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Tribuna VIP Pedro Castelo

TRIBUNA VIP é um espaço do BnR dedicado à opinião de cronistas de referência para escreverem sobre os diversos temas da atualidade desportiva.

Ainda vamos em setembro e o futebol português já tem muito para contar: a jornalista Rita Latas levou com um processo de inquérito (felizmente já arquivado) por fazer uma pergunta fora do contexto do jogo numa flash-interview; todas as semanas existem acusações sobre a grande penalidade que foi ou não foi marcada, sobre o fora de jogo que existiu ou não existiu; depois há quem teime em encontrar bodes expiatórios para desviar as atenções após uma derrota; pelo meio temos tido a rábula das camisolas (ou falta delas) de clubes adversários na bancada e as provocações com crianças envolvidas no meio de tudo isto; voltou também a “alegria” por um resultado menos bom de um rival interno nas competições europeias; finalmente, as reações carregadas de “clubite aguda” ao anúncio de Rafa em relação à seleção nacional (não está aqui em causa essa decisão, completamente legítima, mas sim as reações).

De tudo isto, salta à vista um ponto em comum: a cultura de ódio que está instalada no futebol português. E fica uma pergunta: isso beneficia quem? Por mais que tente, não consigo encontrar uma resposta para esta questão. E quem sai mais prejudicado? Parece-me bem mais fácil encontrar uma resposta: o futebol, na sua essência. Todos, sem exceção.

Rafa Silva SL Benfica
Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

Porque a partir do momento em que uma decisão de um árbitro tem sempre uma leitura transviada da realidade, a partir do momento em que um adepto desrespeita ou é desrespeitado por vestir uma camisola de cores diferentes da maioria dos adeptos presentes em determinada bancada, a partir do momento em que se festejam resultados negativos de equipas portuguesas nas provas da UEFA e se uma equipa ganha é porque o adversário está muito fraco, ou a partir do momento em que deixa de ser seguro ir a um estádio em família, nada está dentro do que devia ser a festa do futebol.

Não sendo muito antigo, já posso utilizar o termo “sou do tempo em que”. E, de facto, sou do tempo em que se podia ir várias horas antes para as imediações de um estádio, instalar um fogareiro e conviver com quem se aproximasse, fosse do clube visitado ou do visitante. A única condição seria, talvez, uma contribuição para os stocks de comida e bebida. E mesmo se não houvesse essa possibilidade, não me lembro de alguém ter sido sequer olhado de lado, quando mais insultado ou agredido.

Estamos a chegar a um ponto em que talvez só uma intervenção estatal possa ser suficiente para ajudar a controlar este clima de desrespeito pelo que deve ser o futebol. No entanto, como canta o Carlão, só ouvimos assobiar para o lado. A situação é grave, há que agir, há que estudar, mas nunca acontece nada. Aqui há tempos ouvia o Ricardo Araújo Pereira e ele referiu algo que, de facto, é comum a todos os problemas que acontecem neste país: quer seja referente aos incêndios, à seca, à falta de professores, ao caos nos hospitais, seja referente ao que for, há sempre três expressões que são aplicadas: o problema é sempre “estrutural”, é sempre necessário “um debate alargado” e o objetivo é sempre um “amplo consenso”. Claro que, no fim, fica tudo na mesma.

Termino com uma experiência que finalmente consegui ter a oportunidade de concretizar: ir ver um jogo do RC Betis ao Benito Villamarín. Num jogo com o Osasuna, estavam 53 mil adeptos nas bancadas. Claro que é importante recordar que não estamos a falar de um clube candidato ao título. Uma verdadeira festa, dentro e fora do estádio, com vários adeptos do Osasuna com as camisolas vermelhas e azuis vestidas a passearem tranquilamente entre os verdiblancos. Um exemplo! E, já agora, uma experiência que recomendo.

Durante aquelas horas vivi um clima que gostava de ver por cá. Salvem o nosso futebol. Porque tem de ser possível gostar de um clube sem odiar os outros.

Desde que se lembra de ser gente que gosta de futebol, mas sabe que se apaixonou a sério pelo jogo em 1994, com 12 anos. Romário liderava o Brasil à conquista do Mundial dos EUA e tornou-se no primeiro ídolo do Pedro Castelo. O “Baixinho” e Iniesta são os seus jogadores preferidos de sempre. Na área da comunicação social desde 1998, o Pedro Castelo é daquelas pessoas com dias que parecem ter mais de 24 horas. Na televisão, é narrador na Eleven e na ZAP (Angola e Moçambique). Na rádio, é coordenador da Rádio Voz de Alenquer e relata na TSF - Rádio Notícias. Na imprensa, também em Alenquer, coordena o jornal Nova Verdade. No online, relata em flashscore.pt.

Desde que se lembra de ser gente que gosta de futebol, mas sabe que se apaixonou a sério pelo jogo em 1994, com 12 anos. Romário liderava o Brasil à conquista do Mundial dos EUA e tornou-se no primeiro ídolo do Pedro Castelo. O “Baixinho” e Iniesta são os seus jogadores preferidos de sempre. Na área da comunicação social desde 1998, o Pedro Castelo é daquelas pessoas com dias que parecem ter mais de 24 horas. Na televisão, é narrador na Eleven e na ZAP (Angola e Moçambique). Na rádio, é coordenador da Rádio Voz de Alenquer e relata na TSF - Rádio Notícias. Na imprensa, também em Alenquer, coordena o jornal Nova Verdade. No online, relata em flashscore.pt.

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FC PORTO vs CD TONDELA