André Veras está na Tribuna VIP do Bola na Rede. É diretor-desportivo e já trabalhou em diversos clubes, entre os quais Braga, Torreense, Trofense e Anadia. Aqui, analisa o papel do dirigente desportivo em Portugal.
Quando a época começa a caminhar para o seu final, é bastante importante que a preparação do futuro já esteja em andamento. Quem tem os objetivos praticamente cumpridos, pode incorrer na ilusão e deixar que se instale uma falsa sensação de tranquilidade nos clubes. Para os adeptos, é tempo de desfrutar. Para a equipa técnica, de gerir o que resta da época. Mas para o diretor desportivo, inicia-se, provavelmente, o momento mais importante de todo o ano. É agora que se começa a ganhar, ou a perder, a próxima época. Um clube que já atingiu os seus objetivos não pode cair no erro da acomodação.
E é aqui que o papel do diretor desportivo se torna crítico. Compete-lhe olhar para o plantel com distanciamento e tomar decisões que, muitas vezes, não são populares nem do agrado da maioria dos “adeptos e simpatizantes”, mas são necessárias. Há opções que têm de ser colocadas, como por exemplo:
- Manter a base da equipa
- Contratar jogadores que podem acrescentar valor
- Renovar com jogadores que ainda podem ser uteis à equipa.
- Dispensar ou libertar quem já não encaixa ou não teve o rendimento esperado.
- Antecipar potenciais vendas inesperadas.
- Identificar oportunidades no mercado antes da concorrência
Tudo isto exige visão estratégica, conhecimento profundo do jogo e sobretudo capacidade de decisão, mediante a estrutura do clube. Quem tem os objetivos desportivos já cumpridos, pode olhar para uma tarefa menos complicada, mas atendendo ao estado atual do nosso futebol, há outros fatores, principalmente de ordem financeira, que acabam por causar dores de cabeça, quando se olha para o que aí vem.
Para quem não tem a sua situação classificativa definida, o tempo também é de trabalho. O guião é igual ao utilizado por quem já sabe com o contar em termos competitivos. Tudo deve ser feito da mesma forma, tudo! A grande diferença está no “se” e no dobro ou triplo do trabalho.
A análise obriga a organizar vários planos, de acordo com os possíveis cenários classificativos, os contactos, as propostas, estão sempre condicionados ao “se”, com os riscos que tal acarreta. Mais trabalho, um autêntico quebra-cabeças, mas não se pode parar.
O risco de hipotecar a época seguinte obriga a trabalhar no “arame”.

