Arbitragens, um problema antigo

- Advertisement -

O Sexto Violino

Quem viu o jogo com o Marítimo, no último fim-de-semana, pôde observar duas coisas: em primeiro lugar, ficou claro que o Sporting tem, ao contrário do que acontecia em anos anteriores, capacidade para virar um jogo que não lhe está a correr favoravelmente; em segundo lugar, continua a ser uma evidência que o futebol português continua a ser dominado, sem qualquer margem para dúvidas, por clubes que não o Sporting.

Dito isto, vou estabelecer aqui um ponto prévio que não deveria ser necessário mas que muitas vezes um sportinguista que critique o chamado “sistema” se sente quase obrigado a fazer, para que as suas palavras não sejam mal interpretadas: não quero, como estou certo de que a esmagadora maioria dos sportinguistas também não quer, que o Sporting substitua o Porto enquanto clube do sistema. Desejo apenas ver aquilo que nunca vi desde que acompanho o futebol português: que haja um campeonato sem casos, nomeadamente casos que beneficiam e prejudicam sempre os mesmos. Mas, a julgar pelo jogo de sábado, essa realidade está ainda muito longe de acontecer.

As faltas a meio-campo, aparentemente inocentes mas que condicionam o jogo e que iam sendo sancionadas ao Sporting e perdoadas ao adversário, permitiram perceber desde cedo que a arbitragem de Bruno Esteves iria ser, na perspectiva dos sportinguistas, no mínimo irritante. Se tivesse oportunidade para fazer algo mais, fá-lo-ia. E teve. O penalti do Marítimo, a agressão a Capel, o lance (duvidoso, é certo) que o guarda-redes forasteiro defende no limite da linha de baliza e o penalti por assinalar após mão na bola do jogador adversário a remate de William Carvalho confirmaram a má-fé do juiz da partida, assinalando tudo o que podia contra o Sporting.

"Bruno Esteves foi o árbitro de mais um jogo em que o Sporting teve muitas razões de queixa no seu próprio estádio / Fonte: http://perlbal.hi-pi.com/
“Bruno Esteves foi o árbitro de mais um jogo em que o Sporting teve muitas razões de queixa no seu próprio estádio / Fonte: http://perlbal.hi-pi.com/

Um sportinguista já viu jogos suficientes para perceber que os erros dos árbitros são muito mais do que meros dias infelizes que toda a gente tem direito a ter. As más decisões são muitas vezes fruto de um futebol viciado, que continua a ser dominado pelo Porto, e é bom que todos tenhamos isso bem presente. Posto isto, vale a pena assinalar o longo caminho que o Sporting de Bruno de Carvalho tem ainda a percorrer – não no sentido de destronar e substituir o Porto enquanto principal agente dos bastidores do futebol português, como já disse, mas sim com o objectivo de fazer com que o Sporting volte a ganhar o respeito e o poder de decisão que perdeu. Porque, apesar de tudo, não podemos esquecer que uma parte importante daquilo que se passa no futebol português é decidida nos corredores, e há que estar atento para que as manobras que se tem passado nos últimos 30 anos não sejam em breve mais do que uma simples memória.

Daqui a três dias joga-se o maior dérbi do futebol português, que vale a continuidade na Taça de Portugal. O adversário que nos calhou em sorte não poderia ser mais complicado, mas acredito que o Benfica pense o mesmo de nós. Em termos estatísticos, dificilmente o clube da Luz perde dois jogos seguidos, pelo que caberá ao Sporting contrariar essa tendência e conseguir ultrapassar este obstáculo. Por outro lado, a parte positiva de jogar contra o velho rival, ainda para mais fora de casa, é que os adeptos serão compreensivos perante uma eventual derrota – que, contudo, nunca será bem-vinda. É por isso que a equipa vai ter de dar o melhor de si, de preferência corrigindo erros tanto na defesa como a nível de agressividade que foram visíveis no jogo recente com o Porto. O resultado é, como sempre acontece nestes jogos, imprevisível, mas a maior invasão de adeptos sportinguistas à Luz em muitos anos pode ajudar a empurrar a equipa para a vitória.

Subscreve!

Artigos Populares

Cluj de António Folha goleado com chapa 5 e favoritos vencem: eis os resultados dos 36 jogos da Conference League

Foram 36 jogos na 3.ª pré-eliminatória da Conference League. António Folha, o único treinador português em ação, viu o Cluj ser goleado.

Anderlecht de Vítor Bruno dá passo em frente, Universitatea Craiova de Filipe Coelho empata e Pafos de Ricardo Sá Pinto teve de lidar com...

Mais um dia de Europa League. Vítor Bruno no Anderlecht, Filipe Coelho no Universitatea Craiova e Ricardo Sá Pinto no Pafos com sortes distintas na prova.

Marco Silva faz o rescaldo da goleada do Benfica contra o Hearts em conferência de imprensa

Marco Silva analisou com maior profundidade o encontro entre o Benfica e o Hearts, jogo da Europa League.

Wouter Vrancken fala no futuro de Cláudio Braga e elogia Benfica com sublinhado: «Tivemos 2 penáltis estúpidos e isso não ajudou»

Wouter Vranckcen já reagiu ao encontro entre o Benfica e o Hearts, partida relativa à terceira eliminatória da Europa League.

PUB

Mais Artigos Populares

Gianluca Prestianni assinala importância do golo marcado e lança 2ª mão: «O Benfica obriga-te sempre a ganhar em todos os campos»

Gianluca Prestianni já reagiu ao encontro entre o Benfica e o Hearts, partida relativa à terceira eliminatória da Europa League. Encarnados venceram.

Cláudio Braga recusa impossíveis depois da goleada sofrida e lamenta: «Não jogámos o nosso jogo por respeitar demasiado o Benfica»

Cláudio Braga já reagiu ao encontro entre o Benfica e o Hearts, partida relativa à terceira eliminatória da Europa League. Encarnados venceram.

Os 5 destaques do Benfica 6-1 Hearts

O Benfica e o Hearts enfrentaram-se durante a noite desta quinta-feira, num encontro pelo acesso à Europa League.