Pedro Neto é um daqueles casos curiosos do futebol moderno: toda a gente reconhece o talento, quase todos gostam do jogador, mas raramente surge no centro do debate quando se fala das grandes figuras da Premier League. E, no entanto, olhando para o que fez nas últimas duas temporadas, é difícil justificar esse silêncio.
Depois de anos em que o talento era questionado pelas sucessivas lesões que lhe davam mais tempo de fisioterapia do que de jogo, Pedro Neto conseguiu provar o seu valor enquanto um dos melhores jogadores portugueses na liga inglesa. Voltou a ser aquele extremo desequilibrador, explosivo, capaz de ganhar metros com bola, de destabilizar defesas organizadas e de criar perigo a partir do nada.
Nos Wolves, Pedro Neto foi claramente o jogador mais influente no último terço; no Chelsea, chegou e não demorou a mostrar por que motivo foi contratado… Não fosse ele dono e senhor da intensidade, verticalidade e uma noção muito clara do que pede o jogo inglês.


O que mais impressiona no número sete do Chelsea é a forma como combina velocidade com critério. Ele não é apenas um extremo que corre muito. Há intenção nos movimentos, há leitura do espaço, há capacidade para assistir e para decidir rápido em transição.
Nas últimas duas épocas, os números em assistências e ações decisivas acompanham o impacto visual que Pedro Neto tem em campo. É daqueles jogadores que fazem a equipa jogar mais alta, que empurram o adversário para trás e que libertam colegas em zonas interiores. Um autêntico Ás de Trunfo numa mão na última jogada.


Neste Chelsea, que também já teve dias mais felizes, Pedro Neto acabou por ser algo que muitos treinadores valorizam mais do que admitem… é fiável. Apesar de ser um elemento que nem sempre é brilhante, é quase sempre útil. Não é a estrela mediática da equipa, mas é uma peça que encaixa em vários contextos e sistemas, e isso torna-o fundamental num clube que ainda procura uma identidade definitiva. Passando a redundância do nome que ecoa em quase todas as minhas opiniões, faz lembrar um Diogo Jota num clube de Salah, Van Dijk, Luís Diaz e Darwin.
Claro que não é um jogador isento de erros, mau era se assim fosse (significa que atingiria um nível de perfeição superior a Maradona). Por vezes, ainda falha na definição no último toque, especialmente quando procura o golo em vez do passe simples. Há jogos em que Pedro Neto desaparece durante largos períodos, muito por culpa de decisões precipitadas ou de alguma previsibilidade quando é bem marcado, e ainda podia assumir mais vezes o jogo, ser mais “egoísta” quando a equipa precisa de alguém que arrisque.


Mesmo assim, a sensação é que Pedro Neto está a ser, de certa forma, esquecido. Fala-se dos jovens promissores, das contratações milionárias, das estrelas que ainda “vão explodir”, mas raramente se sublinha quem já entrega rendimento real, semana após semana.
Pedro Neto não faz muito barulho, não vive de momentos virais, mas soma minutos, impacto e consistência, algo que é bastante raro num Chelsea em construção.
Não será injusto dizer que não é o rosto do projeto, mas é claramente um dos seus pilares. Um jogador que eleva o nível competitivo da equipa, que entende o jogo e que, finalmente livre de fantasmas físicos, parece pronto para se afirmar de vez.
Talvez não seja esquecido por falta de qualidade, mas porque o futebol, tantas vezes, prefere promessas a certezas. E Pedro Neto, hoje, é muito mais certeza do que promessa.

