O clássico entre Sporting e FC Porto é um dos duelos com mais história, intensidade,emoção e rivalidade do futebol português. Uma rivalidade que, ao longo de décadas, se foi alimentando de duelos tremendos, polémicas, exibições marcantes e resultados que deixaram marcas profundas em ambas as coletividades.
Ainda que, em termos de títulos, o domínio do FC Porto desde a década de 80 até às primeiras duas décadas do século XXI, tenham esbatido a hegemonia partilhada entre leões e águias durante o período anterior e que mais recentemente regressou, a verdade é que os confrontos entre sportinguistas e portistas continuam a ser dos mais aguardados do ano e muitas vezes com impacto direto no destino final das contas da Liga Portuguesa.
Nos últimos 22 anos, realizaram-se 22 clássicos entre Sporting e FC Porto em Alvalade para a Liga Portuguesa, dos quais 14 em jogos referentes à primeira volta. Nos 14 duelos, o Sporting venceu quatro, o FC Porto triunfou em apenas dois e registaram-se oito empates. O equilíbrio tem sido o cenário verificado, mas na junção de todos os duelos, existem histórias que perduram: desde reviravoltas e confirmações de superioridade, até polémicas de arbitragem, passando por confrontos táticos que mexeram com o momento.
Em termos de golos durante o mesmo período, os números também ajudam a explicar a tensão habitual deste clássico. Em jogos da primeira volta realizados em Alvalade, o Sporting marcou 26 golos e o FC Porto respondeu com 15. Ainda que os encontros da segunda volta possam, muitas vezes, decidir títulos, os da primeira servem frequentemente para medir forças, estabelecer posições e definir o tom competitivo para o resto da época.
E se o jogo deste sábado promete mais um capítulo escaldante, olhemos para seis clássicos da primeira volta que ajudam a apimentar o ambiente. Jogos que não foram apenas jogos, foram momentos de tensão, paixão e memórias que ainda hoje estão na memória dos adeptos verdes e azuis.
6.
Sporting 1-2 FC Porto (2019/20) – O clássico de Alvalade da 15.ª jornada colocava frente a frente duas equipas com objetivos bem diferentes a este ponto da temporada, mas ambas pressionadas. Orientado então por Jorge Silas, o Sporting era terceiro (apenas dois pontos à frente do FC Famalicão, então uma revelação) e ainda procurava estabilidade após mais uma troca de treinador no arranque da época. Depois das passagens de Marcel Keizer e Leonel Pontes, Silas assumira o comando técnico e tentava recuperar terreno numa temporada já marcada por instabilidade interna e desilusões desportivas (goleada sofrida na Supertaça com o Benfica e o afastamento da luta pelo título por excessiva perca de pontos inicial).
No entanto, o jovem técnico não conseguira colocar os leões de novo no caminho do sucesso, tendo sido eliminado da Taça de Portugal pelo Alverca e obtido derrotas no Liga que não facilitaram o relançamento da equipa (desaires contra Tondela e Gil Vicente). Já o FC Porto, por sua vez, tentava manter a perseguição ao líder Benfica, que se encontava então a quatro pontos e numa corrida a dois que se desenhava imprevisível até ao fim. Comandados por Sérgio Conceição, os dragões sabiam que um deslize em Alvalade podia custar (moralmente) o campeonato.
Apesar de se tratar de um clássico, Alvalade apresentava um ambiente morno, reflexo do desencanto sportinguista com o rumo da época. Ainda assim, uma vitória sobre o eterno rival podia servir como tónico para relançar a confiança e o projeto do clube com Silas ao leme. Para os dragões, o objetivo era claro: vencer e manter a pressão sobre a liderança.
De verde e branco alinharam: Luís Maximiano, Ristovski, Coates, Mathieu, Marcus Acuña, Wendel, Doumbia, Bruno Fernandes (C), Bolasie, Luciano Vietto e Luiz Phellype.
Com o emblema portista entraram em campo: Marchesín, Jesús Corona, Pepe, Marcano, Alex Telles, Danilo Pereira (C), Matheus Uribe, Otávio, Nakajima, Marega e Tiquinho Soares.
O FC Porto entrou melhor, mais intenso e determinado. Foi recompensado com um golo bastante cedo, aos seis minutos, por intermédio de Marega. Após um passe longo de Jesús Corona que coloca a bola na entrada da área, o avançado maliense aparece entre a defesa leonina que num toque, colocou a bola fora do alcance rematou do guarda-redes leonino. Os dragões colocaram-se em vantagem e podiam-no ter feito uma segunda vez quase meia hora mais tarde, por intermédio de Nakajima.
Mas o Sporting acabou por reagir no momento certo. Aos 44 minutos, surgiu o empate: Acuña aproveita um passe longo errado de Marchesín e, após bom entendimento com Luiz Phellype e Vietto, o defesa-esquerdo leonino recebe a bola do compatriota no lado esquerdo do ataque e dispara sem hipótese para o guardião portista. O golo animou de novo Alvalade e a própria equipa, que a partir daí assumiram o controlo da partida.
A equipa de Silas começou a impor o seu jogo de ataque direto, com transições rápidas, bom entendimento entre setores e sucessivas investidas no último terço. Entre os 45 e os 70 minutos, o Sporting criou cerca de cinco grandes ocasiões de golo, com destaque para remates perigosos de Bruno Fernandes, Luiz Phellype e Bolasie, mas a falta de eficácia (e até de sorte) impediram a reviravolta. Contra a corrente do jogo, e já com o ritmo mais quebrado, o FC Porto chegou ao segundo golo aos 73 minutos: após um pontapé de canto cobrado por Alex Telles, Tiquinho Soares praticamente livre de marcação, desviou de cabeça para o fundo das redes, gelando Alvalade e fazendo o gesto de “domador de leões”.
O Sporting ainda tentou reagir, mas fê-lo com mais coração do que cabeça e já estava em baixo com o golpe disferido pelo segundo golo portista. O FC Porto geriu a vantagem com bastante ambição e maturidade, ao ponto de ter tentado mais golos e quase ter chegado ao terceiro golo por Luiz Díaz (duas ocaiões). No final, os dragões saíram de Alvalade com três pontos fundamentais na luta pelo título — e aumentavam a crise de identidade do Sporting, que via fugir cada vez mais os lugares cimeiros.
Foi um clássico que ficará na história, não tanto pela qualidade técnica, mas por ter quebrado uma tradição que vinha desde 2008: o FC Porto voltava a vencer em Alvalade ao fim de 11 anos.
5.
Sporting 2-0 FC Porto (2023/24) – Disputado na 15.ª jornada, este clássico entre Sporting e FC Porto tinha muito em jogo para ambas as equipas. Os leões de Rúben Amorim chegavam na liderança do campeonato (ainda que não isolada), mostrando um futebol sólido e uma regularidade nos resultados que era essencial para voltar ao sucesso que tinha escasseado muito na época anterior. Destacavam-se os novos reforços que já eram pilares da equipa verde e branca: Morten Hjulmand e Viktor Gyökeres.
Já os dragões de Sérgio Conceição precisavam de sobreviver à batalha de Alvalade. Após um percurso em que iniciara a época com percas de pontos penosas (empate caseiro com o Arouca e derrotas frente ao Benfica na Supertaça e na Luz e Estoril-Praia em casa) e uma reação que lhes permitiu encurtar a distância para o topo da tabela e chegar colados à liderança. Era essencial dar um sinal de força perante o rival com quem partilhava a liderança. Quem vencesse o jogo, ficaria isolado, já um empate permitia ao Benfica (com menos um ponto que os rivais) chegar à liderança.
De leão ao peito entraram em campo: Adán (C), Eduardo Quaresma, Diomande, Gonçalo Inácio, Geny Catamo, Morten Hjulmand, Morita, Matheus Reis, Marcus Edwards, Pedro Gonçalves e Viktor Gyokeres.
De azul e branco alinharam: Diogo Costa, João Mário, Pepe (C), Zé Pedro, Zaidu, Alan Varela, Eustáquio, Pepê, Wanderson Galeno, Taremi e Evanílson.
Desde o apito inicial, o Sporting mostrou-se mais intenso e organizado, a dominar o meio-campo e a controlar o ritmo do jogo. Muito pressionado pelo esquema de Amorim, o FC Porto pouco conseguiu fazer, encontrou dificuldades para sair a jogar.
Aos onze minutos, a preparação sportinguista foi recompensada: num passe em profundidade, Matheus Reis colocou em Gyokeres que vence a oposição de Pepe e faz o 1-0, causando uma explosão de alegria nas bancadas. O avançado sueco ainda fez um segundo golo antes do intervalo (44 minutos) a cruzamento de Eduardo Quaresma, mas foi anulado por falta anterior do defesa leonino.
Na segunda parte, o FC Porto tentou reagir, mas novamente esbarrava na forte organização defensiva dos leões e na eficácia do meio-campo verde e branco (além de mal conseguir parar o ataque quando o mesmo atuava). As coisas ficaram piores quando Pepe agrediu Matheus Reis na altura de uma cobrança de falta. O capitão portista foi expulso aos 51 minutos A partir daqui os azuis e brancos foram perdendo confiança perante a solidez leonina.
A equipa de Rúben Amorim continuou a dominar com muitas oportunidades e, aos 60 minutos, através de um passem em profundidade de Geny Catamo para Gyokeres, o sueco isolou-se e assistiu Pedro Gonçalves para o 2-0 final, fechando praticamente as contas do jogo.
Até ao fim, o Sporting controlou o jogo, gerindo a vantagem com maturidade, enquanto o FC Porto não conseguiu encontrar soluções para inverter o resultado. Ambas as equipas ainda concretizaram uma oportunidade cada, mas as duas foram invalidadas (a do FC Porto por fora de jogo e a do Sporting por falta)
Este triunfo foi crucial para que o Sporting assumisse a liderança isolada do campeonato, que nunca mais largara até ao fim. Acabou por ser uma prova importante superada que permitiu à equipa de Rúben Amorim se consolidasse como o principal candidato ao título 23/24., que veio a acontecer. Por outro lado, o FC Porto viu a distância para o topo voltar a aumentar, complicando as suas aspirações na luta pelo título. Uma tendência que só foi piorando e culminaria num dececionante terceiro lugar
4.
Sporting 0-0 FC Porto (2011/12) – Num momento decisivo da temporada, com o Sporting a tentar encurtar distâncias para o topo (a seis pontos dos líderes Benfica e FC Porto) e os dragões a defender a liderança, este embate a 7 de janeiro de 2012 prometia emoções fortes e foi sobretudo um duelo tático entre duas equipas que apostavam em transições e bolas paradas.
Pelos leões, Domingos Paciência alinhou com um esquema focado no controlo do meio-campo, na segurança defensiva e num ataque para aproveitar o erro do adversário, enquanto Vítor Pereira, nos dragões, procurava explorar as transições rápidas, apoiando na experiência de muitos jogadores.
Com o emblema sportinguista foram titulares: Rui Patrício, João Pereira, Oguchi Onyewu, Anderson Polga (C), Insúa, Renato Neto, Stijn Schaars, Elias, Carrillo, Diego Capel e Ricky van Wolfswinkel.
Pelos portistas entraram em campo: Helton (C), Maicon, Rolando, Otamendi, Álvaro Pereira, Fernando, Belluschi, João Moutinho, Djalma, Cristián Rodríguez e Hulk.
O jogo revelou-se muito disputado, com poucas ocasiões claras para ambas as partes. O Sporting teve momentos de maior posse, criou algum perigo e obteve duas das melhores ocasiões para marcar (Polga e Izmailov), mas a organização defensiva portista, aliada a uma exibição segura de Helton, evitou que os anfitriões chegassem ao golo. Do lado do FC Porto, a pressão alta (por Hulk e James) e o contra-ataque rápido foram tentativas constantes, mas a defesa leonina, manteve a baliza inviolável.
O empate sem golos refletiu a tensão do encontro e a importância que ambas as equipas deram a não cometer erros. Para o Sporting, o resultado foram dois pontos perdidos, deixando muito difícil a equipa ainda lutar pelo título e iniciando a partir daqui uma trajetória descendente de resultados e que culminaria no despedimento de Domingos em fevereiro. Para o FC Porto, foi um sinal de que a liderança estava ameaçada e algo que tinha de mudar, mas a equipa manteve-se firme na perseguição ao topo da tabela e que terminou positivamente com o conjunto de Vítor Pereira a chegar ao bicampeonato em maio.
Apesar de não ter sido um jogo espetacular em termos ofensivos e de técnica, este clássico ficou marcado pela intensidade, pelo equilíbrio e pela luta tática que evidenciou o grau de competitividade da Liga em 2011/12.
3.
Sporting 2-0 FC Porto (2015/16) – Disputado na 15.ª jornada, este clássico teve enorme peso na luta pelo título. O Sporting, orientado por Jorge Jesus, encontrava-se a apenas um ponto do FC Porto e sabia que uma vitória em Alvalade lhe devolveria a liderança. A pressão era grande de ambos os lados, mas a resposta foi claramente desigual.
De leão ao peito entraram em campo: Rui Patrício, João Pereira, Paulo Oliveira, Naldo, Jefferson, William Carvalho, Adrien Silva (C), João Mário, Matheus Pereira, Bryan Ruiz e Slimani.
De azul e branco alinharam: Casillas, Maxi Pereira, Maicon (C), Martins Indi, Miguel Layún, Danilo Pereira, Rúben Neves, Hector Herrera, Jesús Corona, Brahimi e Aboubakar.
O jogo começou equilibrado na posse, com o FC Porto a controlar a bola durante largos períodos, mas sem conseguir transformar essa superioridade em ocasiões claras. A equipa de Lopetegui demonstrava alguma apatia, simbolizada por uma imagem curiosa e sintomática: Corona, bocejando antes do pontapé de saída da segunda parte. O Sporting, por sua vez, soube exatamente o que fazer — explorar as debilidades do adversário e ser eficaz.
Aos 27 minutos, os leões colocaram-se em vantagem: Jefferson cobrou um livre lateral com precisão, e Slimani apareceu perto da zona de penálti e mais alto que todos, para cabecear de forma fulminante para o fundo das redes de Iker Casillas. Um golo que premiava a maior maturidade e lucidez da equipa de Jorge Jesus, que se mostrou sempre mais ligada ao jogo e consciente do que estava em disputa.
Na segunda parte, o FC Porto tentou reagir, mas continuou preso a uma posse estéril e sem grande criatividade. O Sporting, mais coeso, mais competitivo, manteve o controlo e aproveitou a insegurança portista. A estocada final chegou aos 85 minutos: num contra-ataque rápido, Bryan Ruiz conduziu com classe e assistiu Slimani, que finalizou com frieza e selou o 2-0.
Foi uma vitória justa e clara da melhor equipa em campo. O Sporting assumiu a liderança da Liga e manteve-se no topo durante mais dois meses, numa campanha onde lutaria pelo título até à última jornada. Já o FC Porto entrou num período de declínio, que culminaria com a saída de Julen Lopetegui poucos dias depois.
2.
Sporting 1-1 FC Porto (2010/11) – A 12.ª jornada da Liga serviu de palco para um dos clássicos mais emotivos da época 2010/11, marcado sobretudo pelo regresso de João Moutinho a Alvalade, meses depois da sua polémica transferência para o FC Porto. O antigo capitão leonino foi recebido com uma chuva de assobios e, em protesto simbólico, adeptos do Sporting atiraram maçãs para o relvado, numa referência direta à célebre declaração de José Eduardo Bettencourt, que havia apelidado Moutinho de “maçã podre” aquando da sua saída.
Em termos classificativos, os contextos não podiam ser mais diferentes. O FC Porto era líder destacado, com dez pontos de vantagem sobre o segundo classificado, o Vitória SC de Manuel Machado, tal como o Benfica de Jesus e 13 sobre o Sporting, que ocupava o quarto lugar. Para os leões, vencer era essencial para manter viva qualquer esperança de reentrar na luta pelo título. Para o FC Porto, era uma oportunidade de consolidar ainda mais a liderança.
Pelos leões entraram em campo: Rui Patrício, João Pereira, Daniel Carriço (C), Anderson Polga, Evaldo, Pedro Mendes, André Santos, Maniche, Jaime Valdés, Liedson e Hélder Postiga.
De dragão ao peito foram titulares: Helton (C), Sapunaru, Rolando, Maicon, Emídio Rafael, Fernando, Belluschi, João Moutinho, Hulk, Silvestre Varela e Radamel Falcao.
A partida começou com alguma intensidade, e embora a primeira ocasião de perigo tenha pertencido ao FC Porto (por Falcao), foi o Sporting quem teve maior ascendente na primeira parte. A equipa de Paulo Sérgio mostrou-se bem organizada, pressionante e com vontade de vencer. O golo surgiu aos 37 minutos, através de um lance direto: pontapé longo de Rui Patrício, falha de marcação na defesa portista, e Valdés aproveita, conduzindo a bola em direção à baliza. Após um ressalto que o favoreceu com um toque acidental na mão, o chileno ficou frente a frente com Helton e rematou para o fundo das redes. O lance gerou protestos dos jogadores portistas, por possível fora de jogo e mão na bola, mas o árbitro validou o golo.
Na segunda parte, o FC Porto entrou mais determinado, e aos 57 minutos, conseguiu o empate. João Moutinho lançou Hulk, que combinou com Falcao dentro da área. O colombiano, solto entre os defesas leoninos, finalizou de pé esquerdo, sem hipótese para Rui Patrício.
O jogo viria a mudar de tom aos 68 minutos, com a expulsão de Maicon, após falta sobre Liedson quando este se isolava em direção à baliza. Uma decisão discutível na altura, mas que deixou o FC Porto em inferioridade numérica até ao fim. A partir daí, a equipa de Villas-Boas fechou-se, geriu o jogo com inteligência e segurou o ponto. O Sporting tentou pressionar, mas nunca conseguiu voltar a ter verdadeiro controlo, nem soluções ofensivas para voltar a marcar.
O empate manteve o FC Porto firme na liderança e confirmou a sua maturidade competitiva, mesmo em cenários adversos. Já o Sporting perdia uma oportunidade crucial de reentrar na corrida pelo título e afundava-se num ano desportivo cinzento. A temporada terminaria como uma das melhores de sempre para os dragões (campeões invictos, vencedores da Liga Europa e da Taça de Portugal) e uma das mais pobres da história recente leonina (terceiro lugar a 36 pontos do campeão, e sem qualquer conquista).
1.
Sporting 1-2 FC Porto (2008/09) – Ainda que estivéssemos apenas na 5.ª jornada da Liga 2008/09, este clássico em Alvalade já assumia contornos determinantes. O FC Porto, apesar de uma derrota pesada dias antes em Londres (4-0 frente ao Arsenal), a equipa de Jesualdo Ferreira buscava uma reação e queria a liderança do campeonato com um triunfo. Já o Sporting, embalado por um início prometedor (três vitórias nas primeiras três jornadas e a conquista da Supertaça frente ao próprio Porto), procurava redimir-se após a derrota na Luz. Era, também, o primeiro momento de verdadeira pressão da temporada para Paulo Bento.
De verde e branco alinharam: Rui Patrício, Abel, Tonel, Anderson Polga, Leandro Grimi, Miguel Veloso, Fábio Rochemback, João Moutinho (C), Yannick Djaló, Hélder Postiga e Derlei.
Com o emblema portista entraram em campo: Nuno Espírito Santo, Sapunaru, Rolando, Bruno Alves, Fucile, Fernando, Tomás Costa, Raúl Meireles, Lucho González (C), Cristián Rodríguez e Lisandro López.
O jogo começou de forma equilibrada, mas aos 18 minutos surgiu o primeiro erro decisivo: Leandro Grimi, displicente no lado esquerdo da defesa, perdeu a bola para Tomás Costa, que se antecipou e arrancou para a área. A bola passou por Rodríguez, que viu o seu remate ser travado por Miguel Veloso, mas o ressalto sobrou para Lisandro López, que não perdoou e fez o 0-1.
O Sporting reagiu com personalidade, e aos 28 minutos chegou ao empate. Numa jogada no interior da área portista, Tomás Costa tocou João Moutinho de forma discutível e Lucílio Baptista assinalou grande penalidade. Chamado à conversão, Moutinho enganou Nuno Espírito Santo e devolveu o entusiasmo às bancadas de Alvalade.
No entanto, a esperança leonina durou pouco. Apenas três minutos depois, aos 31 minutos, Polga cometeu falta desnecessária sobre Lisandro perto da entrada da área. Na cobrança do livre direto, Bruno Alves disparou um míssil imparável, deixando Rui Patrício sem reação e assinando um dos golos mais emblemáticos da sua carreira.
Na segunda parte, o FC Porto mostrou maturidade e serenidade. Mesmo sem criar muito perigo (exceção a mais um livre de Bruno Alves que bateu na trave), controlou o jogo com inteligência, aproveitando a falta de criatividade de um Sporting limitado pelas ausências de Izmailov (lesão) e Vukcevic (afastado por questões internas). Os leões ainda criaram algumas oportunidades, mas mostraram-se ineficazes na finalização. A equipa de Jesualdo não vacilou e segurou os três pontos com relativa tranquilidade.
O clássico terminou com o FC Porto isolado na liderança da Liga, e o Sporting a enfrentar a sua primeira crise da temporada, após duas derrotas consecutivas frente a rivais diretos. Este jogo, à posteriori, revelou-se crucial: o FC Porto viria a conquistar o tetracampeonato, terminando a Liga com quatro pontos de vantagem sobre o Sporting, que pela quarta vez consecutiva terminava em segundo atrás dos azuis e brancos.