Análise às equipas #9: Mercedes, a vida depois do “Rei” e a afirmação de uma nova era

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A temporada de 2025 da Mercedes foi, acima de tudo, um exercício de libertação e competência. Sob a liderança de Toto Wolff a equipa provou que a saída de Lewis Hamilton não foi o fim de uma era, mas o início de outra.

A Mercedes não foi a segunda equipa de forma incontestada durante todo o ano, mas foi, sem dúvida, a que mais tempo se manteve próxima da McLaren. Numa época em que a Red Bull e a Ferrari oscilaram entre o brilhantismo e o caos, a estrutura de Brackley afirmou-se como o exemplo máximo de consistência técnica e operacional.

O W16: a força da consistência

O W16 não terminou o ano como o carro a bater em ritmo de corrida, esse trono pertenceu quase sempre à McLaren, mas foi o monolugar que permitiu à Mercedes lutar em todas as frentes. Depois de anos perdidos em conceitos aerodinâmicos falhados, a equipa encontrou finalmente uma plataforma estável e previsível.

O grande mérito da Mercedes em 2025 esteve na capacidade de desenvolvimento. Sem ser o projeto mais radical da grelha, o W16 foi aquele que melhor reagiu às atualizações, permitindo à equipa capitalizar sempre que os rivais diretos cometiam erros.

George Russell: o líder que a equipa precisava

Embora não tenha lutado verdadeiramente pelo campeonato de pilotos, George Russell realizou uma das temporadas mais completas da sua carreira. Com a saída de Lewis Hamilton, herdou as “chaves de casa” e assumiu a liderança com uma naturalidade impressionante.

George Russell foi, para muitos, um dos pilotos do ano. Mais do que a velocidade pura, mostrou uma maturidade estratégica, uma leitura de corrida apurada e uma capacidade de liderança que o colocaram noutro patamar. Em 2025, deixou definitivamente de ser a promessa para se tornar a garantia de que a Mercedes tem um piloto capaz de vencer em qualquer circunstância.

Kimi Antonelli: talento precoce, maturidade inesperada

A entrada de Kimi Antonelli na Fórmula 1 foi, provavelmente, a estreia de um rookie com mais pressão na última década. Substituir a maior lenda do desporto aos 18 anos, numa equipa de topo, é um fardo que poderia ter esmagado muitos talentos. Kimi Antonelli, porém, respondeu com personalidade.

O jovem italiano confirmou o seu lugar entre os melhores rookies do ano, exibindo uma velocidade bruta impressionante e uma curva de aprendizagem rápida.

Cometeu erros naturais da idade, mas a forma como reagiu e a serenidade com que lidou com o mediatismo em torno da aposta de Toto Wolff foram sinais claros de que o talento vem acompanhado de cabeça fria. O futuro da Mercedes começou a ganhar forma, e fala italiano.

A ironia do destino

Olhando para o desfecho de 2025, a ironia é impossível de ignorar. Enquanto Lewis Hamilton e a Ferrari procuravam uma bússola que nunca apareceu, a Mercedes reencontrou o rumo. A equipa de Toto Wolff provou que a sua força reside na estrutura e não apenas na individualidade.

A Mercedes fecha 2025 consolidada como a alternativa mais sólida à McLaren. Com um George Russell em estado de graça e um Kimi Antonelli pronto para dar o salto definitivo em 2026. A equipa alemã vive, finalmente, de um presente competitivo e de um futuro que lhes pertence.

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