A temporada 2025/26 do Sporting ficou marcada por vários momentos de grande exigência competitiva, tanto nas competições internas como nas competições europeias. Apesar da qualidade do plantel leonino, houve um fator que condicionou várias fases da época: as lesões.
Ao longo da temporada, Rui Borges viu-se obrigado a reinventar soluções devido às ausências de jogadores importantes em setores fundamentais da equipa. Algumas dessas baixas acabaram por ter impacto direto na criatividade ofensiva, no equilíbrio do meio-campo e até na consistência exibicional do Sporting.
Entre todos os casos, houve cinco jogadores cuja ausência acabou por se revelar particularmente pesada para a equipa leonina. Estes foram os lesionados que mais fizeram falta ao Sporting em 2025/26:
1.


Pedro Gonçalves – Continua a ser um dos jogadores mais importantes do Sporting e a sua ausência voltou a ter um impacto enorme no rendimento ofensivo da equipa. O internacional português oferece criatividade, capacidade de decisão e uma enorme inteligência na ocupação dos espaços entre linhas.
Sempre que esteve indisponível, o Sporting perdeu imprevisibilidade no último terço e capacidade para desbloquear jogos mais fechados. Pote é um jogador que consegue aparecer em diferentes zonas do ataque, ligar setores e criar oportunidades praticamente do nada, algo que poucos conseguem replicar dentro do plantel.
Além disso, a sua qualidade no remate exterior e no último passe tornam-no um elemento decisivo em encontros equilibrados. Sem ele, o Sporting tornou-se muitas vezes mais previsível ofensivamente e menos eficaz na criação de ocasiões claras de golo.
2.


Geovany Quenda – Afirmou-se definitivamente em 2024/25 como uma das grandes revelações do futebol português. Apesar da juventude, o extremo leonino demonstrou personalidade, capacidade física e uma enorme facilidade em criar desequilíbrios no um-para-um.
A sua ausência foi particularmente sentida pela forma como dá profundidade e velocidade ao jogo do Sporting. Quenda é um jogador que acelera transições, quebra linhas através da condução e obriga constantemente os adversários a recuar metros no terreno.
Sem ele, o Sporting perdeu explosão ofensiva nas alas e capacidade para criar superioridade individual em momentos importantes do jogo. A sua irreverência e agressividade ofensiva tornaram-se rapidamente numa das armas mais perigosas da equipa leonina e a sua ausência foi sentida ao longo da época.
3.


Fotis Ioannidis – Chegou ao Sporting com enorme expectativa e rapidamente mostrou características que acrescentaram uma dimensão diferente ao ataque leonino. O avançado grego destacou-se pela capacidade física, mobilidade e intensidade na pressão sem bola.
Quando esteve lesionado, o Sporting perdeu uma referência ofensiva capaz de segurar jogo no último terço e de criar dificuldades constantes aos centrais adversários. A sua presença permitia à equipa jogar de forma mais direta em determinados momentos e oferecia maior agressividade dentro da área.
Além disso, Ioannidis revelou-se importante na pressão alta e no desgaste físico imposto às linhas defensivas adversárias. A sua ausência retirou soluções ofensivas importantes a Rui Borges em vários momentos exigentes da temporada.
4.


Daniel Bragança – Era apontado como uma das soluções mais importantes para o meio-campo do Sporting em 2025/26, mas os problemas físicos acabaram por impedir o médio português de ter continuidade ao longo da época. A sua ausência retirou à equipa um jogador com características únicas dentro do plantel leonino.
O médio formado em Alcochete destaca-se pela qualidade técnica, pela visão de jogo e pela capacidade de dar fluidez à circulação ofensiva. É um jogador particularmente forte em espaços curtos, capaz de resistir à pressão e de acelerar o jogo através do passe vertical e da inteligência posicional.
Sem Bragança disponível durante grande parte da temporada, o Sporting perdeu uma opção diferenciadora para jogos que exigiam maior controlo através da posse e criatividade no corredor central. Em determinados momentos, sentiu-se falta de um médio com a sua capacidade para ligar setores e organizar o jogo ofensivo da equipa com calma e critério.
Além da qualidade futebolística, Daniel Bragança continua a ser visto internamente como um jogador de enorme resiliência e identidade leonina, algo que reforça ainda mais a importância que poderia ter tido numa época tão exigente para o Sporting.
5.


Zeno Debast – Trouxe ao Sporting características que rapidamente o tornaram numa peça importante da equipa leonina. O internacional belga destacou-se pela qualidade na saída de bola, pela tranquilidade sob pressão e pela maturidade táctica, mesmo sendo ainda um jogador jovem.
A sua ausência acabou por ser sentida sobretudo em jogos onde o Sporting precisou de maior controlo na construção desde trás. Debast oferece segurança com bola e tem capacidade para quebrar linhas de pressão através do passe, algo fundamental numa equipa que procura sair a jogar de forma apoiada e dominante.
Além da qualidade técnica, também acrescenta agressividade nos duelos e inteligência na ocupação dos espaços defensivos. Sem ele disponível, o Sporting perdeu alguma estabilidade no setor recuado e uma opção importante para manter equilíbrio entre segurança defensiva e qualidade na construção ofensiva.
Num plantel com várias soluções defensivas, Debast conseguiu ainda assim afirmar-se pelas características diferenciadoras que oferece ao jogo leonino, tornando a sua ausência uma das mais relevantes ao longo da temporada.
As lesões acabaram por marcar vários momentos importantes da temporada do Sporting. Num ano de elevada exigência competitiva, as ausências de jogadores influentes limitaram opções, obrigaram a reajustes constantes e tiveram impacto direto no rendimento coletivo da equipa leonina. Ainda assim, o Sporting conseguiu manter-se competitivo durante grande parte da temporada, demonstrando capacidade de adaptação e profundidade no plantel. No entanto, olhando para o impacto das ausências e para aquilo que cada um destes jogadores poderia ter acrescentado com maior continuidade física, é inevitável pensar que uma época com menos limitações no departamento clínico poderia ter permitido ao Sporting atingir um nível exibicional e competitivo ainda mais elevado.

