Após as meias-finais dos playoffs de apuramento para o Mundial, o lote de 22 possíveis participantes ficou reduzido a 12. No percurso que mais interessa a Portugal, a Jamaica eliminou a Nova Caledónia no México, adiando assim aquela que seria a primeira edição da competição com presença de duas seleções da Oceânia.
À espera para disputar a final estava já a República Democrática do Congo, nação que é vista como favorita por grande parte dos adeptos e analistas. Na próxima terça-feira, em Guadalajara, não haverá fator casa per se, mas conta-se com a presença de muitos apoiantes dos “reggae boyz”, que tentarão desequilibrar a balança para os lados do país caribenho.
Num duelo que muitos previam como desequilibrado, a Nova Caledónia conseguiu manter a esperança até aos últimos minutos. Valeu, acima de tudo, a eficácia da Jamaica que valeu um golo vespertino e a solidez defensiva e intensidade na pressão, que permitiram manter o adversário a zeros.
Mais conhecida pelos velocistas, a nação jamaicana não inscreve o seu nome na história dos mundiais FIFA desde 1998, primeira e única edição em que participou. Na altura, em território francês, a Jamaica foi eliminada na fase de grupos, apesar da vitória algo surpreendente frente ao Japão, na última jornada.
A globalização do futebol faz com que o plantel atual da Jamaica (atual 69.ª no ranking da FIFA) conte com alguns nomes sonantes, maioritariamente a atuar em Inglaterra. São os casos de Ethan Pinnock, Joel Latibeaudiere, Isaac Hayden, Bobby Reid ou Leon Bailey.
A 48.ª seleção no ranking da FIFA vê agora a luz ao fundo do túnel, depois de uma qualificação extremamente exigente. Na fase de grupos africana, a RDC ficou em segundo lugar, suplantada apenas pela fortíssima seleção do Senegal. Na segunda fase, eliminou dois habitués dos Mundiais, Camarões e Nigéria, para reservar o seu lugar no playoff intercontinental que agora enfrenta.
Na CAN 2025 (disputada no último Inverno), os congoleses sucumbiram nos oitavos de final às mãos da Argélia apenas após prolongamento. Na fase de grupos tinham conseguido duas vitórias e um empate frente ao Senegal, que seria “temporariamente” coroado campeão.
Não faltam credenciais a esta seleção, que tem no seu palmarés duas CANs (em 1969 e 1974) e mais recentemente dois Campeonatos Africanos das Nações (2009 e 2016). Agora, contam com estrelas reconhecidas dos palcos europeus como Masuaku, Tuanzebe, Wan-Bissaka, Bakambu, Wissa ou Banza, além do recordista de internacionalizações e bem conhecido dos portugueses Chancel Mbemba.
Não sendo uma equipa extremamente forte na finalização, a Jamaica poderá ainda assim causar problemas à nossa seleção. A velocidade dos seus extremos e potência física de alguns elementos serão características chave para dois momentos em que Portugal tem, ocasionalmente, falhado: a contenção do contra-ataque e a bola parada defensiva.
Quanto à formação africana, a solidez defensiva será um obstáculo duro de roer para Portugal, que tipicamente sente dificuldades ao enfrentar blocos compactos. A intensidade física no meio-campo é uma das principais armas de uma equipa que terá dificuldades em construir jogadas “com cabeça, tronco e membros” frente a um adversário tão experiente.
Qualquer uma das equipas chegará ao primeiro encontro do Mundial com níveis estratosféricos de motivação e uma mentalidade de “nada a perder” que poderá ser perigosa para a seleção de Portugal. Os primeiros minutos de jogo serão importantes para estabelecer dominância e chegar ao golo cedo poderá ser fulcral, sendo expectável que as fragilidades do adversário sejam expostas quando este tentar perseguir o resultado.
Veredicto: venha a Jamaica. Tendo em conta o histórico de resultados recentes e o estilo de jogo, a seleção da América Central parece ser um adversário ligeiramente mais acessível para Portugal. Dito isto, a RDC vai entrar em campo no próximo dia 31 com ligeiro favoritismo.
Seja qual for o qualificado, será também o primeiro adversário de Portugal no Mundial, com encontro marcado para dia 17 de junho em Houston, Texas. Caberá a Roberto Martinez (e restante equipa técnica) estar muito atento a esta final de playoff que, sendo disputada em território mexicano, será uma amostra representativa do que o oponente poderá fazer quando chegar a grande competição.

