Não foi uma passagem duradoura ou de grande sucesso, mas não foi há muito tempo que vimos Jan-Niklas Beste em Lisboa vestido de vermelho e branco. O ala alemão chegou ao Benfica no verão de 2024 e saiu pela mesma verba que (oito milhões de euros) no mercado seguinte, em janeiro de 2025. De volta a casa, desta feita enquanto jogador do Friburgo, Beste é um habitual titular e tem tido mais protagonismo do que em Lisboa. Com ambições europeias, pode ser um fator importante na eliminatória frente ao Sporting de Braga.
Jan-Niklas Beste é um jogador bastante veloz e com recursos limitados a nível do drible, é competente defensivamente, mas é em zonas mais avançadas onde faz a diferença. É dono de um pé esquerdo forte a nível do passe e remate, o que o torna um jogador capaz ao nível da execução no último terço e é especialista em bolas paradas. Com este perfil específico e amplo ao mesmo tempo, Beste tem desenvolvido uma polivalência tática apreciada pelos treinadores, fazendo todo o corredor esquerdo e ainda a função de extremo direito.


Quando foi contratado para o Benfica, por Roger Schmidt, Beste jogava a defesa esquerdo, num sistema que pedia o envolvimento dos laterais no momento ofensivo, querendo tirar proveito da capacidade de chegada e de largura do alemão. Quando Bruno Lage assumiu a cadeira técnica dos encarnados, este nunca olhou para Beste como um lateral, mas sim como uma opção para terrenos mais avançados. Além disso, Beste era muitas vezes utilizado para equilibrar a equipa taticamente, fechando numa linha de cinco. Tendo cada vez menos tempo de jogo, o jogador acabou por não se adaptar totalmente ao clima e ao campeonato português e regressou à Alemanha, apenas seis meses depois.
De regresso à sua terra natal, Beste demorou a encontrar o seu espaço e a temporada de 2024/2025 foi mesmo para esquecer, onde o jogador voltava a ser suplente. Não obstante, foi a partir da temporada 2025/2026 que Beste se assumiu como um dos principais titulares deste Friburgo e uma peça pilar no jogo dos alemães, jogando como extremo direito.
Sob o comando de Julian Schuster, Beste é responsável por dar largura ao corredor direito a todo o campo, como podemos observar pelo seu mapa de calor:


Fonte: Sofascore
Como o próprio mapa sugere, o alemão não é descartado de tarefas defensivas, até porque o Friburgo passa alguma parte do tempo sem bola. Nesse prisma, Beste tem sido dos melhores jogadores defensivos da Bundesliga, vencendo a maioria dos duelos que disputou e estando no percentil 94 no que toca a ações defensivas no campeonato.


Fonte: FotMob
Por fim, Beste destaca-se neste coletivo do Friburgo pela capacidade de criação, quando consegue fazer valer a sua capacidade de cruzamento. É dos jogadores com maior taxa de cruzamentos com sucesso do campeonato e cria, em média, duas oportunidades de golo por jogo provenientes desse gesto técnico.
É seguro afirmar que Beste não é um jogador perfeito, tem dificuldades técnicas visíveis, não tem recursos ao nível do drible quando se encontra em situações de 1×1 e está longe da sua forma no Heidenheim, onde foi destaque no campeonato alemão e que lhe valeu um bilhete de ida para Lisboa. No entanto, enquanto titular com habitual rotação com o banco de suplentes, tem sido importante defensivamente neste coletivo do Friburgo e traz perigo na bola parada, estando agora a lutar pela oportunidade de jogar numa final europeia.
