Análise ao mercado de Inverno do Benfica

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O mercado de inverno do Benfica encerrou sem as movimentações de que muitos adeptos esperavam. Num mês onde se criou a expectativa de um ataque forte para corrigir a trajetória da época, a realidade é que Rui Costa e Mário Branco protagonizaram um mercado longe do desejado. A mensagem para a segunda metade da época é clara: José Mourinho terá de ir à guerra com armas que não escolheu.

Como é sabido, a construção deste plantel no verão não teve a mão de José Mourinho. Por isso mesmo, esta janela de transferências representava a oportunidade para trazer jogadores com a cara do treinador e colmatar lacunas. No entanto, a direção optou pela cautela financeira face à incerteza da entrada na Champions League e à distância pontual na Primeira Liga, desperdiçando o momento para ajustar o perfil da equipa às exigências do treinador.

Sidny Cabral Benfica
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

A gestão da lateral esquerda é o espelho desta descoordenação. Faltava claramente uma opção válida para competir com Samuel Dahl, visto que Rafael Obrador nunca contou e acabou por sair. A resposta do mercado foi Sidney Cabral. Na teoria, um reforço útil pela versatilidade de jogar nas duas laterais, mas cuja utilização prática tem sido um equívoco. Ultimamente, o jogador tem contado mais como extremo esquerdo, quando a urgência da equipa estava no jogador ser uma opção útil para as laterais.

Como se viu no recente jogo em Tondela e nas dificuldades de finalização da equipa, o Benfica sofre com a falta de referências no último terço. A equipa precisa desesperadamente de um extremo ou avançado interior goleador, alguém capaz de garantir números próximos dos 15 golos por época, tal como fizeram recentemente Di María ou Kerem Akturkoglu.

Rafa Silva no Benfica
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Na teoria, esse jogador é Rafa Silva, a grande novidade deste mercado. Apesar de não ser um ‘mestre’ da finalização, o português tem uma capacidade de chegada e de rutura que o plantel não tinha. A sua contratação só fará sentido se o rendimento for imediato, o Benfica não tem tempo para adaptações e o jogador tem de assumir a responsabilidade para libertar Vangelis Pavlidis da crise de confiança.

Falou-se muito do interesse em Lorenzo Lucca ou André Luís para o ataque, mas as suas não contratações acabam por ser a decisão mais racional, ainda que pelos piores motivos. Não faria qualquer sentido o Benfica gastar mais dinheiro num ponta-de-lança quando tem um jogador que custou mais de 20 milhões de euros sentado no banco. Franjo Ivanovic foi um investimento colossal que é, na prática, a última opção para o ataque, tendo sido ultrapassado não só pelo titular, mas até pelo jovem de 17 anos Anísio Cabral. Ter 20 milhões no banco é um luxo de gestão que o Benfica não se pode dar.

Anísio Cabral Benfica
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Pedir uma revolução em janeiro seria desconhecer a realidade do mercado. O que se podia pedir eram ajustes mais assertivos, mas a fatura que o Benfica está a pagar agora foi passada no verão. José Mourinho está a trabalhar com um plantel que não é o seu, tentando corrigir em andamento os erros de quem planeou a época com Bruno Lage ao leme. Este mercado seria mais para preparar a época 26/27, algo que não aconteceu.

Duarte Rêgo
Duarte Rêgohttp://www.bolanarede.pt
O Duarte é mestre em Ciências da Comunicação – Media e Jornalismo e licenciado em Som e Imagem. Colabora com o BnR como redator de opinião e fotógrafo, unindo a paixão pelo desporto à cobertura visual e escrita.

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