CD Nacional 0-0 Sporting CP: A culpa verde e branca

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A fazer cumprir a regra dos jogos de um dos grandes, o Sporting entrou forte na Choupana para revirar a tendência da jornada anterior. Com o onze expectável, sem Elias e com Bruno César ao lado de William, a área madeirense sofreu o cerco inicial que sugeria a imposição leonina no terreno.

Reflectindo este fluxo, a grande penalidade assinalada correctamente aos nove minutos num lance faltoso com Coates parecia a chave para a primeira porta do jogo – que tantas vezes é a mais complicada de abrir. Mas a história foi sendo outra após o insucesso da conversão de William Carvalho. Assim, os minutos iniciais do Sporting, com propulsão ofensiva e dinâmica constante, deram lugar a um futebol superficial, sem intensidade e, à primeira análise, com dois factores tácticos de determinado relevo: Bryan Ruiz, um pouco devido à recaída do meio-campo do Sporting nos últimos jogos, esteve pouco presente na zona central, tal como Jorge Jesus foi gesticulando durante o jogo; soma-se ainda o desaparecimento de Markovic, que embora sem o toque de mágica do passado, foi condicionado pelo trabalho de Aly Ghazal no bloqueio, nas transições entre linhas.

Via-se então uma partida a ser moldada ao gosto do Nacional, dando o controlo da bola em maioria ao Sporting, mas sabendo actuar nos momentos certos, apoiando-se de uma defesa assertiva que teve como principal representante o lateral Victor Garcia, que, com o campeonato em fase primária, já terá feito um dos melhores jogos da sua época. Esteve aqui, durante toda a primeira parte, a equação que explica o que aconteceu em campo: um Sporting com pouca qualidade, onde nem o brilhantismo de Gelson Martins se insinuou, em choque com a inteligência dos madeirenses para perceber o que o jogo ia pedindo, convidando o adversário a perder espaço nas costas. Um primeiro tempo com apenas quatro remates, já contando com a penalidade de William Carvalho, que foi igualmente uma das poucas chances que o Sporting teve para abrir o activo. Muito se tem falado na ausência de Slimani e na qualidade do seu trabalho táctico. É certo que Bas Dost não é igual ao argelino, e que não se pode pedir aquilo que não pertence à nossa natureza. Porém, parte da ineficácia do holandês deve-se, também, à falta de jogo que potencie o ponta-de-lança com que o Sporting conta. E pertence à teoria mais elementar do futebol a tese de que, tendo um avançado muito sólido posicionalmente, a criatividade nas alas ou a exploração das bolas directas têm de ser prementes. E não foram.

Houve apenas uma jogada clara deste género durante os noventa minutos, não tendo Bas Dost o espaço e o tempo para finalizar da melhor forma. Talvez seja este o melhor mote para ilustrar uma segunda parte que voltou a reforçar o sucesso da estratégia de Manuel Machado, que voltou no segundo tempo a ser sustentada por uma grande qualidade defensiva, que possibilitou algumas vezes o contra-golpe com perigo até à baliza de Rui Patrício, à imagem do sucedido no lance da bola que embateu na barra aos 63 minutos, após defesa do guardião verde e branco. Embora seja clara a existência de outra falta para grande penalidade após a infracção sobre Bruno César, o final da partida aproximou-se trazendo os antípodas daquilo que se registou no começo do jogo. Um Nacional que se habitou a estar mais perto da baliza contrária do que propriamente a concentrar-se na tarefa defensiva foi, em suma, o sintoma final de um Sporting sem brilho e desorientado em muitos momentos, tendo a bola mas não sabendo o que com ela fazer, ansiando a qualquer altura por uma ruptura individual que provocasse uma oportunidade. As próprias substituições, exceptuando Campbell, que agitou a zona ofensiva com alguns movimentos, não expressaram qualquer alteração substancial, voltando a ser necessário frisar o trabalho do meio-campo madeirense no terreno entrelinhas, impossibilitando sempre a permanência da posse do Sporting na zona central com Alan Ruiz. Analisando as estatísticas e pensado naquilo que resultou do jogo, embora seja óbvio o mérito de Manuel Machado, a culpa, desta vez, voltou a vestir-se de verde e branco.

Ricardo Gonçalves Dias
Ricardo Gonçalves Diashttp://www.bolanarede.pt
O primeiro contacto do Ricardo com a Bola foi no futsal. Mais tarde passaria pelas camadas jovens do Oriental, esse gigante de Lisboa. O sonho acabou algum tempo depois e hoje lida bem com isso. E com a escrita também.                                                                                                                                                 O Ricardo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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