Van Gaal: a solução para o bem e para o mal

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Conhecido pelo seu temperamento difícil, Louis Van Gaal é o homem escolhido para recolocar o Manchester United no lugar a que nos habituámos. Após uma época ridícula a todos os níveis, o clube inglês prescindiu – e bem – dos serviços de David Moyes. A aposta no escocês foi uma tentativa completamente falhada de reproduzir aquilo que Alex Ferguson deixara no clube. Num ano em que este colosso nem vai às competições europeias, exigia-se rapidez de acção por parte dos dirigentes do United. E assim foi. Van Gaal tem a missão de apontar de novo o clube às vitórias e qualidades para isso não lhe faltam.

Dono de um percurso invejável, com Ajax, Barcelona e Bayern de Munique no currículo, títulos são com ele. E é isso que se lhe pede em Old Trafford. Conhecido por balancear as suas equipas para o ataque, Van Gaal é um homem de difícil trato. Que o diga Rivaldo, por exemplo, sobre quem o holandês disse: «Eu gostava do Rivaldo antes dele vencer a Bola de Ouro de 1999. Eu adorava esse Rivaldo. Gostava dele porque ele era o melhor […]. Gostava do Rivaldo que tinha entusiasmo e empenho. Agora já mostrou que não tem qualquer vontade.» Por estas palavras se percebe que o novo “Sir” não olha a nomes quando a equipa está em primeiro lugar. Para Van Gaal, a equipa é “tudo” e por isso não destaca jogadores. Atitude, personalidade e método é (quase) tudo o que o treinador exige deles. O plano técnico e o talento futebolístico ficam, então, para um segundo plano.

Os egos de Van Persie e Rooney podem ser a maior dor de cabeça para Van Gaal Fonte: Fox Sports
Os egos de Van Persie e Rooney podem ser a maior dor de cabeça para Van Gaal
Fonte: Fox Sports

O Manchester United tem de ir ao mercado e de mexer-se bem, sem olhar muito aos custos que isso possa exigir. A limpeza do balneário começou com as saídas de Ferdinand e Vidic, às quais se juntou o fim de carreira de Giggs. Logo aqui, o clube inglês poupa uma fortuna em termos salariais. Como os ataques ganham jogos e as defesas campeonatos, essencial será, para já, reforçar o sector defensivo. Coleman, Mangala, Hummels ou Shaw parecem ser nomes que agradam ao conjunto inglês. No meio-campo, Carrick já não é o mesmo de há 5 anos atrás e Fletcher ou Cleverley são curtos para as ambições do clube. Alex Song e Toni Kroos poderiam ser, por exemplo, boas opções. No 4-3-3 tipicamente holandês, a dúvida estará em como fazer coabitar Rooney e Van Persie neste esquema. Parece difícil, mas Van Gaal terá a resposta

Sem Ferdinand, Vidic e Giggs, o United precisa de novos líderes.E é aqui que Van Gaal pode começar a ser solução para o mal. Suspeita-se que poderá querer entregar a braçadeira de capitão ao compatriota Robin Van Persie e, se for implacável nas suas decisões como lhe é reconhecido, não é de acreditar que Rooney fique satisfeito com esta resolução. Para além deste ponto, a pouca simpatia de Van Gaal para com os jornalistas pode, em Inglaterra, ser uma faca apontada a si próprio. Conciliar este temperamento com as reconhecidas qualidades que tem no treino e no jogo será o seu maior desafio. O risco é reduzido, pois não é de imaginar que se consiga fazer pior do que fez David Moyes. Van Gaal precisará de tempo por ser um treinador que gosta de impor o seu futebol e aquilo que imagina para a equipa, nem que para isso tenha de atropelar críticas de dirigentes, adeptos e imprensa. Se o tempo lhe for dado, Van Gaal é o homem certo para recolocar o United na estrada das vitórias

Francisco Vaz de Miranda
Francisco Vaz de Miranda
Apoia o Sport Lisboa e Benfica (nunca o Benfas ou derivados) e, dos últimos 125 jogos na Luz, deve ter estado em 150. Kelvin ou Ivanovic não são suficientes para beliscar o seu fervor benfiquista.                                                                                                                                                 O Francisco não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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