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Euro Sub-17: Antevisão e 5 promessas a seguir em Israel

Francisco Sousa · 7 min

Tribuna VIP, jovens, Liga dos Campeões

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Começa esta segunda-feira o campeonato de Europa de sub-17, com 16 equipas em competição em Israel.

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João Moutinho, Toni Kroos, Cesc Fàbregas, Wayne Rooney ou Jadon Sancho. São só cinco dos (muitos) nomes que se destacaram num Campeonato da Europa de sub-17 e depois encontraram continuidade ao mais alto nível no futebol profissional. Essa é a grande ambição para todos os jogadores das 16 seleções que iniciam esta segunda-feira, em Israel, mais uma prova que é desde a criação uma espécie de montra de talentos para os jovens craques do futebol do Velho Continente.

Criado como um torneio de sub-16, passou na edição de 2022 a ser designado de Euro sub-17 e Portugal conseguiu conquistar logo a segunda edição da nova versão do campeonato, depois de vencer a Espanha de David Silva e Antonio Adán por 2-1 no Fontelo, com um bis do «Maradona» Márcio Sousa. Depois disso, em 2016, no Azerbaijão, voltou a derrotar a rival ibérica desta feita nos penáltis, somando a conquista n.º2 neste novo século (já depois de ter ganho por quatro vezes o antigo torneio de sub-16).

E que hipóteses de sucesso tem Portugal em 2022? Não partindo como uma óbvia favorita à conquista europeia, a equipa das Quinas tem como objetivo inicial ultrapassar uma exigente fase de grupos, na qual terá pela frente Dinamarca, Suécia e Escócia (grupo D). A turma de José Lima ultrapassou duas fases de grupos para chegar a esta competição, sendo que na última delas (ronda de elite) se mostrou absolutamente implacável perante os adversários: goleou a Irlanda por 4-1 e a Finlândia por 9-1 e derrotou a Bulgária por 2-1.

Talento não falta a uma geração de jogadores que se dividem maioritariamente por quatro clubes: Benfica, Sporting, FC Porto e SC Braga (o único jogador que joga fora desse espetro de clubes é o central Diogo Monteiro, que atua nos suíços do Servette). O 4-3-3 é a base tática de uma equipa que procura ser dominadora e que possui uma capacidade de aceleração e improviso no último terço bem interessante.

Na ronda de elite, destacaram-se os médios Rafael Luís (muito criterioso no passe, com capacidade para sair desde trás com bola e astuto nas compensações defensivas), João Vasconcelos (perfil criativo e com boa chegada à segunda linha), Ussumane Djaló (disponibilidade física e capacidade de transporte) e João Veloso (muito rematador). A estes jogadores fundamentais no apuramento, junta-se agora o sportinguista Dário Essugo (já com experiência de I Liga), que vem acrescentar critério a partir da posição «6», depois de ter estado em março ao serviço da seleção sub-19.

Uma das notas de maior destaque nos jogos da fase de qualificação foi precisamente a ligação dos médios ao setor mais ofensivo, no qual mora um goleador de remate fácil (Dinis Rodrigues), um dos avançados mais promissores do futebol nacional, que alia técnica, destreza e capacidade de definição (Rodrigo Ribeiro), além de extremos com técnica no um-para-um e tomada de decisão acima da média (Ivan Lima ou Afonso Moreira). Os laterais, tanto à direita (João Conceição ou Martim Fernandes) como à esquerda (Leonardo Barroso), chegam com facilidade ao apoio em zonas mais adiantadas e são também peças preponderantes no modelo de jogo de José Lima.

Em termos defensivos, a seleção portuguesa apresenta valores interessantes no centro da defesa (Diogo Monteiro destaca-se pela leitura de jogo com e sem bola e João Muniz tem vindo a crescer positivamente) e apesar das dificuldades exibidas em jogos recentes perante adversários que sabem pressionar melhor em zonas adiantadas do terreno, consegue ter uma equipa equilibrada e que percebe os momentos em que deve subir mais para pressionar o oponente ou jogar com o bloco um pouco mais baixo para não ficar tão exposta atrás.


Os adversários de Portugal e os restantes grupos do Europeu

A equipa portuguesa vai iniciar a participação no Euro sub-17 perante a Escócia, já esta terça-feira (18 horas). Em teoria, será o adversário mais acessível desta fase, ainda que jogadores como Ben Doak (Celtic), Dylan Reid (St. Mirren) ou o capitão Charlie McArthur (Kilmarnock) já contem com minutos no futebol profissional. A turma de Brian McLaughlin procura ser competente no momento defensivo (e incisiva no ataque rápido), mas sente dificuldades perante conjuntos com maior competência técnica no ataque.

Depois dos escoceses, Portugal defronta na sexta-feira a Suécia (14h30). A equipa nórdica foi a melhor segunda classificada da fase de apuramento (4 pontos) e apresenta coqueluches como o jogador do Bayer Leverkusen, Jardell Kanga (atacante completo nos movimentos, refinado tecnicamente e com boa capacidade de finalização), os médios Kacper Karlsson e Olsson Valdés, além do mais novo dos manos-promessa do AIK Estocolmo, Taha Ayari.

A fechar a fase de grupos, chega na próxima segunda-feira uma partida potencialmente decisiva com a forte Dinamarca de Kenneth Weber. Equipa dotada de técnica e com argumentos em posse, tem em Julius Beck (Spezia) e Valdemar Andreasen (uma das figuras do brilhante Midtjylland da Youth League) os craques maiores, não esquecendo nomes como os irmãos Højlund (Copenhaga), o central Mads Lauritsen (Midtjylland) ou o goleador da fase de apuramento Elias Hansborg (Odense).

De resto, e olhando para o restante quadro da competição, há várias seleções com potencial para brilhar. No grupo A, saltam à vista a Itália (atenção a Fabio Chiarodia, Luca Lipani, Luca Di Maggio e Alessio Vacca) e a Alemanha de Paul Wanner (promessa do Bayern, que já teve a oportunidade de jogar minutos na equipa principal), mas não podemos esquecer a surpreendente equipa do Luxemburgo (sim, também já andam por aqui) e os anfitriões israelitas.

No grupo B, a França apresenta um grupo com rotinas interessantes em competições como a Youth League, mas vem de duas derrotas que deixaram dúvidas no ar perante a Espanha. Ainda assim, não vão faltar jogadores promissores para seguir (Mamadou Sarr, Bitshiabu, Zaire-Emery ou Mathys Tel). Os Países Baixos estiveram longe de brilhar na fase classificatória, mas têm uma base que junta talentos das formações de Ajax, PSV e Feyenoord (olho em Antoni Milambo, médio de características ofensivas que chegou a ter minutos na Conference League). Polónia e Bulgária completam este grupo – os búlgaros ficaram em segundo na fase de qualificação e deram dores de cabeça à seleção portuguesa, apesar da derrota.

Finalmente, o grupo C tem a Espanha como a principal favorita. Com um modelo de jogo semelhante ao da seleção principal, a equipa de Julen Guerrero domina através da posse e pressiona como poucas equipas o fazem neste escalão. A nível individual, atenção a Iker Bravo (já no Bayer Leverkusen), David Mella, Miguel Carvalho, Mahamadou Susoho ou Yarek Gasiorowski. Pela frente, vão ter a Bélgica, a Sérvia e a Turquia, num grupo que promete golos.

5 promessas a seguir em Israel:

Rodrigo Ribeiro (Portugal/Sporting)

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Já lançado por Rúben Amorim na equipa principal dos leões, é um atacante móvel, com uma técnica apurada, movimentos amplos e boa relação com o golo. Envolve-se bem com os colegas na frente de ataque e tem um lado incisivo que o torna impactante para decidir jogos mais apertados. Tem tudo para ser uma das estrelas deste Europeu.

Warren Zaire-Emery (França/PSG)

Craque da época parisiense na Youth League, mostra um nível técnico e atlético assinalável para um jogador de 16 anos. Sai bem de pressão, orienta muito bem o corpo, tem muito critério no passe e sabe jogar em antecipação para recuperar a bola. Médio de perfil dominador, com potencial para chegar a titular da seleção principal.

Paul Wanner (Alemanha/Bayern)

Tornou-se no início deste ano no estreante mais jovem da história do Bayern na Bundesliga e ao vê-lo jogar percebemos o porquê da aposta de Julian Nagelsmann. Tem uma técnica apurada, um pé esquerdo calibrado e tanto pode jogar mais a partir do corredor central como pode começar na direita. Entra bem na segunda linha e mostra critério no passe e remate.

Yarek Gasiorowski (Espanha/Valencia):

Um dos centrais mais promissores do Europeu. Alto (1,90m), sabe impor-se no jogo aéreo, faz bem compensações por fora e acima de tudo, mostra conforto na saída de bola (sendo esquerdino, também recorre bem ao pé direito). Tem velocidade e bom timing de entrada aos lances. Pode chegar rapidamente à equipa principal do Valencia.

Marco Olsson Valdés (Suécia/Brommapojkarna)

Médio de origem chilena, prepara-se para dar o salto para o Aarhus da Dinamarca a partir da próxima época. Tem muita qualidade no passe, sabe gerir os ritmos do jogo no meio-campo e tem um sentido posicional acima da média, para se colocar, receber e dar continuidade às jogadas. Ótima visão de jogo.

Francisco Sousa

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