Publicidade

Van Gaal: a solução para o bem e para o mal

Francisco Vaz de Miranda · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Conhecido pelo seu temperamento difícil, Louis Van Gaal é o homem escolhido para recolocar o Manchester United no lugar a que nos habituámos. Após uma época ridícula a todos os níveis, o clube inglês prescindiu – e bem – dos serviços de David Moyes. A aposta no escocês foi uma tentativa completamente falhada de reproduzir aquilo que Alex Ferguson deixara no clube. Num ano em que este colosso nem vai às competições europeias, exigia-se rapidez de acção por parte dos dirigentes do United. E assim foi. Van Gaal tem a missão de apontar de novo o clube às vitórias e qualidades para isso não lhe faltam.

Dono de um percurso invejável, com Ajax, Barcelona e Bayern de Munique no currículo, títulos são com ele. E é isso que se lhe pede em Old Trafford. Conhecido por balancear as suas equipas para o ataque, Van Gaal é um homem de difícil trato. Que o diga Rivaldo, por exemplo, sobre quem o holandês disse: «Eu gostava do Rivaldo antes dele vencer a Bola de Ouro de 1999. Eu adorava esse Rivaldo. Gostava dele porque ele era o melhor […]. Gostava do Rivaldo que tinha entusiasmo e empenho. Agora já mostrou que não tem qualquer vontade.» Por estas palavras se percebe que o novo “Sir” não olha a nomes quando a equipa está em primeiro lugar. Para Van Gaal, a equipa é “tudo” e por isso não destaca jogadores. Atitude, personalidade e método é (quase) tudo o que o treinador exige deles. O plano técnico e o talento futebolístico ficam, então, para um segundo plano.

Os egos de Van Persie e Rooney podem ser a maior dor de cabeça para Van Gaal Fonte: Fox Sports
Os egos de Van Persie e Rooney podem ser a maior dor de cabeça para Van Gaal
Fonte: Fox Sports

O Manchester United tem de ir ao mercado e de mexer-se bem, sem olhar muito aos custos que isso possa exigir. A limpeza do balneário começou com as saídas de Ferdinand e Vidic, às quais se juntou o fim de carreira de Giggs. Logo aqui, o clube inglês poupa uma fortuna em termos salariais. Como os ataques ganham jogos e as defesas campeonatos, essencial será, para já, reforçar o sector defensivo. Coleman, Mangala, Hummels ou Shaw parecem ser nomes que agradam ao conjunto inglês. No meio-campo, Carrick já não é o mesmo de há 5 anos atrás e Fletcher ou Cleverley são curtos para as ambições do clube. Alex Song e Toni Kroos poderiam ser, por exemplo, boas opções. No 4-3-3 tipicamente holandês, a dúvida estará em como fazer coabitar Rooney e Van Persie neste esquema. Parece difícil, mas Van Gaal terá a resposta

Sem Ferdinand, Vidic e Giggs, o United precisa de novos líderes.E é aqui que Van Gaal pode começar a ser solução para o mal. Suspeita-se que poderá querer entregar a braçadeira de capitão ao compatriota Robin Van Persie e, se for implacável nas suas decisões como lhe é reconhecido, não é de acreditar que Rooney fique satisfeito com esta resolução. Para além deste ponto, a pouca simpatia de Van Gaal para com os jornalistas pode, em Inglaterra, ser uma faca apontada a si próprio. Conciliar este temperamento com as reconhecidas qualidades que tem no treino e no jogo será o seu maior desafio. O risco é reduzido, pois não é de imaginar que se consiga fazer pior do que fez David Moyes. Van Gaal precisará de tempo por ser um treinador que gosta de impor o seu futebol e aquilo que imagina para a equipa, nem que para isso tenha de atropelar críticas de dirigentes, adeptos e imprensa. Se o tempo lhe for dado, Van Gaal é o homem certo para recolocar o United na estrada das vitórias

Francisco Vaz de Miranda

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quando a tática explica tudo e, mesmo assim, passa para 2.º plano | Torreense

Não é que a tática não seja importante. Ela é, aliás, crucial para entender o jogo e o seu caminho. Ainda assim, depois de dois golos dos descontos e de uma nova vitória - a primeira em casa - do Torreense, qualquer pensamento, qualquer sentimento, qualquer nota sobre o jogo tende a lembrar a magia de, não um, mas dois golos anotados nos descontos para mudar completamente o resultado e o apelo de um clube a uma prova. Só a tática, na forma como o Torreense se organizou 11x10, 10x11 e 10x10, explica uma vitória construída com base em pensamento, em estrutura e em alterações constantes, num dinamismo tal que precisa de múltiplos cantos para escrever uma epopeia. Mas também só a emoção ou, pelo menos, a capacidade de a exteriorizar, explica a forma como, quando todos já poderiam deitar a toalha ao chão, um clube da Segunda Liga se consegue superiorizar na Europa e, depois de sofrer uma reviravolta, responder na mesma moeda, depois de, em casa, perder pontos nos descontos, recuperá-los e triplicá-los. 

Diogo Ribeiro · 9 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.