O FC Porto empatou com o Famalicão em jogo da 28.ª jornada da Primeira Liga. Hugo Oliveira respondeu à questão do Bola na Rede em conferência de imprensa.
Hugo Oliveira analisou o empate entre FC Porto e Famalicão (2-2) na 28.ª jornada da Primeira Liga. O Bola na Rede esteve presente no Estádio do Dragão, e, no final do encontro, teve a oportunidade de colocar uma questão ao treinador dos famalicenses.
Lê também a questão colocada a Francesco Farioli, treinador do FC Porto.
Bola na Rede: A equipa do Famalicão mostrou-se muito organizada desde o início, dificultando que o FC Porto jogasse pelo corredor central e obrigando os centrais a recorrerem muitas vezes à bola longa. Pergunto-lhe, por um lado, se isso fazia parte da estratégia defensiva da equipa e, por outro lado, se o surpreendeu o bloco médio do FC Porto, que não pressionou tão alto a primeira fase de construção do Famalicão na primeira parte?
Hugo Oliveira: O Famalicão é sempre uma equipa organizada, não foi só hoje; a organização e disciplina são uma das imagens de marca da equipa. Depois, obviamente, esse era um dos planos sem bola: fechar o espaço central, cortar as ligações pelo meio do FC Porto e, quando a bola chegasse à largura, garantir cobertura para essa zona, porque o FC Porto tem jogadores nas alas extremamente agressivos no 1×1, criando até algumas permutas entre os jogadores que vêm de dentro e os que vêm de fora. Nós tínhamos de manter a nossa capacidade de pressionar e de saltar aos dois centrais em determinados momentos. Aqui tenho de enaltecer o trabalho de alguns jogadores: o jogo que o Gustavo Sá fez hoje foi de um nível muito, muito alto. Com bola, encontrava espaços e sabia para onde se virar; sem bola, sabia quando era o momento de saltar e quando não era. Um jogador com uma capacidade de interpretação tática fora do comum para alguém da sua idade, e caminhamos nesse sentido de desenvolvimento, é para isso que trabalhamos todos os dias. Obviamente, também tínhamos de encontrar os nossos caminhos para jogar. E não é só o FC Porto que decide não pressionar o nosso momento de construção; a dificuldade que criamos aos adversários passa por usar o nosso guarda-redes. O facto de construirmos o jogo com 11 jogadores cria naturalmente dificuldades: há sempre um homem livre, o que torna mais difícil para eles saltarem. O FC Porto é uma equipa pressionante, com poder para saltar, mas se não conseguem chegar a tempo depois de saltar ao guarda-redes, há sempre um homem livre. Sempre que encontramos esse homem livre, giramos e exploramos o espaço cego do FC Porto. Depois de criar, temos de definir, e é para isso que trabalhamos. Há coisas que temos de evoluir, de melhorar, mas acima de tudo, a vida é feita de momentos, e hoje queríamos dar essa alegria aos nossos adeptos. O FC Porto era, hoje, mais próximo de ser campeão nacional, um adversário extremamente forte, com uma campanha fortíssima, e mesmo assim bateu-se perante um Famalicão que teve coragem e jogou o seu jogo dentro deste ambiente. Mesmo depois de sofrer o 2-1 naquele minuto, o Famalicão não se vergou; foi atrás do empate. A vida, de vez em quando, devolve o que merecemos, e hoje devolveu.

