e Adriano.

O jogo foi equilibrado no geral e as duas equipas anularam-se mutuamente, com alguns erros que acabaram por não ser aproveitados pelo adversário. A primeira parte foi equilibrada e até chegar o golo do FC Porto por Pepe aos 41 minutos (através de um livre marcado por Quaresma), apenas duas boas oportunidades para cada lado (Adriano isolado não consegue desfeitear Quim e Petit acerta a poucos centímetros do poste na sequência de um livre bloqueado pela barreira). Na segunda parte, embora o FC Porto conseguisse controlar a ofensiva benfiquista, o ascendente pertenceu mais às águias. Após algumas tentativas fracassadas, acabou por ser o capitão Lucho González a colocar a bola na baliza de Helton com um toque infeliz, após um livre de Simão e um desvio de David Luiz. Até ao fim, nos descontos registaram-se as três melhores oportunidades.

Aos 92 minutos, Mantorras (após cruzamento de Karagounis) com um cabeceamento forte permitiu a Helton a defesa da noite. Aos 94 minutos, após cruzamento de Mantorras e assistência (de cabeça) de Simão, Derlei remata forte e Helton defende com segurança para canto. No último lance do jogo, Marek Cech serpenteia pela defensiva encarnada, coloca em Wason Rentería que isolado dá um toque pouco potente na bola e nada enquadrado com a baliza, naquela que poderia ter sido a oportunidade que daria a vitória aos dragões.

O jogo terminava empatado, tudo em aberto com a repartição de pontos e marcado pelo regresso do talento brasileiro Anderson que estivera parado seis meses (num lance com Katsouranis no FC Porto x Benfica da primeira volta).

Após o empate no clássico, o Benfica cai de forma e perde seis pontos nos quatro jogos seguintes (empates em Aveiro e caseiros com Braga e Sporting) e permite a ultrapassagem do Sporting. O FC Porto embora ainda tenha perdido mais cinco pontos até ao fim da Liga (derrota no Bessa e empate em Paços de Ferreira), acaba por segurar a vantagem até ao fim e sagra-se bicampeão, com um ponto de vantagem do Sporting e dois do Benfica. Jesualdo torna-se campeão pela primeira vez após 25 anos de carreira de treinador.

4.

Benfica 0-0 FC Porto – 2014/15 – Faltavam cinco jornadas para o fim da Liga e o clássico da Luz ia ser o jogo de muitas decisões. Além dos três pontos a separar as duas equipas (Benfica era líder), as mesmas também estavam separadas por realidades distintas. O Benfica tinha perdido muitos jogadores relevantes no defeso (Garay, Oblak, Rodrigo, Markovic, Siqueira e Enzo Pérez no mercado de inverno), mas tinha mantido uma base bem consolidada (Gaitán, Lima, Luisão, Maxi Pereira e Jardel) e com alguns reforços relevantes (Júlio César, Talisca, Eliseu, Samaris, Pizzi e Jonas). A equipa de Jorge Jesus liderava o campeonato desde a quarta jornada e apesar de ter perdido pontos em quatro deslocações (Braga, Paços de Ferreira, Alvalade e Vila do Conde), o seu registo caseiro era imbatível e quase todo vitorioso (apenas o Sporting pontuou na Luz 1-1). Tendo já vencido no Dragão por 2-0 na primeira volta, chegava às águias manter a vantagem de três pontos e dependia de si próprio para conquistar o bicampeonato que fugia há 31 anos.

O FC Porto reforçara-se com jogadores de nível alto (Oliver Torres, Brahimi, Cristian Tello e Casemiro) e procurava reconstruir uma equipa forte (Danilo, Jackson Martínez, Alex Sandro, Quaresma, Herrera), às ordens do técnico espanhol Julen Lopetegui. No entanto, os resultados estavam a dececionar a nível nacional. Apesar de ter feito uma excelente carreira na UEFA Champions League até aos quartos de final, a equipa saíra da prova goleada por 1-6 pelo Bayern de Munique (não aproveitando uma vantagem de 3-1 de um grande jogo na primeira mão)

Pelas águias alinharam: Júlio César, Maxi Pereira, Luisão (C), Jardel, Eliseu, Samaris, Pizzi, Nico Gaitán, Talisca, Lima e Jonas.

De azul e branco jogaram: Helton, Danilo, Maicon, Marcano, Alex Sandro, Casemiro, Rúben Neves, Evandro, Óliver Torres, Brahimi e Jackson Martínez (C).

O jogo acabou por ser equilibrado e com contenção de ambos os lados. O Benfica controlava o aspeto defensivo dando o protagonismo aos dragões sem arriscar muito. Os azuis e brancos entraram coesos do meio-campo para trás, procurando restabelecer uma confiança muito afetada pela pesada derrota no jogo anterior e sem arriscar demasiado igualmente. Na segunda parte, embora os pupilos de Jorge Jesus tenham arriscado um pouco mais, nada resultou em muito perigo para a baliza de Helton. Já os comandados de Lopetegui não conseguiram traduzir em oportunidades flagrantes, a maior percentagem de posse de bola e o ligeiro domínio que conseguiram ao longo da segunda parte e do jogo em geral.

O empate favoreceu muito mais a equipa encarnada, mantendo-se confortável numa vantagem de três pontos e passando a ser a única equipa a depender de si própria para chegar ao título. Tal veio a acontecer na penúltima jornada, em Guimarães. Embora as águias tenham empatado no terreno do Vitória SC (0-0), em Belém, o FC Porto também não foi além de um empate a um golo. Jorge Jesus conduzia o Benfica ao tão desejado bicampeonato e semanas mais tarde a mais uma conquista da Taça da Liga, antes de se mudar para o Sporting no defeso seguinte.

3. 

Benfica 1-1 FC Porto – 2016/17  – À 26.ª jornada, a luta estava praticamente reduzida a dois. O tricampeão Benfica, liderado por Rui Vitória, era líder desde a quinta jornada e ao longo da época mostrava-se como o grupo mais consolidado e com um plantel ligeiramente superior aos dos rivais. No entanto, com o decorrer da época a equipa encarnada mostrava fragilidade em alguns jogos. Uma situação que resultou em vitórias escassas e alguns jogos com perda de pontos, algo aproveitado nomeadamente pelo FC Porto.

Após estarem em quarto lugar, com sete pontos de atraso em relação às águias (líderes) à 11.ª jornada, a equipa de Nuno Espírito Santo consegue 13 vitórias em 15 jogos e coloca-se a um ponto das águias. A jornada anterior tinha sido marcante, pois o Benfica tinha empatado a zero na “capital do móvel” com uma exibição dececionante. Uma vitória do FC Porto no dia seguinte em casa frente ao Vitória FC, significava a ultrapassagem dos portistas aos benfiquistas no topo da tabela classificativa. No entanto, tal não aconteceu e o jogo termina empatado a uma bola. O jogo da Luz é decisivo para ambos, quem ganhar fica com a liderança da Liga e um empate mantém tudo em aberto.

Os eleitos de Rui Vitória para o embate foram: Ederson, Nélson Semedo, Luisão (C), Lindelof, Eliseu, Samaris, Pizzi, Salvio, Rafa Silva, Jonas e Mitroglou.

Às ordens de Nuno Espírito Santo entraram no relvado da Luz: Iker Casillas, Maxi Pereira, Felipe, Marcano, Alex Telles, Danilo Pereira, André André, Oliver Torres, Corona, Brahimi e Tiquinho Soares.

O Benfica colocou-se em vantagem cedo aos sete minutos. Jonas converteu uma grande penalidade a castigar falta de Felipe sobre Jonas. Até ao fim da primeira parte, o jogo foi equilibrado com duas boas oportunidades para cada lado. Aos 37 minutos, Brahimi num livre direto bem executado, proporciona uma boa defesa a Ederson. Quatro minutos mais tarde e após um livre, Luisão cabeceia forte por pouco acima da baliza de Casillas.

Na segunda parte, os dragões entram decididos a empatar a partida. Aos 49 minutos, após um cruzamento bloqueado de Brahimi, um remate bloqueado de André André e novo cruzamento do mesmo jogador, a bola sobra para Maxi Pereira que remata potente para o fundo das redes. Surpreendentemente, o golo do lateral uruguaio feito ao ex-clube mudou o rumo do jogo. A equipa de Nuno Espírito Santo não continuou a carregar rumo à reviravolta na casa do rival e líder, mas começou a demonstrar uma estranha contenção e permitindo um enorme ascendente do Benfica no jogo. Até ao fim, o domínio foi inteiramente benfiquista, a esmagadora maioria das oportunidades pertenceu ao clube da casa e por pouco não alcançou a vitória.

Com o empate final, tudo continuava em aberto e o Benfica passara a ser a única equipa a depender de si própria para chegar ao título. Embora as águias ainda tivessem de ir a Alvalade e pudessem perder pontos nessa deslocação (o que veio acontecer com um empate a uma bola), a verdade é que tal acabou por ser infrutífero para o dragão um ponto atrás.

A equipa de Nuno Espírito Santo apenas vencera três dos sete jogos que restavam e perdeu seis pontos durante o mês que sucedeu ao clássico da Luz (empates em Braga, Madeira e caseiro com o CD Feirense). Um desleixo de resultados que acabou por manter o dragão no segundo lugar e permitiu ao Benfica festejar na penúltima jornada a 13 de Maio de 2017 (no mesmo dia em que o Papa Francisco veio a Fátima e Salvador Sobral venceu o festival da Eurovisão para Portugal, um regresso dos “três efes”) a conquista do 36.º título nacional, com triunfo caseiro de 5-0 ao Vitória SC.

2.

Benfica 0-1 FC Porto – 2017/18  –  Ia ser praticamente o jogo do título. Embora o Benfica ainda tivesse uma deslocação a Alvalade, o Sporting estava mais atrás na classificação (seis pontos de atraso) e os encarnados tinham apenas um ponto de vantagem sobre o FC Porto (segundo). A equipa treinada por Sérgio Conceição tinha liderado a Liga desde o começo com um rendimento regular e superior à concorrência, enquanto o Benfica tetracampeão tinha tido uma primeira volta com alguns percalços. No entanto, a segunda volta foi tendo um desenvolvimento distinto.

Nas quatro jornadas anteriores ao duelo entre águias e dragões, a equipa nortenha (invicta até então) perdeu dois encontros (Paços de Ferreira e Belém) e viu a equipa da capital subir à liderança. Só a vitória interessa aos portistas neste clássico, vencendo voltavam ao primeiro posto e dependiam de si para reconquistar o título que fugia há quase cinco anos. Entre fevereiro e meio de abril, as águias de Rui Vitória alcançam nove vitórias consecutivas e já não perdiam um jogo desde setembro (derrota no Bessa por 1-2), o que lhes permitiu saltarem do terceiro lugar em finais de janeiro para primeiro antes do clássico. O empate chegava para manter a liderança, mas uma vitória podia arrumar de vez a questão do pentacampeonato.

Pelos encarnados alinharam: Bruno Varela, André Almeida, Rúben Dias, Jardel (C), Grimaldo, Fejsa, Pizzi, Zivkovic, Franco Cervi, Rafa Silva e Raul Jiménez.

Os portistas titulares foram: Iker Casillas, Ricardo Pereira, Felipe, Marcano, Alex Tellas, Sérgio Oliveira, Héctor Herrera (C), Otávio, Brahimi, Marega e Tiquinho Soares.

O jogo acabou por ser bastante equilibrado, mais com receio de sofrer do que vontade marcar e procurando um erro adversário. O Benfica fora ligeiramente superior na primeira parte, com mais oportunidades (Rafa por duas ocasiões) e o FC Porto mais contido criando pouco perigo.

Na segunda parte, o filme foi semelhante, mas mudando o sentido. A equipa de Sérgio Conceição mais atrevida ofensivamente (Marega e Brahimi a terem duas boas ocasiões para marcar), mantendo a coesão do meio-campo para trás, dando menos espaços à turma de Rui Vitória e mantendo a equipa fresca com substituições estratégicas. Até que aos 90 minutos vem o momento que muda o rumo do encontro e da Liga. Num ataque dos azuis e brancos pelo centro da defensiva encarnada, após alívio de Grimaldo, Herrera chuta forte para o fundo das redes de Bruno Varela e sem qualquer hipótese para o mesmo. A crença e a consistência da equipa portista terminavam premiadas.

Com a vitória na Luz, o FC Porto recuperou a liderança e segurou-a até ao fim da Liga, não desperdiçando mais um único ponto. Sérgio Conceição guiava os dragões à reconquista de um título que fugia há quatro anos, impedindo o quinto campeonato seguido do eterno rival, quebrando o recorde de pontos da história portista na Liga Portuguesa (acima dos 86 pontos de 2002/03) e igualando a marca recordista de pontos pertencente ao Benfica de Rui Vitória de 2015/16 (88 pontos). Duas jornadas depois, o Benfica ainda cairia para terceiro lugar, mas recuperara o segundo posto (de acesso ao play-off da UEFA Champions League) na última jornada com uma vitória sobre o Moreirense FC (1-0) e aproveitando o desaire do Sporting na Madeira frente ao CS Marítimo (1-2).  

1.  

Benfica 2-3 FC Porto – 2011/12 – No final de fevereiro de 2012 e a faltar apenas dez jornadas para o fim da Liga Portuguesa, a tendência já se estava a tornar inequívoca. Embora o Braga se posicionasse num destacado terceiro lugar, com um rendimento muito interessante e a apenas três pontos da liderança, além de um Sporting já bastante afastado do pódio (quinto lugar a oito pontos dos bracarenses), o principal duelo pela disputa do título ia ser entre os dois da frente: Benfica e FC Porto.

Os comandados de Jorge Jesus tinham terminado a primeira volta em primeiro lugar com mais dois pontos dos dragões e com um saldo positivo nos grandes jogos (empate 2-2 no Dragão, 1-1 em Braga e vitória 1-0 sobre o Sporting na Luz). Contudo, após ter chegado a cinco pontos de vantagem após uma derrota dos dragões em Barcelos (1-3), as águias não conseguiram segurar a vantagem até ao clássico. No início da segunda volta, as águias venceram três jogos (fazendo sete vitórias consecutivas desde o dérbi lisboeta de novembro com os leões), mas perderam cinco pontos de seguida numa derrota em Guimarães (0-1) e num empate em Coimbra (0-0). Um inconveniente que colocava mais pressão às águias para sobreviverem ao duelo com o FC Porto. Uma derrota, significava a ultrapassagem dos dragões para o primeiro posto.

Já o FC Porto, estava ainda a dar os últimos retoques de reorganização interna. A equipa tinha mudado de técnico a uma semana antes do início de 2011/12 (O ex-adjunto Vítor Pereira assumiu a equipa após a saída de André Villas-Boas para o Chelsea) e entre o mercado de verão e o de inverno vários jogadores relevantes tinham deixado a Invicta (Falcao, Guarín, Belluschi, Beto e Ruben Micael). Uma primeira metade da época difícil em que apesar dos dragões terem sido regulares, irem ganhando e partilhando a liderança com os encarnados, um empate em Alvalade e uma derrota em Barcelos fizeram o FC Porto ficar a cinco pontos da liderança e tudo parecia mais difícil. No entanto, a equipa de Vítor Pereira retomou os triunfos e consegui três consecutivos antes do clássico da Luz, em simultâneo, aproveita os dois desaires do rival nos terrenos dos vitorianos e dos estudantes e chega em igualdade pontual ao reino da águia. Só a liderança isolada interessava, para tal era preciso uma vitória. Um empate deixava tudo em aberto e colocava o Braga muito próximo e dentro da corrida. Uma derrota, podia significar o adeus ao bicampeonato.

Pelas águias jogaram a titular: Artur Moares, Maxi Pereira, Luisão (C), Garay, Émerson, Javi García, Witsel, Aimar, Nico Gaitán, Nolito e Cardozo.

De dragão ao peito entraram em campo: Helton, Maicon, Rolando, Otamendi, Álvaro Pereira, Fernando, Lucho González, João Moutinho, Hulk (C), Djalma e Mark Janko.

O jogo iniciou-se com muita intensidade a nível altíssimo. Apesar de equilibrado, o jogo foi marcado por períodos de domínio diferentes. Aos sete minutos, após um pontapé de canto dos portistas mal sucedido, o Benfica tenta partir para o contra-ataque, mas Aimar é desarmado por Fernando. O trinco brasileiro procura e coloca o esférico no lado direito do ataque, onde o compatriota Hulk recebe a bola e tenta encontrar espaço. Vaiado pelas bancadas, o capitão portista puxa para dentro e faz um disparo à baliza, resultando num grande golo fora da área. Os dragões colocavam-se em vantagem. Até ao intervalo, o FC Porto ainda conseguiu mais três chances de golo (Janko, Álvaro Pereira e João Moutinho), mas esteve um pouco mais em modo de contenção, pois a equipa de Jorge Jesus esteve mais por cima a procurar o empate. Após tentativas frustradas de igualar a partida (Cardozo por duas ocasiões e Aimar), aos 41 minutos o Benfica empata. Após canto e alívio de Rolando, Maxi Pereira faz um remate potente fora da área que é bloqueado por Gaitán, a bola sobra para o “Tacuara” que dispara forte e sem hipótese para Helton.

Tendo marcado antes do intervalo, o Benfica não cai em si de confiança e mantém a consistência. Aos 47 minutos, castigando falta de Djalma sobre Gaitán, Aimar cobra o livre e Cardozo é mais alto que todos e coloca no fundo das redes azuis e brancas. Há reviravolta na Catedral. Tudo parecia encaminhar-se a favor das águias, até que aos 58 minutos a turma portista altera-se. Vítor Pereira faz a substituição que muda o encontro: sai Rolando e entra James Rodríguez (apenas com “gasolina” para meia-hora de jogo, vindo de um encontro da seleção colombiana). Aos 63 minutos, o Benfica constrói mais um ataque que Witsel não consegue concluir e o FC Porto parte para o contra-ataque. Fernando recupera a bola e coloca em James que conduz o esférico até ao meio-campo benfiquista, nova troca de bola entre ambos sob mais pressão da defesa à entrada da área, o colombiano (após assistência do trinco brasileiro) encontra espaço para rematar antes de ser travado por Émerson e empata a partida. O FC Porto ganha confiança e começa a ficar mais confortável no terreno e a procurar a vantagem, o Benfica o contrário. Até aos 86 minutos, o defesa-esquerdo benfiquista ainda seria expulso por segundo amarelo, após falta sobre Hulk (78 minutos).

A quatro minutos dos 90, Gaitán faz falta sobre James e o lance dá origem ao momento mais polémico do encontro. Na cobrança, James Rodríguez coloca na área e Maicon é mais alto que Artur Moraes e restante defensiva encarnada. Uma cabeçada que dá nova “remontada” no estádio da Luz e o FC Porto está de novo na frente do marcador. No entanto, é visível após repetição do lance que o defesa brasileiro e também Otamendi partem em posição de fora de jogo. O juiz auxiliar e o árbitro Pedro Proença não entenderam e validaram o golo.

A equipa de Vítor Pereira acabaria por segurar a vantagem até ao fim e o FC Porto subia ao topo da tabela classificativa pela primeira vez em 2011/12, de forma isolada. Até ao fim da época, os portistas ainda teriam mais dois empates desastrosos (Académica em casa e Paços de Ferreira) e perderiam a liderança para o Braga três jornadas depois. Contudo, a turma azul e branca venceria todos os jogos até ao fim desde então, incluindo uma vitória em Braga (1-0) que consolidaria a liderança e deixava o Braga de fora da corrida definitivamente e mantinha o Benfica atrás. Os portistas terminariam bicampeões, festejando “no sofá” após um empate das águias em Vila do Conde na antepenúltima jornada (2-2) e depois ao vivo, no Dragão vencendo o Sporting de Sá Pinto (semifinalista da UEFA Europa League) por 2-0.

O Benfica nunca conseguira recuperar da desvantagem de três pontos após a derrota caseira com os portistas. Embora vencessem o Braga na Luz (2-1) e conseguissem o segundo lugar, os empates com Olhanense (0-0) e Rio Ave, além da derrota em Alvalade (0-1) deitaram por terra a chance de os pupilos de Jorge Jesus regressarem à liderança.

Jorge Afonso
Jorge Afonso
O Jorge apaixonou-se pelo futebol num dérbi em Alvalade e nunca mais largou. Licenciado em Comunicação Social e mestre em Ciência Política, vive entre estatísticas, memórias épicas e o encanto de equipas como o Barça de Guardiola ou a França de Zidane.

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