A deslocação do Braga a Budapeste acabou por ser mais complicada do que aquilo que os minhotos provavelmente antecipavam. Frente a um Ferencváros muito intenso e bem preparado para aquilo que costuma ser o jogo bracarense, a equipa de Carlos Vicens nunca conseguiu verdadeiramente controlar o ritmo da partida. Os húngaros entraram com grande energia, pressionando alto e com referências individuais claras, tentando cortar desde cedo as linhas de construção do Braga. Ainda assim, os minhotos foram conseguindo, a espaços, sair desde trás com alguma qualidade, mas quase sempre sob pressão e sem transformar essa circulação em perigo real perto da baliza adversária. No final, o 2-0 acaba por encaixar bem naquilo que foi o jogo.
Taticamente, Vicens manteve a estrutura que tem sido habitual, o 3-4-3, mas com uma nuance que acabou por ter impacto na presença ofensiva da equipa. Os três jogadores da frente surgiam muitas vezes sem posições fixas, recuando para zonas de construção e tentando oferecer linhas de passe entre setores. A ideia passava por ajudar a ultrapassar a primeira linha de pressão do Ferencváros, mas essa movimentação retirava profundidade ao ataque e deixava o Braga muitas vezes sem presença suficiente na frente quando conseguia progredir no terreno. Curiosamente, o primeiro golo nasce precisamente de uma dessas tentativas de ligação vertical, um passe arriscado para um dos avançados que tinha descido no terreno acabou intercetado e deu origem à transição rápida que desbloqueou o marcador.
Sem bola, os minhotos foram alternando momentos de pressão com uma organização mais baixa, muitas vezes num 5-4-1. Rodrigo Zalazar e Ricardo Horta fechavam nos corredores laterais para ajudar a linha defensiva, enquanto Pau Víctor ficava mais adiantado à espera de possíveis transições. No entanto, a equipa portuguesa teve dificuldades para acompanhar a intensidade física do adversário, sobretudo nos duelos e nas segundas bolas. Em vários momentos faltou agressividade para travar as jogadas ainda na sua fase inicial, permitindo ao Ferencváros instalar-se com alguma frequência no meio-campo ofensivo.
Também aí se percebeu o trabalho feito pelos húngaros na preparação da partida. O Ferencváros mostrou ter estudado bem o Braga, sobretudo na forma como tentou anular o início de construção. Os avançados, apoiados pelo médio Fani, pressionavam diretamente os centrais bracarenses, fechando linhas de passe e obrigando a equipa portuguesa a arriscar bolas verticais ou a jogar mais longo do que é habitual. Várias recuperações surgiram exatamente nesses momentos de risco. Depois de ganhar a bola, o plano era simples, acelerar. A equipa explorou muitas vezes a capacidade física e a velocidade de jogadores como Joseph e Yusuf, tentando apanhar o Braga desorganizado.


Mesmo quando conseguiu ter mais bola, o Braga raramente encontrou espaços claros para ferir o adversário. A circulação existiu, mas faltaram acelerações no momento certo e presença suficiente na área para transformar posse em ocasiões de golo. Do outro lado, o Ferencváros foi sempre mais direto e confortável num jogo de duelos, transições e intensidade.
No fundo, a partida acabou por ser jogada muito nos termos da equipa húngara. Entre a pressão alta, a força física e a forma como conseguiu condicionar a construção bracarense, o Ferencváros foi construindo uma vantagem que acabou por defender sem grandes sobressaltos. Para o Braga, fica uma noite europeia menos conseguida e alguns sinais claros sobre aspetos que terão de ser ajustados quando o adversário consegue empurrar o jogo para este tipo de cenário.

