Um Sporting que incomoda é um Sporting no caminho certo

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Há um ditado popular que ilustra o que se passa constantemente no futebol português. “Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão” ilustra pelo menos o facto de que quando se está na mó de baixo se reclama muito mais.

Aconteceu com os Sportinguistas, e está agora acontecer com outros. Quem está em primeiro lugar é que nunca reclama, isso é certo. Apenas fala para se defender dos ataques de quem vem atrás. Tem a faca e o queijo na mão.

Assim sendo o Sporting deveria ser dos que deveria estar a reclamar em vez de estar a ser atacado. A questão é que neste momento se está a aproximar um dérbi que ainda pode relançar a luta pelo lugar que dá acesso direto à “Champions League”, neste caso quem tem o pássaro na mão são os leões.

Ora, em Portugal tem-se implementado uma teoria de que quem mais reclama mais ganha, e assim sendo, como está a chegar a data de um jogo que pode ser definitivo nas aspirações de quem o disputa, tanto para o Sporting que pode ver o primeiro lugar praticamente impossível de ser alcançado, como para o terceiro que pode ter que sair do jogo conformado com a necessidade de ter de jogar playoff de acesso à liga milionária, começam a ouvir-se vozes cada vez mais estridentes, reclamando para si a injustiça de que eles se sentem alvo.

Sporting
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

É que desse lado há falta de pontos como de pão para a boca, o que lhes baixa os níveis de glicémia, tornando-os mais irritadiços e menos tolerantes a contrariedades. Como os níveis de açúcar baixam, partes do corpo deixam de responder de forma eficiente o que lhes tolda o raciocínio. Tudo isso faz com que não entendam que o verdadeiro problema de estarem com tantos pontos de atraso para os rivais pode não ter a ver tanto com terceiros mas com eles próprios. E aqui fica um conselho de graça – O primeiro passo para a reabilitação é reconhecer a tua falha.

Quem parece estar a reabilitar-se desses males é o Sporting, ainda que tenhamos de levantar a voz quando há situações que não lembram ao VAR, desculpem, ao diabo. E meu deus, houve lances em Guimarães que pareciam alucinações… Houve ali problemas de níveis de glicémia para quem estava a olhar para os ecrãs do VAR, de certeza.

Essa reabilitação deve-se muito a Rúben Amorim. Ele sentiu-se verdadeiramente lisonjeado com a comunicação que o clube rival fez nos momentos imediatos ao término do jogo do Sporting por perceber que estamos fortes o suficiente para incomodar, para que nos temam, e para que sintam necessidade de levantar a voz como um canto de pássaro em perigo a pedir ajuda aos seus “pares”.

Agora cabe ao Sporting, no próximo dérbi, mostrar-se de tal forma superior que nenhuma ajuda que possa estar a ser preparada consiga retirar-nos a vitória. A ajuda virá com certeza, por isso temos de ter o máximo foco tendo noção que, apesar de irmos defrontar um colectivo inferior, enfrentamos grandes jogadores, e caros, que podem resolver um jogo, principalmente quando vão defrontar um adversário forte, o que os motiva mais.

Amorim reage de forma irónica às críticas do Benfica à arbitragem: “Esse é o maior elogio que nos podem dar. Esta equipa técnica conseguiu que o Sporting fosse beneficiado pelas arbitragens, é um milagre que conseguimos, não tenho mais nada a dizer.” pic.twitter.com/VpVQctLEG7

— Cabine Desportiva 🇺🇦 (@CabineSport) April 3, 2022

De uma coisa podemos ter a certeza, é assim que queremos estar. Enquanto reclamarem que estamos mais fortes apenas porque os estão a prejudicar, ou nos estão a beneficiar, é sinal de que estamos à frente. Nunca mais queremos estar em posição de ouvirmos pessoas afectas aos nossos rivais proferirem afirmações do tipo “O futebol português precisa de um Sporting forte”.

Enquanto eles não “pedirem” um Sporting forte é sinal de que estamos verdadeiramente fortes. Cabe-nos mantê-los a reclamar pelo nosso “pão”.

Agora, espero que o Sporting consiga “obrigá-los” a comer o pão que o diabo amassou.

 

Nuno Almeida
Nuno Almeidahttp://www.bolanarede.pt
Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.

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