Ciclismo | As 5 melhores etapas de 2020

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Tadej Pogačar (Lure – La Planche des Belles Filles) – Os 36,2 quilómetros de contrarrelógio da penúltima etapa da passada edição do Tour de France marcaram um dos momentos mais caóticos da história da prova de ciclismo francesa. “Uma num milhão” era algo que se sussurrava por todo e qualquer comentário relativamente às hipóteses de Pogačar bater Primož Roglič, recuperar 57 segundos e tornar-se no primeiro esloveno a vencer o Tour de France.

Não há dúvidas de que se tratou de um autêntico milagre, sobretudo se tivemos em conta fatores como a vantagem de Roglič sobre o seu compatriota na geral, a diferença quase nula ou a pender desfavoravelmente para o miúdo da UAE Team Emirates na especialidade do contrarrelógio ou a consistência demonstrada ao longo das antecedentes 19 etapas por parte do líder da Team Jumbo-Visma.

Mas a verdade é que, na estrada, Pogi enfrentou as previsões e começou cedo a demonstrar que não eram favas contadas, exibindo-se ao mais alto nível e como o rolador de excelência que é. No primeiro ponto de cronometragem, ainda em terreno plano, 13 segundos separavam os dois eslovenos com vantagem para Pogačar. À medida que os corredores se aproximavam da subida final, o perseguidor mais direto de um Rogla irreconhecível ia ganhando alguns segundos, fazendo prever uns quilómetros finais com muitos nervos à flor da pele.

O ímpeto conseguido cimentou-se assim que as pendentes mais íngremes apareceram no horizonte dos dois rivais, ajudando aquele que estava mais favorecido psicologicamente e fisicamente. A pujança de Pogačar era de tal ordem que a diferença entre ambos ia abatendo a cada metro, sendo na marca dos 3,9 quilómetros para a linha de meta que o impensável começava a tornar-se possível. O mais jovem da dupla eslovena dava a cambalhota na liderança e passava a ser o líder virtual da classificação geral. Por outro lado, Rogla continuava a ter um dia para esquecer e em nenhum momento da etapa pareceu estar ao nível daquilo que o seu adversário apresentava, somando uma perda total de um minuto e 56 segundos.

O artista de 22 anos acabou mesmo por vencer com elevada distinção, pintando uma das telas mais bonitas do passado ciclístico recente e perpetuando-se como uma das certezas para os próximos anos e logo de uma maneira tão dramática, conquistando três classificações ao cair do pano. O dia 19 de setembro de 2020 ficará, sem sombra de dúvidas, eternizado na História do desporto.

Ricardo Rebelo
Ricardo Rebelohttp://www.bolanarede.pt
O Ricardo é licenciado em Comunicação Social. Natural de Amarante, percorreu praticamente todos os pelados do distrito do Porto enquanto futebolista de formação, mas o sonho de seguir esse caminho deu lugar ao objetivo de se tornar jornalista. Encara a escrita e o desporto como dois dos maiores prazeres da vida, sendo um adepto incondicional de ciclismo desde 2011.

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