Universo Paralelo: JÁ (lá) MOR(a) a Taça de Portugal 2018

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Nunca vi uma máquina do tempo. E, apesar de ela já me ter sido impingida no exercício da leitura, nunca percebi a essência do seu modo de funcionamento nem sequer que pudessem constituir um espaço amplo rodeado por botões com mil e um significados e informações. A ideia do teletransporte é inútil porque nunca foi para além do campo da especulação ou da história que ocupa momentos de lazer e serve de alimento às gerações vindouras. Caso contrário, mudar-se-iam voluntariamente o rumo dos acontecimentos e a piada da sobrevivência não vislumbrava punch-line.

Contudo, a repetição sucessiva de imagens separadas por frações minimizadas de segundos que se formam no nosso subconsciente possibilitam a suposição, disciplina onde qualquer pessoa consegue a nota máxima com facilidade. Por vezes, a realidade instaurada na retina apresenta uma taxa de tristeza recheada de juros e o facto de cogitar sobre ela fornece-nos uma dívida para com o bem-estar. Aqui, entra de rompante a imaginação com o propósito puro de equilibrar o que vivemos e o que queríamos viver, evitando o colapso e a degradação que, mais tarde ou mais cedo, nos obrigavam a sucumbir.

A breve reflexão parece esteticamente bonita aos olhos de quem a lê. Porém, quando estamos perante a irracionalidade e a paixão cega que confina o futebol, a linearidade da coisa parece-se com o amigo que constantemente dá desculpas para não sair de casa – não aparece – e é diluída pelo sentimento mais forte. Estou arrependido! Quero alterar o discurso! Não foi nada daquilo que quis dizer! Construam-se todas as máquinas do tempo possíveis ou outros artefactos científicos que permitam o rememorar do passado e a transformação do que não correspondeu às expectativas que depositamos no momento, consciente ou inconscientemente. Pelo meu clube, Sporting Clube de Portugal, eu tomo a iniciativa e construo a primeira, mas exijo manual de instruções!

Taça de Portugal Jamor
Depois do terror em Alcochete, o futebol foi impiedoso
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

A final da Taça de Portugal de 2018 marcou-me duplamente: primeiro, porque se seguiu ao Ataque à Academia, olvidado por uns, aclamado por outros; segundo, porque o sonho de visitar o Jamor se concretizou. Naquela situação, o resultado era meramente secundário: perante o cenário dantesco, queria fundir-me no ambiente de confraternização genuína e aproveitar para bradar, em uníssono, os cânticos de apoio à turma e verde e branca. E que pré-jogo! Sem aviso prévio, o céu desceu à terra e dimanou uma onda verde e um espírito único, fortalecido pela solidariedade e pelo sentimento de dor unânime! A magia no seu apogeu, na final da Taça!

Mas quem é que eu quero enganar? Nos dias que se seguiram sonhei com o Quim a fazer o jogo da vida dele e, curiosamente, a não chamar a capoeira, com os golos do herói improvável Alexandre Guedes, com os falhanços do Gelson e do Bas Dost e com o choro do Palhinha no término da final da Taça… O Amílton, por vezes, ainda me atormenta quando os momentos de descanso são repentinos e o cabisbaixo de Jorge Jesus, que merecia sair dali a sorrir, aviva-me a memória quando estou de trombas com a vida.

Recentemente, pus em prática o exercício que em cima descrevi: não é que o Montero inaugurou o marcador aos 15 minutos de jogo e o Bas Dost ampliou a vantagem e bisou no término da primeira metade? Na segunda parte o ritmo abrandou e, de livre direto, Bruno Fernandes sentenciou a partida. Pois é, um portentoso 4-0 sem resposta e Taça para Alvalade! O apito final irrompeu e a comoção vinda das bancadas não foi indiferente aos jogadores leoninos: lágrimas, abraços e uma plena demonstração de ímpeto e união face ao momento vivido. Constatei que, por demais evidente que seja a vontade de nos espezinhar, edifica-se uma resposta à altura e um rugido feroz.

Sinceramente, não sei qual foi o resultado exato da final da Taça de Portugal em 2018. Isto do sonho recente baralhou as minhas ideias… é melhor pesquisar na internet, não?

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Romão Rodrigues
Romão Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
Em primeira mão, a informação que considera útil: cruza pensamentos, cabeceia análises sobre futebol e tenta marcar opiniões sobre o universo que o rege. Depois, o que considera acessório: Romão Rodrigues, estudante universitário e apaixonado pelas Letras.                                                                                                                                                 O Romão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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