Roberto Martínez falou sobre a importância de Cristiano Ronaldo para esta geração de jogadores portugueses, assim como o seu papel na Seleção Nacional.
Em declarações ao The Guardian, Roberto Martínez analisou as hipóteses de Portugal vencer o Mundial 2026, refletindo sobre o papel de Cristiano Ronaldo durante o torneio. Antes disso, o selecionador nacional destacou o facto de o capitão ter inspirado toda uma geração de jogadores:
«Quando anunciei a minha primeira convocatória na Bélgica, tive uma sensação muito, muito estranha de estar a ler muitos nomes de jogadores que não conhecia; por isso, quando cheguei a Portugal, fui visitar todos: 32 jogadores. Perguntei por que razão estavam na Seleção Nacional. Como chegamos ao futebol? Quem são os nossos heróis? O meu foi o meu pai, seguindo os Mundiais de 78 e 82. Há sempre alguma figura ali que explica por que gostam de chutar uma bola. Perguntei quem eram os ídolos deles. (…) É tão, tão especial, único, ter um jogador que deu 21 anos à Seleção Nacional. (…) Carlos Forbs nasceu em 2004, quando Cristiano Ronaldo já estava na Seleção. Quando os jogadores que cresceram a vê-lo observam o que ele dá todos os dias, eles seguem-no».
De seguida, revelou a sua primeira conversa com o avançado do Al Nassr:
«Quando o visitei, quis saber como ele se sentia. Jogadores com mais de 30 anos começam a pensar que talvez a pausa internacional seja um momento para respirar, regenerar. Mas a atitude do Cristiano Ronaldo é sempre: ‘Estou aqui para a Seleção, para o que for preciso».
Relativamente à capacidade de Cristiano Ronaldo aos 41 anos, o selecionador desvalorizou o debate à volta do tema e reforçou a sua confiança no melhor marcador da história da Seleção Nacional:
«Temos de aceitar que existe um debate porque só há um Ronaldo, um ícone histórico que mudou o futebol. Se entramos num elevador, a conversa é sobre o tempo ou sobre o Ronaldo. Todos têm uma opinião, mas baseia-se numa perceção do Ronaldo, num período dele. O maior erro que as pessoas cometem é não analisar o Ronaldo de hoje. Depois do Europeu foi: ‘Portugal não ganhou porque o Cristiano está a jogar’. Ganhamos a Liga das Nações e é: ‘O que fará Portugal quando o Ronaldo se reformar?. (…) Sempre achei que é o corpo que reforma um jogador, mas é a cabeça. A cabeça do Cristiano não tomou essa decisão aos 40, 41 anos. Um jogador de elite não é o talento, é a mentalidade, a resiliência. Ele não é o extremo do Manchester United ou do Real Madrid; é um camisola 9, um jogador de área. Dependemos dele para abrir espaços, marcar golos. Os últimos três anos do Cristiano na Seleção foram conquistados dia após dia: marcou 25 golos em 30 jogos. Eu avalio talento, experiência e a atitude. As decisões nunca são tomadas num escritório, são tomadas no campo. O futebol toma-as por mim».
Para Roberto Martínez, a convocatória é a pior parte do seu trabalho:
«É a única parte de que não gosto. (…) Há jogadores que não fizeram nada para merecer ficar de fora do Mundial, mas tu deixas de fora. Como lhes dizes? Honestamente. E vale a pena refletir sobre isso. O habitual é ter uma lista longa – 30, digamos – para o caso de lesões. Depois cortas três ou quatro, um por setor. Mas a experiência de fazer isso foi tão traumática que mudei as coisas. Foi outra coisa que aprendi. Escolherei uma lista de 26 e outros quatro que sabem que estão de reserva [não publicamente]. Dessa forma, se houver novidades, são boas notícias».

