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GD Chaves 0-0 (3-2 g.p.) FC Porto: Em Chaves tens de ser valente!

Ricardo Anselmo · 4 min

GD Chaves 0-0 (3-2 g.p.) FC Porto: Em Chaves tens de ser valente!

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Numa eliminatória da Taça marcada, mais uma vez, pelo regresso tardio dos internacionais aos trabalhos dos respetivos clubes, o FC Porto deslocou-se a Chaves para defrontar o Desportivo local, com sérias ambições de seguir em frente na prova…mas as perninhas tremeram. Nuno Espírito Santo surpreendeu ao colocar de início dois jogadores que poucos minutos haviam somado esta época: André André e Varela. Se a entrada do primeiro se compreende, uma vez que A. André era um nome com fortes possibilidades de figurar no onze inicial, já a do segundo causa alguma estranheza por ser feita em detrimento de Brahimi, que se apresentou em bom nível ao serviço da sua selecção e acalentava esperanças de voltar a ser titular.

À parte disso, os dragões apresentaram-se no esquema habitual, em 4-1-3-2, com Sá para o lugar de Casillas na baliza, Maxi, Felipe, Marcano e Telles a completarem o quarteto defensivo habitual, Danilo a assumir as rédeas do meio campo, Varela na direita, A. André na esquerda e Otávio como maestro no apoio aos avançados Jota e André Silva. O início do jogo foi aquilo que se esperava, como é habitual nos jogos da Taça, com o Chaves a criar alguns calafrios com rápidos contra ataques e cruzamentos perigosos a aproveitar as dificuldades que Alex Telles estava a sentir com as constantes subidas de Perdigão e Paulinho. Só a partir do quarto de hora o FC Porto conseguiu assentar o seu jogo, baseado em transições rápidas, bem delineadas pela dupla atacante. Mas aqui reside um problema antigo: a finalização continua desafinada e exemplo perfeito disso é o minuto 22, quando Jota, isolado por André Silva, contorna o guarda redes na quina da área, perde ângulo, deixa atrás para Otávio que, mesmo estando a 25 metros da baliza, tem obrigação de rematar enquadrado quando esta está deserta. E a contenda foi-se mantendo até ao intervalo.

André Silva falhou o último penálti do FC Porto; Fonte: FC Porto
André Silva falhou o último penálti do FC Porto;
Fonte: FC Porto

A etapa complementar não trouxe novidades, à exceção do número de remates dos azuis e brancos, que foi subindo para a casa das duas dezenas. Aqui há a destacar a enorme exibição de António Filipe, sempre atento a negar as tentativas de André Silva, Jota e Varela. Também infeliz esteve André André, quando viu uma bola que levava o selo de ‘golo do ano’ ser-lhe devolvida pela barra que, segundo relatos de quem viu, ainda está neste momento a abanar. O Porto carregava, o Chaves remetia-se à defesa, mas a bola teimava em não entrar e, finalmente, NES percebe que tem de mexer. Aos 78’ entra a torre belga lá para o meio, tentando beneficiar do jogo mais direto que os portistas imprimiam na fase final, e sai Var…Otávio?! Sai Otávio, que estava cansado é certo, mas continua em campo o jogador mais errático da noite: Silvestre Varela. Mas do ‘drogba da caparica’ falaremos depois. Isto porque a noite era, mais uma vez, negra em termos de aproveitamento. Nem Depoitre, nem a sociedade Jota-Silva conseguia fazer as redes balançar. E chegávamos ao prolongamento. Ninguém merece tamanho sofrimento.

Para a meia hora final (que não o foi) NES opta por Layún e Evandro, deixando de fora A. André e Varela. Nuno fez, finalmente, a sua parte. Agora só faltava alguém substituir o…árbitro. João Capela padece da mesma patologia que a maioria da secção arbitrária deste país: não consegue levar o apito à boca de cada vez que existe um penálti a favor do FC Porto. Hoje, foram mais dois (três se quisermos ser rigorosos) e, correndo sempre o risco de serem falhados, eram oportunidades soberanas para os dragões acabarem ali com um jogo em que foram francamente superiores e avassaladores durante os 120 minutos. Mas isso não bastou.

Penáltis: Os deuses do futebol não querem nada connosco. A maré (oceano, se preferir) de azar teima em ficar. É o segundo amargo de boca em menos de duas semanas, mas há que apontar já baterias ao importante teste de terça feira, na Dinamarca.

Têm a palavra Nuno Espírito Santo e os seus pupilos. Força mental precisa-se!

A Figura:
António Filipe – O guardião flaviense travou tudo. E quando não estava ele no caminho da bola, apareceu a sua barra amiga. Juntos, formaram uma parede ‘impossível’ de transpor. António Filipe bem que pode agradecer a falta de pontaria dos azuis e brancos, porque sair de Chaves com uma goleada confortável era o cenário que mais sentido faria. Mas não, o FC Porto cai na I Eliminatória da Taça, também por mérito do ‘keeper’ da casa.

O Fora de Jogo:
Silvestre Varela – 
Está uma sombra daquilo que foi e ainda poderia ser. Não corre, não acerta um passe, não cria desequilíbrios e, quero acreditar, aguentou tanto tempo em campo porque é uma mais valia na fase defensiva do jogo. Um desastre.

Ricardo Anselmo

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